HOSPÍCIO #58 – Ineficaciabilidade

Um dos termos mais discutidos no mundo do Business é a diferença entre eficácia e eficiência. Eficiênia é, à grosso modo, fazer as coisas certas. Eficácia é fazer certo as coisas. Torcedor corinthiano que lê ao 58º Hospício, você acha que o Corinthians é eficiente ou eficaz?

hospício

A eficiência do Corinthians é iminente. O time que Tite montou faz muito com pouco. Cá entre nós, o elenco do Corinthians não é o mais qualificado, tampouco o que mais se ajusta à realidade tática de hoje. Mesmo com as eliminações e afins, o Corinthians conseguiu, nesse ano, “enxugar gelo” no Paulistão e na Libertadores.

A eficácia, porém, é o que nos falta. Em 2 rodadas do Brasileirão, “ignorando” o Paulistão e a Libertadores, foi 1 empate e 1 derrota. Nesses dois jogos, foram trocados 822 passes certos. Foram 30 finalizações, sendo 9 certas. Podemos dizer, então, que o Corinthians troca cerca de 91 passes para finalizar 1 vez certo. E nessas 9 finalizações, marcou 2 gols.

Peguemos o Santa Cruz, líder até aqui, como exemplo. As estatísticas comparadas às do Corinthians têm uma diferença abissal. Começando pelos passes certos, o Santa Cruz trocou 361 (contra 822 do Corinthians). Foram as mesmas 9 finalizações certas e outras 7 erradas (16, no total, contra 30 do Corinthians). Seguindo a mesma lógica, o Santa Cruz troca 40 passes para finalizar 1 vez certo. Ou seja, os mesmos 91 passes que o Corinthians troca para finalizar 1 vez certo, daria para o Santa Cruz chutar 2 vezes ao gol. E pior: com as mesmas 9 finalizações certas, o Santa Cruz marcou 6 gols, contra 2 do Corinthians. O que o time de Milton Mendes tem é eficácia. Faz pouco, mas consegue um resultado melhor. Não “enxuga gelo”. Eficácia é isso!

Mas aí, o amigo do outro lado da tela pode argumentar: “ah, mas o Corinthians jogou assim no Brasileirão de 2015, e foi campeão”. Verdade. As estatísticas: 8850 passes certos, 317 finalizações (168 certas). O Corinthians precisava tocar 52 vezes a bola para finalizar uma vez ao gol; e a cada 2 finalizações certas, o Corinthians marcou 1 gol.  Joga do mesmo jeito, mas o do passado era eficaz.

Trocando em miúdos: o Corinthians de 2015 e 2016 jogam da mesma forma. O Corinthians de 2015 era eficaz, o de 2016, não. Qual a solução para isso? Troca de jogadores? Troca de estratégia? Troca de tática? Ser mais incisivo? É a pergunta de 1 milhão de dólares. Esperamos que Tite a tenha.

Fonte das estatísticas: Footstats

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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