NBA – Cleveland em chamas!

            O Cleveland Cavaliers de LeBron James e cia, segue em busca do inédito título da NBA. Com todos os titulares e principais reservas saudáveis, a franquia de Ohio vem atropelando os adversários nos playoffs, a primeira vítima foi o Detroit Pistons varrido em 4 jogos. O Atlanta Hawks até que lutou, porém não foi páreo para o aproveitamento de bolas de 3 de Cleveland, que agora aguardam o vencedor de Toronto Raptors e Miami Heat. Qual o segredo dessa força do Cavs? Os adversários são fracos? Tyronn Lue fez mágica? Ou será apenas sorte?

Tyron Lue

      O técnico do ataque mais poderoso dos playoffs, com o Offensive Rating de 118.7, está em sua primeira temporada comandando uma equipe da liga de basquete mais forte do mundo. Tyronn Lue, que anteriormente era conhecido pelo crossover que tomou de ninguém menos que Allen Iverson há mais de 10 anos, vem fazendo história em sua primeira temporada. Ele era técnico interino de David Blatt, demitido no meio da temporada passada com o recorde de 30-11. Especulava-se que o técnico anterior tinha problemas de relacionamento com a principal estrela do time, Lebron James, e que este foi o responsável pela demissão do antigo comandado.

           Especulações à parte, vamos aos números. Levando em consideração a temporada regular de 14-15 comandado por Blatt e os 41 jogos disputados por Lue, fizemos uma comparação. Alguns analistas americanos criticaram Blatt por não atuar regularmente com os reservas, deixando seus titulares por muito tempo em quadra. Considerando reservas que atuaram por mais de 5 minutos e no mínimo 45% dos jogos sobre o comando de seu respectivo técnico, David Blatt utilizou 7 reservas constantemente contra 8 de Tyronn Lue. Em comparação aos minutos de cada jogador, a média de Blatt é de 17,72 min por reserva contra 15,21 min oferecidos pelo ex-interino. Em termos de contribuição na pontuação, seus números se equivalem, 5,3 ppg de Lue e 5,2 ppg de Blatt.

         Conclui-se que, Blatt utilizava menos jogadores na rotação do que Lue, porém esses reservas jogavam em média 2,5 minutos a mais, e ainda oferecendo quase a mesma contribuição em pontos. Para somar à essa análise, na temporada 14-15, em que o Cleveland chegou às finais da NBA com David Blatt, os titulares jogaram 32,9 minutos por média, com Mozgov e Tristan Thompson alternando a titularidade, 25 min e 26,8 min respectivamente. Já sobre o comando de Tyronn Lue esse número cai para 31,8 min por jogo.

       Apostar em um interino sem experiência na liga nem sempre é recomendável, porém, na franquia de Ohio essa ação da diretoria foi bem-sucedida.

Cobrança

    Ainda sobre o astro LeBron James, mesmo com um time extremamente competitivo, o jogador cobrou publicamente uma postura diferente dos seus companheiros de equipe. Em entrevista à ESPN americana no início da temporada, o ala afirmou que o time tem que se esforçar nos 48 minutos. “Tem vezes que o nosso esforço é meia-boca, achamos que podemos correr no final. Não somos bons o suficiente para fazer isso agora” reclamou o astro. Com uma postura crítica sobre sua equipe ao longo da temporada, surgiram boatos que LeBron estaria entrando em atrito com outra grande estrela do time, o armador Kyrie Irving, refutada por ambos através de imprensa.

On fire

        Quebrando recordes. Essa foi a sina do Cleveland Cavaliers nos playoffs, a franquia de Ohio converteu no jogo 2 contra o Atlanta Hawks 25 bolas de três pontos em uma partida, maior marca seja em playoffs ou temporada regular. No jogo seguinte mais uma chuva de arremessos caiu, foram 21 acertos. E a rotação da equipe diz muito sobre esse recorde, são vários jogadores que possuem o tiro de três no seu repertório ofensivo, dos titulares e principais reservas apenas os pivôs Tristan Thompson e Timofey Mozgov não se arriscam. Com um jogo coletivo e disciplinado, a bola gira por todo o ataque procurando um homem livre de marcação. Os Cavs têm incríveis 46,6 % de aproveitamento nos arremessos de três pontos nos playoffs, capitaneados pelo ala-armador J.R. Smith que vêm estragando defesas adversárias com seus arremessos, sejam eles livres ou contestados, com incríveis 52,6 % de acerto em longa distância. Junte a inspiração com alas pivôs que jogam longe da cesta, caso de Kevin Love e Channing Frye, que castigam defesas com seus arremessos e consequentemente espaço para infiltrações dos demais jogadores. É uma faca de dois gumes e fatal quando os arremessos caem.

        Após polêmicas e muita cobrança, Cleveland vem despontando como forte candidato a levar o troféu Larry O’ Brian e aplicando uma verdadeira varrida no Leste. Resta saber se os arremessos continuarão a cair e se o time vai continuar a mostrar a mesma consistência ofensiva dos últimos jogos. Se depender do empenho do grande astro do time, LeBron James, entrega não irá faltar.

Mateus Maia

Estudante de jornalismo da UFOP e fanático pelo mundo dos esportes. Tudo na vida é certeiro, menos o chute de 27 jardas do Blair Walsh

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