Times brasileiros vivos na Libertadores têm treinadores estrangeiros

Texto: Gustavo Mestriner

Junto com os times argentinos, os times brasileiros sempre são apontados como os favoritos a levar o caneco da Libertadores. Devido a uma série de fatores como tradição, “peso da camisa”, maior investimento financeiro e melhor desenvolvimento técnico e tático os representantes argentinos e brasileiros costumam chegar forte nas fases finais da Taça Libertadores, o maior, mais charmoso, disputado e cobiçado torneio no continente sul americano.

Entretanto, nessa atual edição de 2016, apenas dois times de cada um desses países seguem vivos no torneio na etapa de Quartas de Finais. O Brasil que no começo da competição era representado por cinco times: Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Atlético Mineiro e Grêmio, agora conta apenas com São Paulo e Atlético Mineiro. Enquanto na Argentina, River Plate, Huracan, San Lorenzo e Racing já foram eliminados, sobrando apenas Boca Juniors e Rosario Central para representar os Hermanos na competição.

Mas o que é mais intrigante e curioso esse ano, não é termos apenas dois clubes brasileiros entre os oito melhores da Libertadores e sim não termos técnicos brasileiros comandando nenhuma dessas oito melhores equipes. Os dois brasileiros vivos na Liberta são treinados por gringos: o argentino Edgardo Bauza no tricolor paulista e o uruguaio Diego Aguirre no Galo Forte Vingador.

Há tempos que o desempenho de treinadores brasileiros é bastante questionado por todos, no Brasil, até mesmo o indiscutível excelente Tite, técnico do Corinthians já começa a sofrer uma certa pressão e impaciência da torcida que já começa a cobrar do treinador. Outro técnico brasileiro que foi bastante queimado, foi Marcelo Oliveira, que mesmo sendo bi-campeão brasileiro não resistiu a forte pressão e foi demitido de Cruzeiro e Palmeiras.

Será que os problemas realmente são os técnicos brasileiros ou como nós, torcida e imprensa tratamos os treinadores? Por que embora Bauza e Aguirre venham vindo fazendo bons trabalhos nos seus times, sabemos que o brasileiro não tem muita paciência com treinadores, ainda mais os gringos, vide Gareca no Palmeiras, Osório no São Paulo e o próprio Aguirre no Internacional, que por mais que tenham muito a acrescentar, com suas novas filosofias e padrões de jogo, porém no Brasil existe muito aquilo da “cultura do resultado”, se o resultado não vem, quem paga é o técnico. A culpa cai no colo dele. O Cruzeiro agora foi mais um que apostou em um técnico gringo, contratou Paulo Bento, ex técnico da seleção de Portugal, certamente é um nome bastante interessante e tem tudo para dar certo na Raposa, vamos ver se a diretoria vai colaborar e dar sequência para o trabalho do português aqui no Brasil.

Voltando para o assunto Libertadores, Bauza, campeão da libertadores pela LDU e pelo San Lorenzo, famoso por conseguir “tirar leite de pedra” das equipes, passa por bastante questionamento e divergência de opiniões por parte da torcida São Paulina, vive vários altos e baixos no comando do time do tricolor paulista. Do outro lado, a mesma coisa com Aguirre, o uruguaio que quando jogador, já jogou no futebol brasileiro, conhece como rola a bola aqui em nosso país, faz excelente trabalho sob o comando do Galo, porém vive sendo questionado por fazer muito rodizio de jogadores e esquemas de jogo, e mais uma vez, aqui no Brasil estamos acostumados com ‘aquela cultura’ do “em time que tá ganhando não se mexe”. Questionados ou não de seus trabalhos, Bauza e Aguirre conseguiram chegar longe na Libertadores com suas equipes e agora travam nessa quarta-feira (18) um emocionante duelo valendo vaga na semifinal da Libertadores, o vencedor vai ser o único brasileiro restante na competição. No primeiro jogo, no Morumbi, deu tricolor, deu Bauza, 1×0 com gol de cabeça de Michel Bastos. Agora, o jogo da volta, no Independência, Aguirre e a equipe do Atlético tenta reverter o placar e promete ir para cima para seguir vivo em busca do bicampeonato na Libertadores.

E você? Qual sua opinião sobre os técnicos estrangeiros? Interessante ou perda de tempo? Vale a aposta, não importando a nacionalidade do treinador?

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