De Bandeja – A Dinastia Rubro-negra

Nas grandes ligas americanas (NFL, MLB, NBA e NHL) quando uma equipe domina os títulos de um período costumamos dizer que construiu uma dinastia. A NBB, que há alguns anos conta com o apoio consultivo da NBA para tornar a liga mais atrativa, forte e viável economicamente, já está construindo também sua primeira dinastia. Com a vitória no jogo 5 da série final no último sábado, o Flamengo conquistou a oitava edição da liga, o quinto título rubro-negro da competição, sendo o quarto vencido de forma consecutiva.

E o trabalho vem de longe. Apenas para lembrar um pouco de como se formou esse domínio, temos que lembrar do cenário do basquete brasileiro no final dos anos 90, começo dos 2000. À época, as equipes grandes do Rio de Janeiro começaram a investir forte na modalidade, com as quatro equipes montando times fortes e rivalizando com as principais forças de São Paulo, que na época eram Franca, Ribeirão Preto e Bauru. O campeonato carioca era disputadíssimo, com as finais sendo jogadas no Maracanãzinho em jogos sempre parelhos. Aos poucos, as equipes foram deixando de investir e o Flamengo começou a reinar sozinho em terras cariocas. Ao mesmo tempo, os clubes de basquete começaram a se organizar para formar uma liga própria, causando uma dissidência na CBB (Confederação Brasileira de Basquete). A liga ganhou corpo e o Flamengo, que não abandonou o trabalho, saiu na frente, conquistando a primeira edição da liga.

Nas três edições seguintes, o rubro-negro carioca não levou, mas sempre chegou nas fases decisivas, perdendo uma vez a final para o Brasília, tri-campeão no período. Além disso, nesse meio tempo, foi formando um bom trabalho de base que culminou em 2 dos 4 títulos possíveis da Liga de Desenvolvimento, disputada apenas com jogadores sub-22. Em 2013, retomou o domínio do basquete nacional para não perder mais, até aqui.

Nessa edição, foi o melhor time da temporada regular, ganhando o direito de mando de quadra em todas as fases dos playoffs. Nas semi-finais, eliminou em uma difícil série o bom time do Mogi das Cruzes, para decidir o título com o Bauru. Uma vitória fora de casa para cada um, e o título seria decidido com o apoio de sua torcida na Arena Carioca 2. E o Flamengo dominou completamente a partida, com ótima participação do veterano Marcelinho Machado, acertando 6 de 9 arremessos de três pontos, somando 26 no total, além dos 10 rebotes e 6 assistências. Marcelinho, apesar da idade, continua sendo o cara do Flamengo.

Com um desempenho sólido, abriu uma vantagem confortável ao longo do jogo e contou com muitos erros de Bauru, especialmente dos alas Hetthsimeir e Paulinho, que precipitavam muitos lances e erravam cestas fáceis. O Flamengo, por sua vez, controlava bem o jogo e venceu pela vitória mais elástica da história das finais do NBB. A dinastia está formada, e o rubro-negro é o time a ser batido no Brasil quando falamos em basquete. José Neto, treinador do Flamengo e auxiliar de Mangano na seleção, contou com Rafa Luz, Marcelinho, Marquinhos, Olivinha (eleito MVP das finais) além do americano Meyinsse no quinto titular para levar o penta-campeonato nacional. Que venha a Liga das Américas agora para o rubro-negro e, quem sabe, o segundo título intercontinental.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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