A zika e os Jogos Olímpicos

O Brasil é pródigo em ter alguma confusão nos grandes eventos que sedia. Há 2 anos, a Copa do Mundo de futebol foi realizada em meio há muitos protestos da sociedade, instabilidade política, denúncias diversas de obras super-faturadas. Esse ano, sediaremos os Jogos Olímpicos e os três itens estão presentes novamente no cenário, com alguns agravantes, como o processo de impeachment da presidente. Mas, um problema que fisicamente é menor tem causado internacionalmente um barulho enorme para a realização dos jogos. O vírus da zika.

O vírus da da zika é transmitido através da picada o mosquito Aedes aegypti, mesmo mosquito causador da dengue. Embora raramente acarrete complicações para seu portador, apresenta indícios de poder causar microcefalia congênita nos seus progenitores, especialmente quando adquirido por gestante, prejudicando o feto em alguns casos.

Por conta disso, alguns atletas já demonstraram grandes preocupações. Mulheres em período de gestação foram desaconselhadas a viajar para o Rio de Janeiro e acompanhar os Jogos. Alguns homens que virão competir anunciaram que estão congelando esperma para se prevenir de qualquer problema que possa surgir. Mas, o mais grave, têm ocorrido nas competições de campo aberto, como o golfe. Sete dos vinte melhores jogadores do mundo anunciaram sua desistência. O último foi Dustin Johnson, número 2 do ranking mundial e atual campeão do US Open.

À CBS Sports dos EUA, Dustin declarou: “Esta não foi uma decisão fácil para mim, mas as minhas preocupações com o vírus Zika não podem ser ignoradas. Paulina [Gretzky, noiva de Johnson] e eu pretendo ter mais filhos no futuro próximo, e eu sinto que seria irresponsável de minha parte colocar ela ou a nossa família em risco. Creio que estou tomando a decisão certa para mim e, mais importante, a minha família. Enquanto eu tenho certeza que alguns vão ser críticos da minha decisão, a minha esperança é que a maioria vai entender e apoiá-la. Quem optar por competir no Rio certamente têm o meu respeito e melhores desejos para uma experiência inesquecível e segura”.

A modalidade que volta ao circuito olímpico depois de mais de 1oo anos de ausência (última edição que teve o esporte foi em 1904, em Saint Louis-EUA) sofre um duro golpe para sua continuidade no programa das próximas edições com essa desistência em massa dos jogadores, fazendo com que a competição perca o apelo comercial entre os aficionados da modalidade e perca a importância dentro do calendário profissional. Porém, não podemos crucificar os atletas que tomaram essa decisão nem negligenciar o problema. Os riscos, principalmente nas modalidades onde há grandes chances de concentração de mosquitos (Os campos de golfe são rodeados de árvores e lagos, locais perfeitos para proliferação  de insetos dessa natureza), são altos. Como condenar então atletas que não querem arriscar sua saúde.

Esse fato não é inédito no esporte. Na Copa América de futebol em 2001, disputada na Colômbia, diversos jogadores da seleção brasileira pediram dispensa por medo da situação do país com as FARCs, temendo por segurança. O mesmo ocorreu nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004, quando a proximidade do país-sede com regiões instáveis devido a guerra dos EUA contra o Iraque fez com que diversos atletas (principalmente da seleção americana de basquete) desistissem da competição.

Para ajudar os competidores que irão aos Jogos, uma empresa sul-coreana está fabricando uniformes anti-mosquito, especialmente para os golfistas e atletas das modalidades como tiro ao arco. São nessas modalidades que o risco do Zika vírus é maior, de  acordo com a OMS (Organização mundial da saúde). Por isso, é compreensível a desistência dos atletas. Não dá para condenar ninguém. Mas que a situação é um duro baque para modalidades como o golfe, ha muito tempo fora do programa olímpico, isso não dá para negar.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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