Análise NBA – Playoffs chegando em Minnesota?

Todos sabemos que as ligas americanas proporcionam as franquias vários modelos de reconstrução de seu plantel. Os três mais comuns são: o Draft, a Free Agency e as Trades. Vamos analisar o modelo de reconstrução do Minnesota Timberwolves, que foi feito basicamente através do Draft porém que se iniciou devido a uma troca.

Passado

         Terminou a temporada regular de 2013-14 e mais uma vez o time do Minnesota Timberwolves não chegou aos Playoffs. Capitaneados pelo astro Kevin Love junto ao técnico Rick Adelman, os lobos tiveram um inicio animador, com o decorrer do campeonato foram perdendo forças até não possuírem chance de se classificar. No papel o time era promissor: Ricky Rubio considerado uma joia a ser lapidada, é até hoje um armador que deixa o companheiro livre para pontuar. Kevin Martin um pontuador sólido, eficiente nos arremessos de fora e no jogo de transição. Corey Brewer contratação que chegou para assumir a titularidade após bons jogos pelo Denver Nuggets, contribuía com boa marcação. Nikola Pekovic, excelente jogando de costas para a cesta e contribui com uma boa defesa no garrafão. Por fim, liderando o time: Kevin Love. Considerado um dos melhores alas-pivô da liga, Love foi fatal na linha de 3 pontos além de contribuir com rebotes e assistências, sem dúvidas o cérebro do time. O que seria a ruína dessa equipe? Talvez lesões. Pekovic ficou de fora em 28 jogos, Martin outros 14. Definitivamente, o grande ponto fraco de Minnesota era seu banco de reservas, não existia ninguém de relevância para contribuir no descanso dos titulares, ou você acha que Derrick Williams (BUST), Dante Cunningham, Alexey Shved, J.J. Barea ou Chase Budinger seriam esses caras? Não mesmo. O únicos que se salvaram no plantel são Gorgui Dieng e Shabazz Muhammad, até então rookies.

         A campanha garantiu a Minnesota a 8ª escolha no recrutamento do Draft selecionando o ala-armador Zach LaVine, porém o que mais se comentava ao redor da liga era o fato do astro Kevin Love estar entrando em sua sexta temporada sem nunca sequer ter jogado um jogo de Playoffs. Paralelamente à isso, LeBron James retornava ao Cleveland Cavaliers após 2 títulos em Miami. A diretoria se viu pressionada para reforçar o elenco ao máximo com a chegada de James. Com uma moeda de troca valiosíssima chamada Andrew Wiggins, primeira escolha do Draft de 2014, a franquia de Cleveland propôs uma troca pelo ala-pivô Kevin Love. O jogador estava em último ano de contrato e desejava uma equipe competitiva para batalhar pelos Playoffs, algo que os Wolves não conseguiam oferecer há alguns bons anos. Com a saída eminente de seu principal jogador ao final da próxima temporada, a diretoria de Minnesota aceitou a troca e iniciou seu projeto de reconstrução do elenco, visando desenvolver seus jovens e promissores jogadores.

          Hoje vários consideram uma péssima troca para Cleveland com as atuações recentes de Kevin Love. De fato, trocar a primeira escolha do Draft e um jogador com um teto de talento tão alto como Wiggins não é recomendável, porém com a chegada de James, os Cavs necessitavam de jogadores prontos para competirem pelo anel. Wiggins não traçava esse perfil e seria a sombra de LeBron, talvez não teria espaço para se desenvolver por completo, desperdiçando um talento de primeira escolha de Draft. Era o cenário ideal para a troca, Love acabara de fechar uma temporada com médias de 26.1 PTS, 12.5 REB e 4.4 AST por jogo, a facilidade de como o jogador operava ofensivamente além dos rebotes impressionava vários analistas, chegavam a considerá-lo o melhor ala-pivô atuando na NBA.

      Troca efetuada e Minnesota possuía dois talentos a serem lapidados: Zach LaVine produto de UCLA e o canadense Andrew Wiggins vindo da Universidade de Kansas. Após conquistar a pior campanha da temporada 14-15, Minnesota obteve a oportunidade selecionar a primeira escolha do Draft de 2015, escolhendo o calouro Karl Anthony Towns vindo de Kentucky. Recentemente o armador Kris Dunn, vindo da Universidade de Providence, se juntou ao elenco dos lobos, sendo a 5ª escolha do recrutamento de 2016. Esses quatro jogadores são os pilares da reconstrução do Minnesota Timberwolves e também a esperança dos torcedores para acabar com a espera de 12 anos sem alcançar os Playoffs.

Talento

Sem Título-2

           Andrew Wiggins foi o vencedor do premio de calouro do ano de 2015, o ala-armador completou o segundo ano na NBA cercado de expectativas. Após melhorar sua média de pontos comparado ao primeiro ano, Wiggins liderou a equipe de Minnesota em vários momentos durante a temporada. Confrontos contra LeBron James, vitórias sobre Warriors e Thunder além de jogadas individuais fantásticas foram momentos marcantes da sua temporada como segundanista. O canadense é o principal motivo desta reconstrução em Minnesota e é forte candidato ao All-Star Game do próximo ano. A expectativa é que Wiggins lidere a equipe aos Playoffs juntamente com o pivô Karl-Anthony Towns.

          Zach LaVine foi uma das surpresas da nova geração dos T-Wolves, LaVine ficou famoso na liga pelas fantásticas enterradas, sendo campeão do Torneio de Enterradas do All-Star Game por 2 anos consecutivos. Quem acredita que o jogador só possui este atributo em seu jogo está enganado, o ala-armador evoluiu bastante desde o seu recrutamento no Draft. Um fato curioso é que em sua temporada de estreia atuou vários vezes como armador do time, nitidamente o intuito da diretoria era que LaVine adquirisse uma cadência maior do jogo, algo que a posição pode lhe proporcionar. Falando nisso, a confiança da diretoria no jogador é tremenda, recentemente foi recusada uma troca pelo astro Jimmy Butler do Chicago Bulls por Lavine e a 5ª escolha do Draft de 2016. Zach LaVine tem se preparado para a próxima temporada, e vem como um dos pilares da equipe para a tão sonhada vaga nos Playoffs. É um jogador que devemos ficar de olho.

       A primeira escolha do Draft de 2015 apresentou na última temporada os motivos da sua alta seleção no recrutamento. Karl-Anthony Towns, impressionou vários analistas e torcedores, que apontavam o favoritismo para Jahlil Okafor como o destaque dos calouros na temporada. O cenário apresentado foi totalmente diferente, Karl-Anthony Towns liderou a equipe de Minnesota em rebotes, tocos, além da quebra de alguns recordes. O pivô conquistou de forma unânime o prêmio de calouro do ano, além de algumas conquistas que valem ser citadas:

  • Mais jovem desde Kevin Durant (2008) a anotar dígitos duplos de 30 PTS e 10 REB em uma partida.
  • Ultrapassou Christian Laettner como maior pontuador em rookie-season na história da franquia.
  • Campeão do torneio de habilidades do All-Star Game, desbancando o armador All-Star Isaiah Thomas.

Resumindo: Towns simplesmente dominou o garrafão na sua temporada de estreia na NBA, demonstrando vários atributos de um pivô de elite. A expectativa em torno dele é grande, será interessante assistir o desenvolvimento da química do jogador com o novo armador de Minnesota, o calouro Kris Dunn.

           Aproveitando a brecha, Dunn chega para completar o quarteto talentoso de Minnesota vindo da Universidade de Providence. O jogador foi alvo de várias franquias no Draft que através de trocas tentaram adquiri-lo. Contudo, Dunn permaneceu em Minnesota, sendo selecionador como a 5ª escolha do recrutamento. Dotado de um porte físico-atleta de elite, com envergadura, agilidade e explosão, Kris Dunn impressionou durante seu período de Summer League e a expectativa é que o jogador possa se desenvolver ainda mais durante a temporada. A que tudo indica, o armador venha atuar através do banco de reservas, devido a presença de Ricky Rubio no elenco. Existem qualidades de condução de jogo e precisão de passes que o calouro pode aprender observando atuações do espanhol. A possibilidade de uma troca de Rubio com o decorrer da temporada pode se concretizar, dando mais tempo de quadra para Dunn. Resumindo, de uma forma ou outra o atleta pode se desenvolver visando conduzir as jogadas de Minnesota futuramente.

Elenco

          Minnesota Timberwolves possuiu um elenco que reflete diretamente com o seu quarteto jovem e promissor: jogadores desconhecidos por muitos na NBA e que tem muito a provar na liga. Na armação temos Ricky Rubio, outrora um dos pilares do elenco, o espanhol perdeu prestígio com a comissão técnica, diretoria e até torcedores. Apesar de ser um ótimo jogador, Rubio constantemente se lesiona e não oferece perigo quase nenhum em seu arremesso. O jogador é mais conhecido pelos seus passes espetaculares nos TOP 10 de jogadas da temporada, o que não reflete seu desempenho em quadra. Com mais um ano de contrato, o jogador deve ser trocado durante a temporada ou mesmo auxiliar Kris Dunn em seu desenvolvimento. Ainda temos Tyus Jones como 3º armador da equipe, o segundanista foi eleito o MVP da Summer League e pode aprontar alguma surpresa em Minneapolis.

             Nas alas ainda temos Shabazz Muhammad, Brandon Rush, Tayshuan Prince e Damian Rudez. Prince e Rudez não devem renovar, enquanto Brandon Rush chega através da Free Agency para somar ao elenco dos lobos. O ponto positivo fica com Shabazz Muhammad, que apesar de sofrer com lesões, vêm apresentando evolução a cada temporada, também auxilia a equipe na pontuação quando é solicitado. Atuando mais próximo do garrafão Minnesota possui Nemanja Bjelica, Adreian Payne e o ídolo Kevin Garnett. Payne provou na Summer League que é limitadíssimo e não deve ter futuro na equipe, já o russo Bjelica é uma aposta da diretoria, atuou muito bem na Europa e possuiu um arremesso consistente na linha de 3. Outro ponto positivo é a presença do maior jogador da história da franquia Kevin Garnett, ele afirmou que irá atuar por mais uma temporada, a sua 21ª na NBA, se tornando a atleta com mais temporadas na história de liga. A presença do jogador no elenco é vista de forma benéfica para o aprendizado do jovens talentos. Garnett não deve ter grande tempo de quadra além de ser poupado em vários confrontos na temporada, ainda não se sabe se estará presente no quinteto titular.

            Na posição de pivô Minnesota contratou os jogadores Jordan Hill e Cole Aldrich via Free Agency, se juntando aos já sobre contrato Nikola Pekovic e Gorgui Dieng. Dependendo onde o astro Karl-Anthony Towns atue, é provável que a posição fique indefinida. Na última temporada, ela foi ocupada por Garnett (quando saudável) e o francês Dieng. Cole Aldrich deve fazer sombra os três restantes jogadores, Pekovic ainda é uma incógnita, não se sabe se ele deve se encontrar saudável na próxima temporada, algo que os torcedores já estão acostumados. Jordan Hill pode contribuir defensivamente no garrafão já Gorgui Dieng tem mais mobilidade e demonstra grande empenho nos jogos. Fica a critério do técnico, a possibilidade de Towns se deslocar para a posição quarto e a procura por um pivô defensivo deve ser a tendência da nova temporada. Com isso Hill tem uma pequena vantagem, porém nada é certo, temos que aguardar o desenrolar da temporada seguinte.

Comissão Técnica

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        Após a grande pressão sobre o interino Sam Mitchell, os Timberwolves foram ao mercado e contrataram o técnico Tom Thibodeau para liderar a jovem equipe pelos próximos cinco anos. Vale ressaltar que ele irá assumir a presidência de operações, tendo assim maior poder dentro da franquia. Thibodeau vem respaldado de um ótimo trabalho a frente do Chicago Bulls, conduzindo a franquia aos Playoffs em todos os seus anos trabalhando como técnico da equipe. Conhecido como um especialista defensivo, “Thibo” terá bastante trabalho para organizar as ações do time, uma vez que Minnesota foi a quarta pior equipe em eficiência defensiva na última temporada, com um índice de 107.1 DEF RTG. Com a nova adição ao corpo técnico é esperado que Minnesota dê um salto de qualidade em suas atuações coletivas e se torne uma ameaça na forte conferência Oeste.

Amanhã

        São exatos 12 anos sem experimentar a pós-temporada, e nunca se esteve tão perto de conquistar esse feito. Após todos esses anos, a equipe que irá entrar na temporada de 2016-17 é a que mais possui profundidade de talento e organização entre todas as últimas tentativas. A expectativa é gigantesca em volta do elenco e a pressão tende aumentar. Foram anos de sofrimento com péssimas equipes e pelo menos mais dois anos de espera da torcida para o desenvolvimento de seus promissores jogadores, eles aguardam pelo menos atuações mais consistentes, que se tudo der certo, se resumam em vitórias. É claro que tudo pode acontecer, e principalmente na maior liga de basquete do mundo. Vamos aguardar e esperar o que os Deuses do basquete reservam para os jovens de Minnesota.

Mateus Maia

Estudante de jornalismo da UFOP e fanático pelo mundo dos esportes. Tudo na vida é certeiro, menos o chute de 27 jardas do Blair Walsh

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