Camila Brait merece todo o respeito e reconhecimento

Após a conquista do Grand Prix, o treinador da seleção brasileira de voleibol feminino, José Roberto Guimarães, precisava definir os últimos cortes para fechar quem seriam as 12 atletas que representariam o Brasil nos Jogos Olímpicos em busca do terceiro ouro consecutivo. E, de certa forma, causou alguma surpresa o corte da líbero Camila Brait.

Há oito anos disputando torneios com a camisa verde-amarela, Camila anunciou após o corte sua aposentadoria da seleção. Seguirá jogando ainda por clubes e na próxima temporada estará novamente em Osasco, para a disputa da Superliga. Foi o segundo corte em véspera das Olimpíadas que Camila sofreu. Em 2012, disputava a vaga com a então titular Fabi, talvez um dos maiores nomes da posição na história do voleibol feminino. Fabi se retirou da seleção após os Jogos e Camila desde então vinha sendo absoluta na seleção. Por isso, e por decisões pessoais que teve de tomar ao longo do tempo em virtude de sua carreira (Seu marido declarou que adiaram os planos de um filho por conta dos Jogos Olímpicos), o corte foi tão dolorido para ela.

É bem verdade que Camila começou instável a disputa do Grand Prix dessa temporada e acabou vendo a pequena Léia jogar muito no mesmo período. Na fase final, com o revezamento promovido por José Roberto Guimarães, Camila se redimiu e foi muito bem, sobretudo nas semifinais contra a Holanda. Léia não deixou por menos e foi uma das melhores jogadoras do Brasil na final contra os EUA. Num elenco de doze atletas, não é muito comum levar duas líberos e uma certamente ficaria de fora. E, mais uma vez, sobrou para Camila.

É bom que se diga que qualquer que fosse a decisão do treinador brasileiro, ela estaria correta e apoiada por diversos fatores. Tanto Brait quanto Léia fizeram por merecer a vaga. Mesmo triste com a decisão, Camila mostrou-se extremante respeitosa, não jogou polemica no ventilador e se pronunciou que grande classe nas redes sociais. Jogou muito enquanto esteve a serviço da seleção, sobretudo no Mundial em 2014. Merece todas as reverências de quem acompanha o voleibol.

Faltará em seu currículo uma participação olímpica. Acontece. Mas Camila deu uma lição de respeito e dedicação difícil de ver hoje em dia. Sabe que deixou tudo de si em quadra e sai da seleção com cabeça tranquila, de quem fez sempre o melhor nas oportunidades que apareceram. O ciclo da seleção pode ter encerrado, mas Brait será sempre lembrada como uma vencedora com a camisa verde-amarela.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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