Compra dos times de Milão

Conheci o futebol italiano no início da década de 1990, o Calcio era transmitido em TV aberta e assistir os jogos no domingo pela manhã era tão tradicional quanto a macarronada junto com a família.
Em 1994 foi a primeira Copa do Mundo que acompanhei e lembro de inúmeras cenas que me marcaram, como os dribles do Romário, a comemoração do Bebeto, o goleiro Pagliuca beijando a trave, a cobrança de pênalti do Roberto Baggio, a comemoração do Galvão Bueno e Pelé… Mas de todas as cenas, uma foi a que mais me marcou: a recepção dos torcedores italianos enquanto os jogadores desciam do ônibus na Itália.
Mesmo com a derrota na final e o vice-campeonato na bagagem, milhares de torcedores foram apoiar a sua seleção, o futebol italiano continuava vivo e forte na época. O Calcio sempre foi uma liga muito forte. A Juventus, o Milan e  a Internazionale formavam a tríade italiana que sempre chegavam com respeito nas competições europeias.
Infelizmente má gestão e polêmicas com manipulação de resultados mancharam e enfraqueceram o Campeonato nacional. Quem já viu o Milan campeão europeu com Dida, Maldini, Nesta, Pirlo, Seedorf, Kaká e Inzaghi, torce com sofrimento para um time com De Sciglio, Poli, Kucka, Honda, Bacca, Niang.
O mesmo se aplica a Internazionale. Campeã europeia com Lucio, Thiago Motta, Diego Milito, Eto’o, Sneijder e no plantel atual conta com Murillo, Nagatomo, Perisic, Kondogbia, Palacio, Éder.
Por melhor que seja alguns destes jogadores, é incomparável a diferença de elencos. Os times atuais de Milão não fazem frente a Juventus que continua soberana no Calcio. E o Milan, como o atual 2º maior campeão da Liga dos Campeões, não disputa a competição desde a temporada 2013/14.
Nos últimos dias foi noticiado a venda do Milan por R$ 2,7 bilhões, enquanto a Internazionale vendeu 70% de seu patrimônio por R$ 1,1 bilhão, ambos para empresários chineses. Em proposta, as vendas esperam desenvolver o futebol italiano além de suas fronteiras, maior investimento nos clubes de Milão e novas ações de marketing.
Na última temporada vimos talvez o maior caso de sucesso para a venda de um clube de futebol, quando a equipe do Leicester, que tem um bilionário tailandês como dono e com jogadores até então pouco conhecidos como Kanté, Mahrez e Vardy desbancou equipes como Arsenal, Manchester United, Manchester City e Liverpool, e conquistou a tão disputada Premier League na temporada 2015/16.
Sempre ouvi muita discussão quanto ao tema da venda de clubes, uma possível “perda” de identidade e torcedores que brigam por manter suas tradições, mas o exemplo do Leicester chegou para derrubar algumas barreiras e virou tema para muito treinador fazer preleção para sua equipe. Para os torcedores de Milan e Internazionale, isso pode ser uma esperança de um novo recomeço, é muito dinheiro circulando e o torcedor quer um time mais forte que possa acabar com a hegemonia da Juventus na Itália e possa voltar a disputar a Liga dos Campeões.
A perda de identidade acontece quando um time que teve Maldini e Inzaghi, atualmente joga com Honda e Bacca, então que essas vendas possam trazer a força dos clubes de Milão para o bem do futebol.

 

 

Escrito por Maurício Valeriano

Marketing de profissão e apaixonado por futebol, sobretudo o europeu.

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