Entenda o que foi a “De Kobel” na seleção holandesa

Texto: Tarcisio Neri

Na semana passada, se completou 20 anos da mais conhecida briga dentro da seleção holandesa, estamos falando da briga ocorrida na Eurocopa na Inglaterra em 1996. Segundo fontes holandesas, o principal fato dessa briga histórica, foi o racismo. Acreditava-se que existia uma forte divisão entre jogadores negros e brancos.

Se houve mesmo o racismo, até hoje ninguém confirmou, mas a única coisa que ficou claro foi que algo aconteceu, e tentaremos explicar da melhor forma possível nessa matéria.

Pois bem, não se sabe uma data específica de quando começou todo esse problema que chegaria até a Euro de 96, mas partimos do pressuposto que tudo começou na segunda metade de 1995, quando o Ajax era o melhor time do mundo, tanto que terminou campeão da Champions League daquela temporada e ficaria invicto de março de 95 até janeiro de 96.

Jogadores como Michael Reiziger, Winston Bogarde, Edgar Davids, Clarence Seedorf e Patrick Kluivert faziam parte de um Ajax praticamente imbatível, mas todos esses jogadores que citamos acima eram negros e nascido em Suriname, e isso fazia com que fossem bastante apegados às suas raízes, tanto que quando Bogarde levanta a taça de campeão da Europa com o Ajax, ele fala: “é para você, Suriname”.

Naquele momento, o treinador da Oranje era Guus Hiddink, e o treinador apelou a base desse Ajax vencedor para montar a equipe holandesa que iria disputar a eliminatórias para a Eurocopa. Falamos que ele teve que apelar, porque a seleção não estava nada bem, e tinha tudo para ficar de fora da Euro, mas na repescagem em cima da Irlanda, a equipe garantiu a vaga para o torneio continental de seleções. A base do Ajax na seleção era evidente, tanto que dos 11 titulares, 9 eram jogadores de Louis Van Gaal no Ajax.

O jogo que elevou ainda mais a moral dos descendentes de surinameses, foi contra a Irlanda em campo neutro, aonde no jogo único a Holanda venceria os irlandeses por 2×0, e os dois gols sairiam dos pés de Patrick Kluivert.

Mas naquele dia, toda o racha no elenco holandês iria ficar exposto ao mundo, quando Kluivert, Davids e Seedorf foram dá uma entrevista à emissora de tevê holandesa, à NOS. Em sua autobiografia, Kluivert descreveu tudo que ocorreu naquele momento.

“No hotel em que estávamos, Frits Barend e Henk van Dorp [jornalistas holandeses] queriam uma entrevista com Clarence, Edgar e eu. Sentamos lado a lado, e durante a entrevista surgiu o termo “kabel”. Estávamos orgulhosos, sendo três rapazes surinameses, e enfatizamos nossa ótima relação”.

Esse termo “de kabel” é um termo holandês para “o cabo” ou “a linha”.

É nesse momento que tudo começa, e a suposta presença de racismo fica um pouco mais evidente. Kluivert lamentou sobre o rumo que a entrevista acabou tendo.

“Ela foi tirada do contexto, e foi entendida por muitos como um racha entre brancos e negros na seleção holandesa. Um racha absolutamente inexistente”.

A emissora NOS, realizou um documentário falando sobre a participação da Holanda na Euro de 96, e Winston Bogarde foi ainda mais enfático quando falou sobre a vitória da Holanda em cima da Irlanda na repescagem para a Euro.

“Você tem de escalar os melhores jogadores. E estava claro que os negros eram os melhores, naquele momento”.

Ronaldo de Boer também participou do documentário realizado pela emissora NOS, e falou sobre os negros na equipe.

“Eles [surinameses] sentiam-se importantes, subiam no pódio com a bandeira do Suriname… talvez fosse um modo inconsciente de dizer ‘somos irmãos, é hora de mostrarmos que o futebol holandês veio de lá’”.

Então meus amigos, chegou o dia da estreia na Eurocopa, e lá estavam os negros surinameses que teriam classificado a Holanda contra a Irlanda. Guus Hiddink teve baixas de Marc Overmars e Frank de Boer. O primeiro jogo foi contra a Escócia, em Birmingham. Guus optou por deixar Danny Blind no banco, colocando Davids como volante e Seedorf armando o time. Mas a estratégia não deu muito certo, a Holanda ficou apenas no empate em 0x0 contra os escoceses.

E logo no primeiro jogo, as brigas internas começaram a ficar mais expostas para todos. Após a partida, Hiddink criticou as atuações de Davids e Seedorf, aonde ele falou que ambos os jogadores eram imaturos.

“Eles precisam jogar menos com o coração e mais com a cabeça”.

E quem disse que Seedorf iria ficar calado? Muito pelo contrário, ele replicou publicamente a crítica feita pelo seu treinador.

“Eu questiono isso que ele falou, não sou um jogador burro”.

Por outro lado, Davids preferiu digerir a crítica e seguir seu caminho.

A briga ficou ainda mais séria quando no segunda jogo diante da Suíça, ainda em Birmingham, Hiddink colocou Davids no banco de reservas e Seedorf fez o papel de volante na equipe. Mas a tarde não foi das melhores, isso porque log aos 14 minutos de jogo, Clarence Seedorf levou o cartão amarelo, e Guus só esperou até os 26 minutos para tirar ele e colocar o zagueiro Johan de Kock. A Holanda saiu de campo com os três pontos, e Davids só entrou nos últimos dez minutos de jogo.

Mas o destaque da partida não ficou apenas na vitória da equipe holandês, mas sim o que aconteceu fora das quatro linhas durante o jogo. Assim que Seedorf saiu de campo substituído, ele sentou ao lado de Davids e os dois ficaram conversando, até hoje não se sabe o assunto da conversa, mas Hiddink não teve dúvidas, e relatou tudo em sua biográfica.

“Clarence saiu do campo, e obviamente estava irritado. Foi se sentar ao lado do amigo dele [Davids]. Fiquei ligado no jogo, mas olhava rápido atrás de mim e via aqueles dois. Gesticulando exageradamente. Sabendo que as câmeras estavam neles. Era desrespeitoso, era provocador. Aí pensei: ‘Podem esperar, vocês vão se ver comigo”.

Se no primeiro jogo, Davids ficou calado, ao final da segunda partida, ele soltou o verbo contra o treinador holandês.

“Ele deveria parar de lamber o saco dos jogadores brancos, para ver melhor o time”

Era claro que Davids estava se referindo a Hiddink, mas não custava nada confirmar que tudo que ele tinha dito foi em direção ao treinador, então foi o que Mark van den Heuvel fez, o jornalista holandês estava passando na hora que Edgard tinha falado isso, então no mesmo momento ele começou a gravar e perguntou a Davids.

“A quem você se refere?”

Davids: “Ao técnico”

Com a entrevista gravada, Mark entregou à NOS, que no dia seguinte divulgou a gravação e isso foi o que faltava para que Hiddink cortasse o atleta da delegação holandesa, mandando o volante mais cedo para casa e escancarando de vez a briga interna que estava acontecendo.

O que deixa o fato ainda mais interessante, era que tudo levava a crer que a divisão entre brancos e negros não fosse geral, nem mesmo os outros principais jogadores negros estavam envolvidos na briga. Se tivermos que apontar os envolvidos, podemos dizer que de um lado está Davids e Seedorf, e do outro Danny Blind e Ronald de Boer.

É como falamos logo no começo da matéria, ninguém até hoje comprovou que realmente existia algo dentro do elenco, mas existe uma versão que conta que Blind e Ronald estiveram na reunião da comissão técnica que definiu o corte de Davids da seleção.

Oranje

A imagem acima, é uma foto de Guus Dubbelman, foto essa que é criticada até hoje por muitos jogadores daquele elenco, isso porque a imagem representa a separação entre os atletas negros e brancos da seleção holandesa. Na hora do almoço, brancos e negros ficaram em mesas separadas. Em uma mesa, tínhamos Aron Winter, John Veldman, Gaston Taument, Kluivert e Bogarde. Essa mesma mesa contava com a presença de Richard Witschge, jogador branco. E o restante dos jogadores brancos, estavam espalhados nas mesas restantes.

Essa foto é fortemente criticada, porque representa uma divisão ainda maior do que muitos falavam, mas que na realidade não era nada disso. Kluivert em sua autobiografia falou sobre essa foto.

“Fiquei muito irritado. Se o dono da câmera prestasse atenção, teria notado que no dia anterior eu tomara o café da manhã me sentando com Van der Sar, Frank de Boer e Blind. E almoçara com Jordi Cruyff, Peter Hoekstra e Youri Mulder. Colocaram uma bomba no ambiente da Oranje, e não tinha nada a ver com a realidade”. Finalmente, o ex-atacante lembrou a entrevista de 1995 em que a história do “Kabel” começou: “Não eram nada mais do que três jovens de ascendência surinamesa, que tinham expressado seu orgulho”.

Não foi apenas Kluivert que se pronunciou sobre esse ocorrido, outros atletas daquele elenco também se pronunciaram.

Youri Mulder ao The Guardian:

“Kluivert era meu colega de quarto, e eu nunca senti isso dele [queixas de racismo]”

Van der Sar em sua autobiografia:

“Muito barulho foi feito sobre aquela foto. É verdade que eles sempre se sentavam juntos, mas nós fazíamos isso também, [Arthur] Numan, [Jaap] Stam, Ronald de Boer, Jordi Cruyff e eu. Era assim no Ajax, também. Mas, do nada, virou assunto. Não tinha uma separação tão grande. Tanto no Ajax quanto na seleção holandesa, a gente se dava bem. Todo mundo se juntava nos quartos, brancos e negros, para jogar. Definitivamente, não havia reclamações sobre racismo”

Tanto Mulder quanto Van der Sar falaram também sobre as diferenças culturais que havia na delegação holandesa.

Mulder: “Almoçávamos no jardim. Tínhamos um cozinheiro na delegação, e ele também fazia comidas típicas do Suriname. É claro que os jogadores negros gostavam”.

Van der Sar: “Eu imagino que os descendentes de surinameses reclamassem da histórica preferência por pratos holandeses na seleção. Quando você come arroz quatro vezes por semana, fica chato comer batata cozida toda noite, de uma hora para outra. Eles comentaram sobre isso. Beleza. Hiddink concordou: ‘Eu sei, a partir de hoje vocês também comerão seus pratos preferidos’”. Finalmente, Michael Reiziger sintetizou a vinculação que unia seus colegas de ascendência, time, seleção e geração: “Nós nos falamos com facilidade, porque pensamos do mesmo jeito, viemos da mesma cultura, fazemos as mesmas brincadeiras”.

Se o problema não foi realmente o racismo dentro da delegação da seleção holandesa, mas qual teria sido o outro problema mais forte que o racismo?

Acho que o racha no elenco tenha acontecido após a expulsão de Davids por Hiddink. Tanto que no dia seguinte a expulsão de Davids, o treinador ordenou que os 21 jogadores que ainda restavam na delegação se reunissem, e colocassem tudo para fora, tudo o que tivessem incomodando cada um, para que chegassem em um denominador comum e que os problemas fossem resolvidos, e caso não pudessem ser resolvidos, que ao menos não interferisse dentro das quatro linhas.

Em sua autobiografia, lançada em 2011, Van der Sar resumiu muito bem o que teria acontecido naquele momento.

“Eu estava chateado por Davids não estar mais lá [ambos são amigos], mas não tinha a impressão de que havia uma crise. Eu não sabia sobre o que estava ouvindo, até aquela reunião. Estávamos numa salinha, com umas mesas, e o técnico disse: ‘Podem começar’. Quando Hiddink saiu, explodiu uma tremenda discussão sobre os salários no Ajax. Reiziger começou, e Blind retrucou…”.

Em entrevista à revista “Profiel”, em 2006, Bogarde afirmou que existia sim uma diferença entre o valor salarial pago no Ajax entre negros e brancos. Segundo Maarten Oldenhof, diretor comercial do Ajax na época, havia três categorias de salários.

“Havia a categoria A, para os melhores jogadores; a B, para os medianos; e a C, para aqueles que vinham de fora, ou das categorias de base”.

Oldenhof levou até o fim que havia uma espécie de promoção entre essas categorias no elenco, quem estava na categoria B poderia ir para a A. Mas Bogarde, que nunca teve papas na língua, desmentiu essa história.

“Eu vim de fora, mas eu sabia o problema: os rapazes [negros] tinham um salário muito baixo. Todos eles: Michael [Reiziger], Edgar [Davids], Patrick [Kluivert], Finidi, Kanu…”

E em 1995, a revista “Voetbal International”, revelaria os salários de alguns atletas do elenco do Ajax. Blind recebia cerca de 510 mil florins (moeda holandesa), assim como os irmãos De Boer. Davids recebia 100 mil florins; Seedorf e Kluivert, 80 mil florins.

Era obvio que essa diferença salarial causaria irritação entre todos os envolvidos, principalmente para aqueles que era menos favorecidos. O problema ainda ficava maior, porque Blind e os irmãos de Boer, representavam todo o elenco do Ajax junto a diretoria, e isso fazia com que o elenco pensasse que o trio era mais ouvido do que os demais atletas do elenco, tanto que eles tinham os maiores salários.

Logo após a Eurocopa de 96, os problemas foram se amenizando, até porque Reiziger e Davids foram para o Milan, e Seedorf deixou o Ajax após a conquista da Champions League.

Mas quem disse que os problemas iriam parar por aí? Pelo contrário, continuou, isso porque na temporada 1996/97, a Croky (fabricante belga de batatas fritas estilo “chips”) queria que o rosto dos jogadores do Ajax estampasse figurinhas, a serem distribuídas nos pacotes. O problema era que quem intermediou a negociação por todo o elenco, sem se quer fazer ao menos uma reunião, foram Ronald de Boer e Danny Blind, que aceitaram o acordo e receberam 500 mil florins. Com contrato nas mãos, a Croky ganhou o direito de imagem de todo o elenco.

E com apenas Blind e Ronald tomando a frente da situação, sem nem se quer ter comunicado ao restando do elenco, trazendo apenas o contrato para ser assinado, três jogadores se recusaram a assinar o acordo, foram eles: Kluivert, Bogarde e Veldman.

“Não era pelo dinheiro. Era puramente pela maneira como o assunto foi conduzido. Eles se deram o direito de fazer o negócio em nome do grupo. Eles determinavam quanto cada um iria receber. E a gente que ficasse satisfeito” disse Bogarde.

Com tantos problemas, chegou a hora de cada um tomar seu rumo, e foi o que aconteceu ao final da temporada 1996/97, quando o Ajax terminou a Eredivisie em quarto colocado, e Bogarde e Kluivert foram para o Barcelona junto com Louis Van Gaal.

Bem, dando continuidade na Eurocopa, a Holanda conseguiu passar da primeira fase, mas foi nos critérios de desempate, porque no último jogo contra os donos da casa, a Oranje perdeu por 4×1 e passou de fase graças a dois gols que tinha a mais que a Escócia. Na fase seguinte, enfrentou a França, o elenco estava digerindo aos poucos toda aquela confusão, mas contra os franceses a equipe holandesa jogou bem, mas ficou no 0x0 e viu a eliminação acontecer nos pênaltis, quando Seedorf desperdiçou sua cobrança, e mandando para longe também as chances de Bogarde ser campeão daquela Euro.

“Eu sabia do problema, eu apoiava os outros jovens negros, mas eu tinha uma meta: vencer a Euro” palavras de Bogarde em 2008 sobre a situação da Holanda e como ele fez para tentar motivar o grupo.

A participação naquela Euro chegou ao seu fim, mas todos esses problemas internos não iriam ter vida longa dentro da seleção, isso por dois motivos, o primeiro podemos deixar que Simon Kuper, jornalista que escreveu uma matéria para revista inglesa “When Saturday Comes”, em agosto de 1996, responda.

“Os jogadores brancos não estão muito interessados. Blind e De Boer alegam ter aconselhado Hiddink a escalar Davids contra a Suíça. Aos 35 anos, Blind não deverá ter muito mais tempo na seleção. E todos os outros brancos dizem que não é da conta deles. Dennis Bergkamp e Edwin van der Sar são daquela raríssima linhagem de jogadores holandeses que detestam discussões (…) E os irmãos De Boer têm carisma de menos para se envolverem em debates”.

O segundo motivo, veio ainda em 1996, quando Guus Hiddink escreveu uma cartilha, batizada como “Manifesto de Noordwijk”, aonde essa cartilha tinha dez normas de comportamentos para todos os jogadores em relação à torcida e imprensa.

Vale lembrar que Hiddink, deixou Davids fora de convocações por mais de um ano, e isso foi uma forma de punir o atleta. Segundo Guus, ele não poderia garantir Edgard como titular da equipe.

Até que tudo isso que Hiddink fez deu certo, tanto que dali em diante, aquela seleção não levava mais mágoas para dentro de campo, tanto que em 1998, o treinador teve que ceder e convocar Davids para defender a seleção, e não poderia ser diferente, o volante viveria uma das suas melhores fases como jogador de futebol, e não poderia ficar de fora da seleção holandesa.

 “Edgar chegou, nos saudou amistosamente, leu a cartilha e disse: ‘Tudo bem, na Juventus também fazem isso” disse Guus sobre como Davids se comportou na hora que reencontrou o treinador.

Na Copa do Mundo de 98, o clima interno era o melhor possível, durante toda a competição, a equipe holandesa se mostrou completamente focada e concentrada para fazer o melhor possível.

Seedorf comentou sobre a mudança desde a Eurocopa de 96 até aquela Copa após a vitória na Copa sobre a Iugoslávia.

“Desde então, os jogadores cresceram. Às vezes, o técnico faz escolhas que parecem prejudiciais a alguns, mas eles logo se recuperam de novo. Isso dá uma sensação positiva. Não é só o fato de Davids estar de novo incluído no grupo. O fato de termos vencido um jogo por nos esforçarmos muito, após um longo tempo, diz muito sobre a harmonia nesta seleção”

E como a imprensa holandesa só queria um pequeno gesto para transformar tudo em uma nova crise, foi o que aconteceu, quando após o apito final, os jogadores holandeses foram comemorar a vitória. Por trás, Bogarde e Cocu foram abraçar Van der Sar, que se incomodou e socou o zagueiro. Pronto, bastou isso, para a imprensa divulgar que existia novamente problemas de raça dentro do elenco.

Somente em 2011, Van der Sar explicou realmente o que teria acontecido.

“Na comemoração, veio um braço direto na minha goela. Eu não conseguia respirar, e soquei o braço. Parecia o braço de Bogarde, e eu realmente fui para cima dele. Mas era o braço de Van Hooijdonk, depois notei. Aí,  na zona mista, os jornalistas começaram a falar sobre isso. Virou assunto. Quando um repórter começou com a história de problemas étnicos, eu fiquei furioso: ‘Que problemas de raça? Não tem nada disso atualmente!’”.

Nos dias seguintes, o goleiro reconheceu que não deveria ter feito aquilo para à imprensa.

“Não deveria ter reagido daquele jeito. Falei com Winston [Bogarde] ainda no vestiário”

“No dia seguinte ao jogo, eu cheguei rápido a Bogarde antes do treino: ‘Winston, há algum problema, há algo que queira falar?’. Ele: ‘Não tem nada. No que me diz respeito, está tudo bem, podemos seguir normalmente’. E eu: ‘Boa, então tudo certo’”

Acho que podemos entender que todo aquele problema que aconteceu, ficou no passado, tanto que na festa de encerramento da carreira de Van der Sar em 2011, todos os envolvidos na “de kabel” se reencontraram e mostraram uma relação cordial, com muita alegria e sorriso no rosto. É importante lembrarmos que Seedorf não conseguiu comparecer devido à está em pré-temporada com o Milan.

Podemos concluir que na Euro de 96, houve uma racha no elenco, mas que o principal motivo não foi a divisão entre negros e brancos, vale lembrar o que Simon Kuper disse.

“Nenhum dos negros quis sugerir que Hiddink, De Boer ou Blind foi deliberadamente racista. Eles só pensam que o técnico foi insensível. Acham que ele os vê como negros talentosos, de uma cultura semelhante à do rap, não como líderes. Claramente Hiddink subestimou o pedido deles por respeito”.

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