Geração Belga: Muita espuma pra pouco champanhe?

Para falar da “Geração Belga” atual eu não preciso voltar na história para falar de times belgas anteriores. Esse é, de longe, o melhor. Não há nenhuma comparação. O quarto lugar na copa do mundo de 1986 continua sendo a melhor posição que a Bélgica já alcançou em alguma competição a nível mundial ou continental, mas a seleção que jogou aquela competição não era melhor que essa. Porém, funcionava. E muito bem.

Dos 23 convocados por Marc Wilmots para a Eurocopa 2016, o autor que vos escreve destaca que uma seleção com pelo menos nove bons jogadores não pode ser considerada ruim ou mediana. Ainda mais nos tempos atuais. E para um país insignificante no mundo do futebol e que nunca conseguiu reunir tantos craques num só time, podemos dizer que existe sim uma “Geração Belga”, mesmo essa sendo tema de tantas piadas a cada fracasso e que acabou virando o símbolo do “futebol moderno”: cheia de craques de videogame que não conseguem fazer nada na vida real. Cruel, mas até agora não deixa de ser uma verdade.

Não preciso comparar as duas convocações para as duas competições porque os reservas mudaram de acordo com a fase em seus clubes, mas o time titular da Bélgica é muito bom. Wilmots costuma escalar o time com: Courtois, Kompany, Alderweireld (escrevi sem olhar no Google, torcedor do Tottenham sabe), Vermaelen e Vertonghen; Witsel, Fellaini, Nainggolan, De Bruyne, Hazard; Lukaku. E ainda temos bons nomes no banco de reserva, sendo alguns jogadores em bons times da Europa e promessas como Origi, do Liverpool. Mas aí vem a pergunta-chave: por que um time tão bom não funciona?

“Ah, mas a posição é muito boa no ranking da FIFA! ” Tô nem aí!

“Mas fez ótima campanha na Eurocopa” Eliminada para fraca seleção galesa.

“Muita espuma pra pouca champanhe? ” Com certeza!

O principal problema dessa boa geração é o técnico. Esse é ex-jogador consagrado, costuma fazer péssimas convocações, substituições piores ainda, arma o time de maneira errada e cisma com jogadores cabeludos (alguma coincidência com o que estávamos passando aqui com nossa seleção?) Marc Wilmots na última convocação chamou OITO atacantes, insiste em utilizar Jan Vertonghen como lateral esquerdo, pouco utiliza jogadores como Mousa Dembelé e Origi e também não dá a liberdade necessária para Kevin de Bruyne brilhar como fez na temporada passada pelo Manchester City, insistindo numa escalação ‘4-3-3’ inútil e o pior erro de todos: INSISTE QUE FELLAINI É JOGADOR DE FUTEBOL.

A falta de tradição pode ser um ponto, mas como iremos explicar as campanhas recentes sensacionais da Costa Rica, Islândia e País de Gales? Essas três seleções muito mais fracas fizeram frentes à grandes forças mundiais e não passaram vergonha nas competições que jogaram. E a vergonha não vem das colocações que a Bélgica atingiu, mas sim do pouco futebol apresentado para tamanha qualidade no elenco. Novamente comparo eles a seleção brasileira: grande parte da vergonha que temos passado é exatamente porque temos uma seleção boa que não se acerta de jeito nenhum. Pois bem, aqui no Brasil, nós trocamos uma parte grande do problema. Dunga está fora! O Wilmots continua lá. Será que a “geração belga” vai ser lembrada pelos títulos na vida real ou no videogame? Só o tempo vai dizer.

Lucas Farias

Carioca, 25 anos, nem um pouco jornalista, mas apaixonado por esportes, principalmente futebol. Flamengo, Tottenham, Miami Heat e New Orleans Saints.

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