Novo regulamento de inscrições: o esquive da Federação Italiana

Em partida realizada no dia 23 de abril de 2016, Inter e Udinese se enfrentaram pela Serie A TIM, duelo vencido pela equipe de Milão por 3 a 1. Mas o que ganhou destaque nessa partida foi o 11 inicial de cada equipe: nenhum jogador possuía nacionalidade italiana e apenas 8 jogadores eram italianos dos 23 reservas da partida. Talvez esse caso tenha sido o “estopim” para uma proposta que a Federação Italiana acenou aos clubes no ano passado fosse concretizada: incluir pelo menos 8 jogadores com idades entre 16 e 21 anos ao time principal de cada equipe, 4 deles vindo da base. Embora não especificada suas nacionalidades, a grande parte desses atletas é nascida na Itália.

Do time convocado para a Eurocopa, talvez a Itália hoje não tenha um jogador que desequilibre uma partida, apesar da sólida defesa, como tinha Totti, Del Piero e Pirlo no Tetra de 2006. A atual seleção, inclusive, recorre a jogadores naturalizados, como os brasileiros Éder e Thiago Motta. Não que isso seja contestável, muito pelo contrário, há ligação do atleta com o país em que passou uma parte de sua jornada, mas demonstra um pouco da produção de jogadores italianos – outro fator considerável é a média de idade da equipe, com 28,5. É bem claro, então, que uma das intenções nessa medida da Federação é a melhoria da Squadra Azzurra.

Itália 2006
Italia campeã na Copa de 2006

Mas o que essa nova regra pode impactar no futebol italiano? Se os clubes buscam jogadores estrangeiros, um dos motivos é de que a qualidade de casa não esteja atendendo a demanda. A Itália perdeu recentemente uma das vagas pela Serie A para a Champions League por suas equipes não conseguirem fazer frente às outras no futebol europeu.

Em 2012, as competições italianas de futebol passaram a permitir até 12 jogadores no banco de reserva, aumentando as possibilidades de mexer na equipe para um técnico, assim como dando mais visibilidade e oportunidade aos jogadores menos utilizados. Na temporada 15/16 bons jogadores foram revelados, como Donnarumma, Diawara, Masina, Pellegrini e, o convocado para a Euro, Bernardeschi. Com o novo regulamento de inscrições, mais jogadores poderão seguir o exemplo. Mas é preciso fazer algumas ressalvas: o número de empréstimos a clubes menores pode cair, assim como a qualidade do campeonato – apesar de que dos 8 jogadores mínimos, 4 precisarem de uma certa rodagem de 3 anos, os clubes da Série A podem ficar com elencos inchados de jogadores jovens insatisfeitos por não terem oportunidade; outro ponto, é que a medida talvez não atinja a causa do problema de revelações italianas: as categorias de base. A Federação acaba jogando o problema para os clubes, se esquivando.

Igor Paulinelly

20 anos, estudante de engenharia e natural de Currais Novos/RN. São-paulino e amante do futebol desde Brasil vs Costa Rica às 3 da manhã em 2002. Social: @igorpaulinelly

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