Para celebrar grandes realizações: a trajetória de Portugal no título europeu

Classificação como apenas 3º de seu grupo.  Apenas uma vitória no tempo regulamentar. Três prorrogações. O craque da equipe que sai machucado no início da final. A cada fase da Eurocopa a trajetória de Portugal ficava ainda mais difícil de se acreditar, que acabara alimentando um desfecho que parecia ser pouco provável: o título de Campeão Europeu, a primeira conquista valente e imortal lusitana.

Pela fase de grupos, a seleção portuguesa, que era a favorita do Grupo E, após empate contra Islândia por 1 a 1 e Áustria por 0 a 0, chegou a ficar de fora da próxima fase enquanto permanecia atrás do placar por 3 vezes no jogo de 3 a 3 contra o Hungria. Era aflitivo o futebol português na competição e sem muitas expectativas.

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Cristiano e Gunnarsson, da Islândia, no primeiro duelo

Nas oitavas, a equipe treinada por Fernando Santos enfrentaria a Croácia, que dispensava comentários: líder do Grupo D, a frente da Espanha, e com um dos melhores meio-campo da Euro. Nos 90 minutos, 0 a 0. Aos 117’, Quaresma, que veio do banco, fez o gol da vitória em rebote. Pressão total croata, 60% da posse e 18 chutes a gol, contra três de Portugal. Chorado. Respiravam os gajos, excelente vitória.

Mas Fernando Santos ainda não conseguia acertar seu time inicial.  Até as quartas de final, o treinador rodou muito o elenco português a procura do time ideal. Vieirinha perdeu vaga para Cédric; Ricardo Carvalho fez péssimas atuações na fase de grupos e deu lugar a José Fonte no mata-mata; Adrien Silva e Renato Sanches, eleito melhor jogador jovem da competição, que sempre entrava muito bem na equipe nos jogos que participou, ganharam as vagas de João Moutinho e André Gomes no meio-campo.

Pelas quartas, o confronto era contra a Polônia. Partida bastante equilibrada, Lewandowski fez aos 2 minutos de jogo e Renato Sanches empatava aos 33’. Nos pênaltis, Rui Patrício pegou o de Kuba e Quaresma converteu para selar a classificação portuguesa às semi-finais. Os portugueses apresentavam melhorias com as alterações, mas faltava poder de conclusão. Cristiano Ronaldo até então marcava apenas dois gols, no empate contra a Hungria.

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Quaresma e Cristiano comemorando a classificação

País de Gales era o próximo adversário, uma outra surpresa na Eurocopa. Liderados por Bale, os galeses venceram a Bélgica de virada por 3 a 1 nas quartas. Mais uma partida equilibrada estatisticamente, mas a seleção portuguesa era melhor. O meio-campo trabalhava mais a qualidade do passe e a equipe errava menos em relação aos outros jogos. Era a primeira boa partida na Euro. Na volta do intervalo, fez dois gols rápidos aos 50’ e aos 53’ com Cristiano Ronaldo e Nani. A seleção galesa sentiu mais a falta de seu camisa 10, Ramsey, que Portugal com a ausência de Pepe, o melhor jogador português da competição, machucado. No dia seguinte, no outro lado da chave, a França, a anfitriã, batia a Alemanha por 2 a 0, com dois gols de Griezmann, artilheiro com 6 gols e eleito melhor jogador da competição.

Para a final, sem desfalques. A França era até então a melhor equipe da competição, jogava bem e era objetiva dentro de casa. Os franceses eram os favoritos. E ficaram ainda mais após a lesão de Cristiano aos 8 minutos. O craque português chorou, não podia mais contribuir com seu sonho de ser campeão com sua seleção. Ainda tentou voltar a campo depois de um tempo se tratando, mas só aguentou o primeiro pique. Caiu no chão, chorou mais uma vez e foi substituído por Quaresma aos 25’. Após a saída, o jogo caiu de produção no primeiro tempo. O estádio todo se abalava com a saída do português. Na segunda etapa, Portugal se agigantou diante a França, que ainda tinha as melhores chances da partida. Pepe consagrava sua boa Euro lá atrás. Rui Patrício pegava todas e contou com a sorte no chute de Gignac na trave no final da segunda etapa. Mais uma prorrogação, onde Portugal vinha se dando bem. Cheiro de título lusitano, que veio após Éder, que veio do banco e que mau participara da competição, receber de Moutinho, puxar para o meio e bater de fora da área no canto direito de Lloris.

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Éder indo a seus companheiros

Portugal precisava mesmo de um grande título para mostrar força às outras seleções, relembrar quem já muito ajudou os lusos, como Eusébio, do terceiro lugar em 66 na primeira participação portuguesa em copas do mundo e que esteve presente na comissão técnica até 2014, ano de sua morte, consagrar as boas campanhas do século XXI (4º lugar na copa de 2006, semifinalista nas euros de 2000 e 2012 e a amarga derrota em casa para a Grécia na final da euro de 2004) e realizar o sonho de seu maior jogador, Cristiano Ronaldo, que teve um grande amadurecimento – começou a Eurocopa debochando da Islândia após o empate entre as seleções –, demonstrou liderança também fora de campo ao virar “auxiliar técnico” depois de sair lesionado e mostrou uma verdadeira paixão em vestir a camisa de seu país.

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Homenagem dos campeões a Eusébio, “pai de Portugal”

Finalmente o grito de campeão em uma grande competição foi liberado por todos os portugueses, depois de muitos anos de futebol. Um título para celebrar Eusébio, Figo, Rui Costa, Mário Coluna, Vitor Baía, Pepe, Pauleta, Cristiano e tantos outros portugueses que vestiram o vermelho de paixão e o verde da esperança portuguesa.

Igor Paulinelly

20 anos, estudante de engenharia e natural de Currais Novos/RN. São-paulino e amante do futebol desde Brasil vs Costa Rica às 3 da manhã em 2002. Social: @igorpaulinelly

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