Vice-campeonato e alerta ligado

Não foi dessa vez que o Brasil encerrou o jejum de títulos na Liga Mundial de Vôlei, que dura desde 2010. Maior vencedor da competição, com nove títulos, a seleção comandada por Bernardinho foi dominada em todo o jogo pela ótima seleção da Sérvia e com um sonoro 3 sets a 0, em Cracóvia na Polônia, viu o título ficar com o adversário que conquistou a competição pela primeira vez na história. Por mais que o Brasil esteja de olho nos Jogos Olímpicos e a Sérvia tinha na Liga Mundial sua principal competição no ano, já que não virá ao Rio de Janeiro, o vice-campeonato serve de alerta para Bernardinho e seus atletas.

O Brasil perdeu somente dois jogos durante toda a competição, coincidentemente, as duas para a Sérvia. Bernardinho rodou bem o elenco para decidir com precisão os últimos cortes antes dos Jogos. Lucarelli, Wallace, Maurício Souza além dos já veteranos de seleção Bruninho, Lucão e Serginho foram os grandes destaques da equipe brasileira na competição. Ainda espera-se a condição de Murilo, grande craque brasileiro, para saber se estará a disposição no Rio de Janeiro.

A competição nos Jogos Olímpicos será muito exigente, como foi essa fase final da Liga Mundial. Em Cracóvia, o Brasil passeou sobre a Itália, que há tempos vem se tornando um grande freguês da seleção brasileira, operou um “milagre” sobre os EUA, ao virar um jogo perdendo por 2 sets a 0 para 3×2, venceu com muito brio a França, que teve o comando do jogo nos três sets finais, mas, no momento decisivo, o Brasil conseguiu mostrar a maturidade e foi dominado hoje pela Sérvia. O jogo contra a França, principalmente, mostrou onde o Brasil tem que trabalhar. Com muitas dificuldades na marcação do ponta Rouzier e de encaixar um bom ritmo no saque, o bloqueio sofreu e tivemos poucas oportunidades de contra-ataque com passe na mão dos levantadores Bruninho e William. Somente Lucarelli e Wallace (apesar do central Éder ter comandado uma sequencia de 10 pontos consecutivos) tiveram bons momentos no saque. Muito pouco para quem quer reconquistar o lugar mais alto do pódio olímpico, que não vem desde Atenas em 2004.

A seleção brasileira ainda é uma das principais favoritas para o título olímpico. Polônia, EUA e a ótima, jovem e talentosa seleção francesa estão entre os principais rivais nessa caminhada. Mas precisa melhorar alguns pontos do jogo. Não pode ficar tão previsível ofensivamente no ataque, distribuindo 90% dos ataques para Lucarelli e Wallace. E o saque precisa funcionar para quebrar o passe adversário e “facilitar” o trabalho do bloqueio. O ouro olímpico em casa é uma grande possibilidade, mas o sinal de alerta foi ligado pela Sérvia.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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