Basquete Olímpico – Bye Bye Medalha, mas com orgulho

Fiquei nervoso como nunca havia ficado com a seleção masculina de basquete. No jogo contra Espanha, na terça-feira, estava sem poder assistir o jogo mas acompanhando as atualizações no Twitter e no Google lance-a-lance. Quando terminou, fui à área de café da minha empresa vibrar sozinho com a vitória. Na quinta, voltando para casa depois de um triste momento na minha vida, vi os últimos minutos da derrota contra a Croácia. Por muito pouco não vencemos. E ontem, contra a Argentina, pude acompanhar o jogo inteiro. Vibrei a cada cesta, comemorei cada rebote, xinguei em cada erro. Duas prorrogações e a derrota por 4 pontos para os hermanos. Broxei. Com todos que eu falava e nos meus textos aqui no HTE Sports falei que acreditava numa medalha com essa seleção. Não foi dessa vez e não me arrependo. Sim, ainda há chances matemáticas de classificação às quartas-de-final, mas todas as combinações, que são complicadas de ocorrer, colocariam o Brasil na quarta posição do grupo, o que daria um confronto com os EUA na próxima fase e aí chance de um triunfo é praticamente nula.

A derrota de ontem foi doída. As três derrotas nos Jogos Olímpicos foram por diferenças pequenas no placar, mostrando que foi nos detalhes que acabamos por perder cada partida. Mas, apesar de tudo isso, estou satisfeito com o que vi da seleção brasileira. Diferente de outros tempos (principalmente nos primeiros anos pós aposentadoria de Oscar Schimidt) o Brasil jogou de igual para igual contra as grandes potências do mundo no esporte. Ganhar de Lituânia, Argentina, Croácia e Espanha é uma tarefa extremamente complicada, principalmente para um país que ainda não aprendeu a fazer um trabalho de base em um esporte que é bem popular (Em diversos parques abertos do país, há uma quadra com uma tabela de basquete para praticar). A geração Nenê, Huertas, Leandrinho, Alex, Giovanonni, Varejão e Splitter (os dois últimos não vieram aos Jogos por lesão) encerra sua última grande competição sem um resultado expressivo, mas com o respeito por terem colocado o Brasil de volta ao mapa do basquete.

Poderia eu ficar citando erros individuais, coletivos e do técnico Ruben Mangano durante esses Jogos. Mas não vale a pena. Apesar das derrotas, deu gosto de ver a seleção. O trabalho agora precisa continuar. Temos que aproveitar a parceria da NBB com a NBA e fazer uma liga que traga o público para as quadras do território nacional. Aproveitar a liga sub-23 e trabalhar os novos talentos. Ter continuidade garantida dos programas de basquete em algumas cidades que vivem do incentivo de prefeituras, para que possam ser assinados contratos com jogadores por mais de uma temporada. Fazer intercâmbios das equipes na Europa, jogando mais vezes contra as escolas russas, italianas, espanholas, lituanas de basquete. Sair da rede de televisão que não fala dos patrocinadores que dão nome as equipes, ginásios e tem uma transmissão mínima das competições. É hora de tratar o esporte com seriedade e profissionalismo. É hora de uma reforma estatutária descente na CBB.

Em quadra, está nas mãos agora de Raulzinho, Felício, Augusto Lima e Bruno Cabbloco a liderança da nova geração do basquete masculino. Se optarem pela saída de Magnano, o que acho um erro, que continuemos com um técnico de ponta do basquete mundial. Obrigado seleção pelo nervosismo, xingamentos e vibração que vocês me proporcionaram. Foi uma luta dura, mas bem jogada. Podemos ter perdido, mas não saímos derrotados. O basquete brasileiro, apesar dos pesares, ainda vive.

Imagens/Créditos: Site do Rio2016

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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