Basquete Olímpico – Vitória épica no masculino. Feminino praticamente eliminado

A seleção brasileira masculina de basquete entrou em quadra pressionada hoje. Após a derrota para a Lituânia na estreia, o adversário seria nada menos que a Espanha, atual campeã europeia e uma das principais candidatas a estar na final contra os EUA para a disputa do ouro. Uma nova derrota colocaria o Brasil em maus lençóis dentro do grupo, obrigando praticamente a ter quatro vitórias para manter qualquer esperança de medalha. Mas os comandados de Ruben Magano mostraram que o fraco desempenho do primeiro tempo na estreia ficou para trás e jogaram muito contra um adversário fortíssimo e uma arbitragem contestável, para dizer o mínimo.

O Brasil começou impondo seu ritmo desde o princípio do jogo. Huertas dominou Ricky Rubio, que saiu eliminado por faltas e Nenê, Augusto Lima e Felício fizeram uma ótima rotação no garrafão. Os lances livres, item cobrado aqui nos amistosos e após o jogo de estreia, tiveram uma boa melhora, com 76% de aproveitamento. Erros apenas de Nenê (4/8, natural, de certa forma) e um de Benite. A defesa foi agressiva o jogo todo e a torcida não deixou por menos, pressionando e provocando o principal jogador espanhol, o pivô Pau Gasol. No intervalo, o placar anotava 34 x 31 para o Brasil. Ao final do 3º quarto, oito pontos de vantagem para os brasileiro, 53×45, mostrando o domínio dos donos da casa. No último quarto de jogo a Espanha encostou e chegou a virar o placar faltando dois minutos para o fim do jogo. Mas, com 5 segundos para encerrar a partida, Marquinhos deu um tapinha providencial, colocando o Brasil um ponto a frente determinando o placar final de 66×65.

O Brasil encara agora a Croácia, que também venceu a Espanha na estreia em outro jogo decidido na última bola. Mas, jogando nesse nível, temos condições totais de buscar mais uma vitória e ficar cabeça a cabeça com a Lituânia na chave, tendo um quarto jogo contra a Argentina que vai fazer fever o ginásio no Rio de Janeiro. Cada momento que passa, a seleção de Magnano vêm mostrando aquilo que eu, particularmente, esperava. Maior jogo coletivo, muita inteligência na distribuição de jogo e uma defesa agressiva, forçando contra-ataques e erros dos adversários, sendo competitiva com as principais forças do basquete. A esperança de medalha ainda persiste e tenho convicção de que vamos chegar lá.

Já no feminino, não podemos dizer o mesmo. Hoje as meninas perderam para a Bielorrússia por 65×63, depois de virar o intervalo com 40 x 35 de frente. O jogo no garrafão até funcionou muito bem, com 23 pontos de Damiris e 17 de Clarissa, mas Iziane ficou abaixo do que pode render, com apenas 6 pontos e um aproveitamento ruim nos arremessos de quadra, acertando somente dois das seis tentativas. Com isso, o Brasil soma agora 3 derrotas sem nenhuma vitória na chave (perdemos ontem para o Japão também, além da derrota na estreia para a Austrália) e fica em situação bem complicada na chave. Somente duas vitórias nos últimos dois jogos podem dar a classificação para a seleção e, de brinde, ficaríamos em quarto lugar e enfrentaríamos as praticamente imbatíveis americanas (A seleção feminina dos EUA não perde um jogo em Jogos Olímpicos desde 1996). Apesar disso, não consigo considerar decepcionante o desempenho da seleção feminina. Pelo contrário, todas que estão lá já são heroínas pelo modo que o esporte vem sido conduzido no Brasil há tempos. Na última edição do campeonato nacional, a LBF, tivemos a incrível participação de 6 equipes na competição. Patético para um esporte que foi campeão mundial e medalha de prata e bronze olímpico nos últimos 20 anos. Sem um trabalho decente da CBB na condução do esporte, não dá para cobrar nada das meninas do Brasil, apenas admirar que, com todos os problemas, fizeram jogos duríssimos para Austrália e Bielorrússia, duas seleções bem tradicionais no basquete feminino.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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