De Bate-Pronto: Sem complexo de vira-lata, o jeito brasileiro é assim

A grama do vizinho é sempre mais verde. O brasileiro, em geral, sofre muito com essa máxima. Sempre presente no nosso cotidiano, tendemos a achar que o de fora é melhor. Um dos mais polêmicos assuntos dessa Olimpíada é a forma vibrante do brasileiro torcer, que a mídia internacional e os gringos aqui presentes têm criticado, e alguns brasileiros estão entrando na onda.

Refletindo, tomando como base o futebol, muitos criticam veementemente a torcida do “futebol moderno”, que mesmo aqui no Brasil, ainda fazendo os estádios pulsarem, é criticada pela falta de sinalizadores, baterias e bandeiras que, sim, embelezam o espetáculo. Criticam da mesma forma a torcida européia, que é bem mais fria, assiste ao jogo sentado e, em algumas culturas, comemora o gol com aplausos, e não com as nossas gritarias habituais de gol, acompanhadas de alguns palavrões, geralmente. Na mesma proporção da crítica, do lado oposto (da admiração), muitos exaltam a forma argentina de torcer.

Pois bem, muitos desses mesmos que criticam e exaltam os exemplos acima, criticam o brasileiro nessa Olimpíada. Nós somos assim. Os gringos estão na nossa casa. Eles que se acostumem! Óbvio que alguns esportes requerem certo silêncio, mas a torcida está sabendo dosar, comemorando, gritando e apoiando em momentos em que se pode fazer isso.

Gringos, nós levantamos da cadeira mesmo. Levantamos os braços mesmo. Mexemos eles mesmo. Gritamos à plenos pulmões mesmo. E, particularmente, me orgulho desse jeito brasileiro de torcer, de abraçar todos (e exatamente todos, sem exceção) os esportes olímpicos, tendo eles tradição no país ou não. O lado que deveria aprender alguma coisa nessa história não são os brasileiros, são os gringos. Aprender a como fazer uma festa esportiva, a torcer, vibrar. Quem sabe, assim, os jogos da Champions League e outros campeonatos europeus que geralmente têm um apoio frio, não ganhe traços brasileiros e sul americanos e fique ainda mais interessante.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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