De Bate-Pronto: Talvez sejamos todos babacas mesmo, Neymar

As opiniões expressas aqui não são do HTE Sports, mas sim do responsável por essa coluna.

Copa América Centenário, Brasil eliminado (em mais uma competição) para o Peru. Críticas vieram de todos os lados, seja da imprensa ou da torcida. Críticas merecidas, para uma seleção que não jogou bola. O bode expiatório foi Dunga (que teve a maior parcela de culpa, é verdade). Mas, um jogador que nem à campo foi, por respeitar uma ordem do seu clube, tomou as dores e postou no seu Instagram que quem estava criticando a seleção era “babaca”, nas palavras dele.

Pois bem, talvez a maior parte ou todos os torcedores brasileiros sejam babacas mesmo. Neymar tinha razão. Uma torcida que apoia a seleção que não joga nada, que apoia (em sua maioria) um capitão da seleção brasileira em busca do ouro inédito, acredita num jogador e coloca todas suas esperanças em alguém que acha que quem o critica ou critica a seleção é bacaca, é realmente digna desse adjetivo.

Numa coletiva na Granja Comary, perguntado, Neymar disse que a vida pessoal é problema dele, que não tem nada a ver a imprensa falar disso. Ele está certo. Não tem problema ele continuar fazendo festa enquanto o Brasil perde, não tem problema ele tirar selfie com o Justin Bieber no estádio em que o Brasil joga. Não tem problema, não mesmo. O que nos importa, além do futebol apresentado – que é obrigação dele jogar bem – é que ele tenha um pouco mais de humildade. Não é porque joga no Barcelona, que já ganhou uma Libertadores, Champions e Mundial, que você, Neymar, é melhor que alguém. É clichê, até o Galvão Bueno falou, mas a Marta que tem 5 Bolas de Ouro é muito mais carismática e respeita muito mais o torcedor.

É obrigação dele jogar bem por conta de que ele é o capitão dessa seleção, e é considerado por muitos o principal jogador dessa geração (o que esse que vos escreve discorda). Falta futebol dentro de campo. Falta humildade dentro e fora das quatro linhas. Um ídolo não é só feito pelo o que ele joga (e Neymar não vem jogando). Fazer algo e pedir desculpa depois não tira a responsabilidade do que foi dito. E não foi só no episódio citado (de chamar o torcedor e a imprensa de babaca) que teve que se desculpar.

Não temos um capitão. Não temos um ídolo. Não temos um líder. Neymar é só mais um, e age como tal. Na Olimpíada já é tarde, mas tomara que na seleção principal, Tite aja de forma diferente do que todos os técnicos da nossa seleção já agiram com ele. O nosso futebol depende e precisa disso.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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