Diego Hypólito – Uma das medalhas mais merecidas dessa edição das Olimpíadas

Londres, 2012. Campeão mundial do solo, Diego Hypólito vai para sua apresentação na final dos Jogos Olímpicos. Todos esperam uma bela apresentação dados seus recentes desempenhos em etapas da Copa do Mundo de Ginástica e também pela redenção da queda na mesma prova quatro anos antes, em Pequim. Diego inicia a série e logo no começo, nova queda. O “oooooohhhhh” é entoado em uníssono na arena e nas casas dos brasileiros que acompanhavam a prova. Mais uma vez Diego chegava favorito para os Jogos e num erro ficava fora da disputa pela tão sonhada medalha olímpica. Após os resultados, a entrevista foi ainda mais comovente, quando disse que ele não era merecedor de uma medalha.

IMG_20160814_173448Nesse domingo um filme deve ter passado pela sua cabeça antes de sua apresentação. Chegou no Rio de Janeiro não mais na condição de favorito. Na verdade, teve que provar muito para os gestores da seleção brasileira que tinha condições de disputar as Olimpíadas em bom nível. Medalha era uma esperança, mas já não era uma coisa tão garantida como foi nas duas edições anteriores dos Jogos Olímpicos. A torcida carioca vibrou intensamente, comemorou muito o erro do campeão mundial, o japones Kohei Uchimura, na primeira apresentação. Diego foi o segundo a se apresentar. Entrou no tablado ovacionado pela torcida, mas com um semblante sério, concentrado. A cada acrobacia certa, o olhar se focava no próximo movimento. Era preciso acabar sem erros. E foi isso que ele fez. A vibração foi enorme antes mesmo da nota 15,533, um pouco melhor que os 15,500 da classificatória. A redenção estava desenhada, mas era preciso esperar para ver se o pódio também viria.

O britânico Max Whitlock entrou na sequencia e cravou 15,633, tirando Hypólito da liderança. À cada um dos cinco restantes a tensão a cada nota que era dada, mas nenhum passou Diego. Felicidade compartilhada com o brasileiro Arthur Nory, que cravou a nota de 15,433 para ficar na terceira posição e comemorar o bronze junto com Hypólito. O Brasil, pela primeira vez, colocou duas bandeiras no mesmo pódio de provas individuais. E Diego Hypólito, que sofreu com sua própria pressão em Pequim e em Londres, conseguiu em casa sua suada e muito merecida medalha olímpica, coroando uma carreira brilhante, iniciada em Santo André e São Bernardo do Campo, cidades do Grande ABC Paulista, mas que agora é do mundo e ninguém lhe pode tirar mais.

IMG_20160814_17343712 medalhas de ouro de etapas de Copa do Mundo de Ginástica depois chega a sua primeira medalha olímpica. Nunca culpou ninguém pelos insucessos anteriores. Pelo contrário, assumiu a responsabilidade, chorou, mas voltou mais forte. Fecha a carreira conquistando o sonho da família, que já tinha em Danielle uma das maiores atletas da modalidade na história do país. Conquista que marca uma redenção particular. Conquista merecida. Sim Diego, você, mais que ninguém nesse esporte, merecia essa conquista. O choro agora é de alegria.

Crédito/Imagens: @JogosOlimpicos

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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