Natação Olímpica – Desempenho do Brasil mostra a fragilidade do trabalho da CBDA

Gustavo Borges. Fernando Scherer, César Cielo. Thiago Pereira. Você certamente já ouviu falar desses nomes. Em alguns momentos, vibrou em Olimpíadas ou Jogos Pan-Americanos com eles nas conquistas de medalhas. Por conta deles, acreditou que a natação brasileira poderia trazer alguma medalha no Rio de Janeiro. Pois a natação encerrou a participação nos Jogos Olímpicos ontem e o Brasil ficou zerado na piscina. Quem chegou mais perto foi Thiago Pereira nos 200m medley que virou a última parcial na segunda posição mas encerrou na sétima colocação. Sim, Bruno Fratus (foto destacada) terminou em 6º nos 50m livres, mas a esperança de medalha com Thiago Pereira foi maior durante a competição.

O resultado do Brasil nas piscinas do Centro Maria Lenk mostram o frágil trabalho da CBDA (Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos). O país vive de fenômenos e trabalhos individuais de cada atleta, e não de uma trabalho de base bem fomentado pelos gestores do esporte. César Cielo, último medalhista olímpico, só obteve sucesso pois foi desde cedo para os EUA treinar e se aperfeiçoar, competindo lado a lado com os melhores, em investimento próprio de sua família. Somente depois do ouro em Pequim que apareceram clubes brasileiros dispostos a patrociná-los. Ou seja, não formamos ninguém, apenas pegamos produtos prontos para servir de garotos propaganda.

A CBDA precisa se reformular. Óbvio que não temos como repetir a fórmula norte-americana de trabalho do esporte, totalmente voltada para universidades. Mas não podemos deixar clubes tradicionalmente olímpicos como Pinheiros, Tietê e Hebraica (para citar três exemplos de São Paulo) às mínguas. Os clubes precisam das confederações assim como as confederações precisam dos clubes para formar uma cultura olímpica na natação.

Comparado a outros esportes como hipismo ou esgrima, o custo inicial para o início da prática por um jovem é baixo. Um óculos e um maiô resolvem a questão. Basta que lhe seja oferecido uma piscina e um treinador competente para que o ensine as técnicas, corrija as falhas de movimentos e trabalhe a potência e/ou resistência. E é essa estrutura que os clubes e a CBDA tem que caminhar em conjunto para oferecer. Os clubes já possuem em suas instalações as piscinas, a confederação tem que fornecer os treinadores e acompanhamentos para pescar atletas que dão sinais de que podem competir em alto nível para um investimento a longo prazo, com treinamentos específicos, participação em competições mundiais de ponta e trabalho técnico detalhado.

É inaceitável que num país como o Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, com uma costa litorânea enorme que não tenhamos uma representatividade na natação mundial de ponta. Que passemos os Jogos Olímpicos inteiros sem uma medalha no masculino e no feminino. Fala-se muito da CBF, e com toda a razão do mundo, mas as confederações de esportes ditos “amadores” também precisam ser analisadas a fundo, na distribuição de cargos e no uso do dinheiro. Não tem desculpa para um desempenho tão pífio e sem perspectivas como o que assistimos nessa edição dos Jogos Olímpicos. A administração dessa confederação necessita de profissionalismo e auditoria já.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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