Nordeste faz história na RIO-2016

Texto: Marques de Souza

Superando as desconfianças, a Olimpíada Rio-2016 mostrou para o mundo aquilo que o brasileiro tem de melhor: o poder de superar as adversidades. Foi um evento inesquecível e que fez do caos, um grande carnaval. No Rio então, isso parece ser vocação. Quanto aos resultados, o Brasil ficou em 13º colocado no quadro de medalhas. Mas se fosse possível fazer uma classificação por região, o Nordeste seria ouro! 

CANOAGEM

O canoísta baiano Isaquias Queiroz, de 22 anos, fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a conquistar três medalhas numa mesma edição de Olimpíada. Remando sozinho, Isaquias conseguiu prata na C1 1000m e bronze na C1 200m. E ao lado de Erlon de Souza, foi prata na C2 1000m. Isaquias cresceu em Ubaitaba (a cerca de 370 km ao sul de Salvador), cidade de 20 mil habitantes localizada numa região que no passado era habitada por índios tupiniquins.

CANOA DUPLA

Prata na canoa dupla (C2) 1000 metros, Erlon de Souza comemorou a conquista inédita e o apoio da torcida brasileira que lotou não só as arquibancadas, mas os arredores da Lagoa Rodrigo de Freitas para ver os canoístas do país fazerem história. O baiano de Ubatã deixou a água de cabeça erguida pelo resultado obtido.

BOXE

O Brasil foi pela primeira vez campeão no boxe olímpico. Robson Conceição, baiano de Salvador, conquistou o ouro na categoria até 60 kg. Pode-se dizer que esse ouro começou a ser conquistado muito antes dessa Olimpíada. Essa não foi a primeira Olimpíada do Robson, foi a terceira. Nas duas anteriores, ele foi eliminado na primeira rodada, mas ganhou experiência.

Douglas Santos levou bandeira da PB para entrega das medalhas.
Douglas com bandeira da PB.

FUTEBOL MASCULINO

Lateral-esquerdo titular da seleção, Douglas Santos foi um nome importante na conquista do ouro olímpico, depois da vitória por 5 a 4 sobre a Alemanha, nos pênaltis. O atleta, que é paraibano de João Pessoa, foi titular absoluto do time de Rogério Micale. Douglas Santos tornou-se o maior atleta olímpico da história do esporte paraibano, superando as pratas conquistadas por Mazinho (Seul, 1988), Zé Marco (Sysney, 2000) e Hulk (Londres, 2012).

 

VÔLEI MASCULINO

A medalha de ouro conquistada pela seleção masculina de vôlei tem um valor especial para Alagoas. Maurício Borges, que nasceu em Maceió no dia 4 de fevereiro de 1989, é o primeiro atleta do estado a subir no topo do pódio olímpico. O ponteiro Maurício Borges Almeida Silva, de 27 anos, foi peça importante no time de Bernardinho.

NORDESTE OLÍMPICO!

A região foi representada nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro por 27 esportistas ou 12,16% do Time Brasil. Pernambuco enviou oito nomes. Depois vem Bahia, com 7, Paraíba com 4, Ceará com 3, Rio Grande do Norte com 1, Alagoas com 3 e Piauí com 1. Ao final, foram 3 medalhas de ouro, 3 de prata e 1 de bronze. Números ainda pequenos, mas cheios de orgulho e esperança.

Na festa de encerramento, o “hino do forró” Asa Branca deu tom a cerimônia, que além de Luiz Gonzaga, homenageou os compositores e cantores nordestinos Tom Zé, Lenine e Jackson do Pandeiro. Ao som de “Mulher rendeira”, clássico do Nordeste, uma atração especial emocionou e encheu de orgulho os baianos: as Ganhadeiras de Itapuã, grupo de cantigas e sambas de roda que conta com 17 senhoras do bairro soteropolitano. O Brasil provou que, além do tamanho geográfico, é gigante por seu povo e sua cultura. O Brasil mostrou ao mundo sua cara. A cara do rio! Na verdade, o Brasil é muito maior que o Rio! O Brasil também é Nordeste! 

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