Rio 2016 – O campeão voltou

Hoje, está liberado para todos cantarem essa música. Afinal, o campeão voltou mesmo e em grande estilo. Depois de seis anos sem uma conquista da Liga Mundial, dois vice-campeonatos olímpicos seguidos, a seleção masculina do Brasil volta ao topo do voleibol mundial. Em uma partida irretocável, os comandados de Bernardinho, em sua quarta final consecutiva, venceram a Itália por 3 sets a 0 e conquistaram o tri-campeonato olímpico, feito apenas conseguido pela extinta União Soviética. Uma conquista conquistada com muito suor e superação pelos problemas na preparação e na competição, desde o corte do craque Murilo, por lesão, passando pelos problemas físicos de Lucarelli e Lipe e o mau início no Rio de Janeiro.

IMG_20160821_143310A campanha foi instável no princípio. As vitórias sobre o México e Canadá vieram com derrotas no primeiro set e dificuldades além da conta nos demais. As pedreiras viriam a seguir, com duelos contra EUA e Itália. Duas derrotas e a necessidade de uma vitória sobre a forte França no jogo derradeiro da fase de grupos. Nesse ponto, as críticas a seleção eram gigantes. Muitos davam como acabados, como fim do ciclo para Bernardinho e falavam que era necessário uma reformulação geral do vôlei. Todos davam como certo o arrependimento do treinador em ter cortado Murilo antes da competição. Todos colocavam em xeque a capacidade do levantador Bruninho de conduzir a equipe a uma medalha olímpica em terras cariocas.

Veio o confronto com a França. Um jogo disputadíssimo, duro, sendo decidido ponto a ponto. A vitória do Brasil veio junto com a classificação para as quartas de final, contra a Argentina, que fazia sua melhor participação olímpica. Mais um jogo duríssimo e mais uma vitória do Brasil. À partir daí ninguém mais duvidava da capacidade dessa equipe. Maurício Souza fazia grandes jogos na rede, Lipe deu segurança ao passe brasileiro e, mesmo não estando 100% fisicamente, Lucarelli era decisivo. Bruninho distribuía bem o jogo, Lucão matava bem as jogadas de meio de rede. E dois jogadores se destacavam mais que os demais. Na defesa, o líbero Serginho, com 39 anos e energia de um iniciante, não deixava nada passar e colocava Bruninho em situações mais favoráveis. E na saída de rede, o craque dessa geração: Wallace, o mensageiro do caos, o macho-alfa (tomando a liberdade de parafrasear o genial narrador dos canais EPSN Rômulo Mendonça).  Como atacou nosso camisa 4, na pancada e nas largadas. Será, sem dúvida o nome dessa nova geração do vôlei.

IMG_20160821_144408Na semi-final contra a Rússia, inapeláveis 3 sets a 0 para não deixar dúvidas. E na final, domínio total brasileiro. Ao fim dos três sets, muita emoção e o canto entoado no Maracanãzinho não deixou dúvidas. O campeão realmente voltou. Em casa, o sonho olímpico se confirmou para muitos jogadores e torcedores do vôlei, que se confirma como um dos esportes mais vencedores do esporte. Nas quadras, nas últimas quatro Olimpíadas, quatro ouros: Duas no masculino e duas no feminino. O esporte é exemplo para todas as modalidades olímpicas de trabalho com continuidade, de trabalho com seriedade e trabalho com excelência. O campeão voltou e voltou muito bem. Tri-campeonato olímpico incontestável.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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