Os Jogos Olímpicos Rio 2016 deixaram muitos recados

Chegaram ao fim os Jogos Olímpicos Rio 2016. Após 16 dias de competição tivemos diversos momentos de grande aprendizado e emoção par todos que acompanharam. Certamente o sentimento de saudade vai ser o melhor utilizado para definir o que sentimos ao pensar novamente nessas Olimpíadas. Vimos em solo brasileiro os melhores atletas do mundo, mais de 200 delegações fazendo de tudo para marcar seu nome na história. Gigantes do esporte como Usain Bolt, Michael Phelps, Neymar, Kevin Durant, Serginho, Teddy Riner, Simone Biles, Kaori Icho fizeram bonito, rendendo o esperado e dando verdadeiros espetáculos ao público. Outros grandes nomes, como por exemplo o número 1 do ranking da ATP, Novak Djokovic, deu adeus precocemente a competição, mas mesmo assim encantou o povo brasileiro ao sair emocionado de quadra, sendo venerado pelo público.

O primeiro grande recado que as Olimpíadas nos trouxe veio dos diversos casos de superação que ocorreram. E quando se diz superação é em diversos sentidos. Casos onde o físico não aguentava mais e mesmo assim o atleta seguiu firme até o final. Casos de superação do psicológico, onde diversos fantasmas foram espantados também ocorreram. A atleta da Etiópia, Etenesh Diro, foi um marco nesse aspecto, pois mesmo ao perder sua sapatilha durante a prova dos 3000 metros com barreira, completou a prova descalça, ficando com o pé cheio de bolhas e caindo aos prantos após ultrapassar a linha de chegada. Na marcha atlética mais um caso de superação dos limites físicos. O francês Yohann Diniz, favorito ao ouro na prova de 50km, teve uma dor de barriga que poderia ter acabado com sua prova e mesmo após desmaiar passando muito mal, o atleta voltou a prova. ” O que? Uma diarreia vai me impedir de completar minha última prova olímpica? Aqui não queridinha!” Yohann se superou e mesmo não conquistando o ouro, terminou a prova em oitavo lugar, sendo muito aplaudido. Como mencionado, a superação não foi apenas em relação as adversidades físicas. A seleção masculina de futebol enfrentou seu maior algoz dos último anos, a Alemanha. O local do estádio foi o Maracanã, mesmo palco onde perdemos a Copa de 50. E não podemos esquecer que Jogos Olímpicos e futebol masculino brasileiro não eram uma boa combinação. Pois bem, isso tudo ficou no passado, pois mesmo após as duras críticas direcionadas principalmente a Neymar no início da competição viraram gás extra ao camisa 10 que cobrou o pênalti que garantiu o ouro, desabou em lágrimas e depois ainda falou: “Vocês vão ter que me engolir!”. Foram três fantasmas derrubados de uma vez só e o país do futebol recuperando sua identidade. Superação é uma mensagem que temos que levar para nossas vidas, pois vão ser diversas as barreiras que vamos encontrar no nosso caminho, e a persistência é uma das chaves da vitória. Cair é normal, o importante é levantar mais forte, assim como Diego Hypólito, que como ele mesmo disse “Em Pequim, caí de bunda. Em Londres, de cara. Hoje eu caí de pé”. Além de toda a superação, Diego mostrou o quão importante é nunca desistirmos de nossos sonhos, mesmo quando somos desacreditados, eles são possíveis de se concretizar.

Disputar as Olimpíadas é um sonho para qualquer atleta, mas se já está lá, porque não sonhar um pouco mais? Acreditar é um verbo que foi muito conjugado durante esses 16 dias. E não é que muitos sonhos se tornaram realidade? Vamos começar nos grandes. Phelps e Bolt, duas lendas do esporte vieram ao Rio de Janeiro para cravar mais ainda o nome na história. Pois bem, se tratando desses gigantes, até que não foi tão difícil assim. Ambos sobraram nas competições e enlouqueceram a cidade maravilhosa. Phelps conquistou aqui mais seis medalhas, sendo cinco delas de ouro, totalizando um total de 28 medalhas na carreira e Bolt conquistou o triplo-triplo, ou seja, três medalhas de ouro no 100 e 200 metros rasos e no revezamento 4×100. Os dois mitos encerram assim suas passagens brilhantes por Jogos Olímpicos, certamente com os sonhos mais ambiciosos totalmente realizados. Mas também tivemos os sonhos dos que não costumam ter tantos holofotes assim. As delegações de Fiji, Kosovo e Porto Rico conquistaram por aqui as primeiras medalhas de sua história. E claro, a história feita pela delegação de refugiados que fez bonito nas disputas e mostrou que o mundo precisa mesmo de mais amor e aceitação a todas as diferenças.

Ah o amor… Esse também marcou presença na Rio 2016. Após a cerimônia de entrega das medalhas na decisão do Rugby feminino, a brasileira Isadora Cerullo foi surpreendida pela voluntária Marjoria Enya que a pediu em casamento e a belíssima imagem do beijo das duas rodou o mundo todo. Isso fez com que o ato virasse moda durante os jogos, contagiando mais cinco pedidos de casamento, seja entre atletas ou nas arquibancadas. Outro pedido que chamou atenção foi após a solenidade ocorrida nos saltos ornamentais, onde após o recebimento da medalha de prata da atleta He Zi, o também atleta dos saltos ornamentais Qin Zai, trouxe para sua amada o ouro, no caso em uma aliança que foi prontamente aceita pela chinesa. Outra maravilhosa cena que representa todo o amor que essa competição floresceu, foi no caso entre neto e avô, onde após a derrota da seleção brasileira feminina de vôlei, o netinho do técnico José Roberto Guimarães se despedaçou em prantos, e seu avô que também estava abatido com a derrota, tratou de o consolar, e a imagem do abraço entre os dois foi uma das cenas mais lindas que tivemos nesses 16 dias. O amor é o sentimento mais lindo que podemos ter, e os Jogos Olímpicos nos trouxeram imagens mostrando o quão bonito as demonstrações de afeto por aqueles que amamos são, e o quão bem essas podem fazer inclusive para o ambiente em volta. Que sempre carreguemos mensagens de amor também pelo embalo que os jogos nos mostraram, é o caminho mais curto para a felicidade.

Mas infelizmente nem só por atitudes bonitas esses dias foram marcados. Tivemos o caso dos nadadores americanos que forjaram um assalto simplesmente pelo prazer de aparecer. O pedido de desculpas por nota não pareceu suficiente. Também tivemos os lamentáveis casos de estupro na Vila Olímpica, que precisam ser investigados e punir os culpados por esses crimes sem escrúpulos. E pra finalizar esse tópico mais chato, os casos de racismo e homofobia que surgiram em redes sociais. A nadadora Joanna Maranhão após sua derrota foi muito xingada em suas redes por pessoas que não tem noção nenhuma de civilização e querem apenas propagar o ódio. E o mesmo ocorreu com o grandíssimo Caio Bonfim que conseguiu um resultado surpreendente para o Brasil nas provas de marcha atlética e revelou em entrevista as inúmeras ofensas homofóbicas que ele sofre em toda sua vida, mais um absurdo descabível. Em contraponto, tivemos Rafaela Silva nos emocionando com a conquista do seu ouro e mostrando aos imbecis que falaram diversas asneiras ao seu respeito em 2012 que ela é maior que tudo isso. Um lindo caso de chute no preconceito que precisa dia a dia ser ser desconstruído, e esses Jogos Olímpicos também mostraram isto. 

Por fim, temos que exaltar o trabalho árduo que todos esses atletas realizaram, pois apenas o trabalho duro nos dá condições de conquistar nossos objetivos. Vale reforçar a importância do incentivo, por exemplo com as políticas de apoio aos atletas que começaram a ser criadas em 2003 no governo Lula com o programa Segundo Tempo, sendo este bem um dos responsáveis pela ascensão de Isaquias Queiroz que conquistou nesses jogos o montante de três medalhas. O programa Bolsa Pódio, implantado durante o governo Dilma, também foi responsável por auxiliar atletas como Felipe Wu e Rafaela Silva. E o apoio mais notável devido as continências batidas durante as subidas no pódio, foi o apoio proveniente das Forças Armadas, que disponibilizou recurso financeiro e local para treinamentos aos atletas associados. Todos esses investimentos trouxeram evidente resultado, tendo assim o melhor resultado brasileiro na história das Olimpíadas, ficando em décimo terceiro no quadro geral, e em segundo entre as delegações da América, apenas atrás dos Estados Unidos da América. Mesmo com o país atravessando um momento de crise, os cortes nesses projetos representariam um grande retrocesso para as futuras gerações de esportistas do Brasil.

Eu poderia prolongar ainda mais esse texto e falar sobre o turbilhão de emoções que as Olimpíadas nos proporcionaram. Sentimos na pele a grandeza desse evento, o quanto ele é capaz de tocar no coração de todo um país e quantas lições ele pode trazer pro nosso dia a dia. Chorar com os inúmeros ocorridos foi cena comum na casa de milhões de brasileiros. Eu mesmo confesso que chorei por exemplo com a conquista de Diego Hypólito, com o ouro da seleção masculina de futebol e principalmente com a linda cena da ajuda que a neozelandesa Nikki Hamblin deu a estadunidense Abbey D’Agostino após ambas caírem na prova de 5000 metros no atletismo. É uma pena que tenha acabado esse ciclo Copa do Mundo-Olimpíadas no Brasil, mas que nosso povo brasileiro possa ter tomado muitos ensinamentos para que possamos ser melhoras a cada dia que passa.

2016 Rio Olympics - Athletics - Preliminary - Women's 5000m Round 1 - Olympic Stadium - Rio de Janeiro, Brazil - 16/08/2016. Nikki Hamblin (NZL) of New Zealand stops running during the race to help fellow competitor Abbey D'Agostino (USA) of USA after D'Agostino suffered a cramp. REUTERS/Kai Pfaffenbach TPX IMAGES OF THE DAY FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS. ORG XMIT: VP805


As opiniões expressas no texto refletem a visão do autor e não de todo o corpo do site. #ForaTemer


Elvis Fernando

20 anos, estudante de Engenharia na Universidade Federal do ABC. Apaixonado por esportes e isso me mantém firme dentro do HTE Sports.
Fundador da marca HTE.

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