Caso da CBDA propõe uma ampla reflexão das conferações de esportes olímpicos

Nesta quarta-feira (21/09), o Ministério Público Federal (MPF) pediu o afastamento imediato do presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes Filho, e do diretor financeiro da entidade, Sérgio Ribeiro Lins de Alvarenga, sob a acusação de improbidade administrativa. Foi solicitado também o bloqueio dos bens de Coaracy, Alvarenga e outros dois dirigentes da CBDA, descoberto pela Operação Águas Claras da Polícia Federal. A suspeita do MPF e da Polícia Federal de São Paulo é de que houve superfaturamento em licitações de material esportivo supostamente voltados para a formação de atletas da maratona aquática, do polo aquático e do nado sincronizado.

De acordo com as investigações, a CBDA conduziu a licitação de modo a contratar uma empresa de fachada para, então, superfaturar os valores na compra dos equipamentos. Também não há comprovação do recebimento dos itens licitados. As cifras desse contrato estariam estimadas em R$ 4,5 milhões.

A denúncia é muito séria e pode explicar um pouco do mal desempenho que comentamos aqui no HTE Sports, logo após a participação do Brasil nos Jogos Olímpicos (Leia aqui).A CBDA, que cuida de cinco modalidades esportivas (natação, nado sincronizado, pólo aquático, saltos ornamentais e maratona aquática) tem feito um trabalho muito fraco, do ponto de vista esportivo, nos últimos anos, apesar de termos vivido o período de maior investimento do governo federal nos esportes olímpicos nesse ciclo que findou no Rio de Janeiro.

Não vamos entrar com o carro na frente dos bois aqui. Os crimes citados acima ainda estão na fase de investigação e não podemos afirmar nada sobre culpados ou inocentes. Essa tarefa é o Ministério Público, Polícia Federal e sistema judiciário do país. Mas esse epsiódio, somado com o que estamos vendo na CBB (dívidas na casa dos 17 milhões, de acordo com informações do Blog Bala na Cesta, e intervenção na gestão financeira por parte da FIBA) nos leva a refletir sobre o trabalho dessas confederações esportivas “olímpicas”. A CBF volta e meia está no meio de algum escândalo e o futebol ocupa praticamente todo o tempo nos debates esportivos.

Puxando pela memória, ainda tivemos casos na CBV (Volei) e na CBFS (Futsal) recentemente, provocando, em alguns momentos, protestos de atletas, ex-atletas e treinadores. Fora da cobertura da grande mídia, talvez alguns dirigentes não vejam tanto risco de serem pegos em algum ato ilícito. Talvez seja hora de, uma vez que há uma relação formal das confederações e o Ministério dos esportes, uma implantação de um modelo transparente de uso de recursos públicos e privados, auditado por uma empresa independente?

Agora é esperar a conclusão do MPF, torcer para que, havendo comprovação de crime, os culpados sejam punidos e o esporte passe a ser gerido de forma mais limpa e profissional.

Fonte das informações: Jornal O Globo

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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