CLUBE DA FÉ #83 – A triste e dura realidade

É meus amigos tricolores. A coisa não está fácil lá pelos lados do Morumbi. Nossa triste e dura realidade é de que disputaremos esse ano o Brasileirão simplesmente para não cair. O maior problema disso é que tem sido uma situação recorrente para nós nessa década. Não é o primeiro ano em que sofremos para ganhar clássicos regionais, que ficamos sem perspectiva, que nos voltamos a nos contentar a terminar o ano na zona intermediária da tabela.

Ontem perdemos mais uma, dessa vez de virada para o Palmeiras, no Alianz Park. Praticamente não demos trabalho nenhum ofensivamente e voltamos com nosso crônico problema de bola área na defesa. Os dois gols alviverde foram em jogadas de bola parada para cima da zaga, as duas em cima de Lyanco. É verdade que o primeiro gol palestrino foi irregular, o zagueiro Mina estava impedido pro centímetros. Mas isso não tinha os nossos deméritos nesse tipo de jogada. Passa ano, treinador, zagueiro e continuamos a sofrer gols dessa maneira.

A derrota importa menos que a falta de perspectiva. Ricardo Gomes é um treinador de comum para baixo. Não leva jeito para ser um motivador de elenco e não têm um trabalho tático de nível diferenciado. Sua carreira é recheadas de trabalhos no máximo razoáveis, nada além disso. O elenco possui muitas deficiências. Os laterais são fracos no apoio e tenebrosos na marcação. Na zaga temos um grande jogador em Maicon e duas promessas em Lyanco e Rodrigo Caio. O último já devia ter saído da categoria promessa e virado realidade, em minha opinião. Assim como Lyanco falhou no último jogo, Rodrigo Caio falha também em diversas oportunidades pelo alto.

Porém, considero que nosso maior problema é o meio de campo. Thiago Mendes nem de longe lembra o jogador do ano passado e Hudson e João Schimdt são muito irregulares. Michel Bastos me abstenho de comentar para não tirar o site do ar. E os meias/pontas Cueva, Kelvin e Luiz Araújo são bem improdutivos. Os dois últimos me lembram o Marlos, que corria muito, driblava para trás, passava errado e chutava fraco. Exceção na comparação somente para Cueva, que começou razoavelmente bem sua trajetória.

A solução? Na minha visão, precisamos minimizar alguns problemas e jogar no pouco de bom que tem essa equipe. Eu pensaria em voltar o esquema de 3 zagueiros, com Lyanco, Rodrigo Caio e Maicon. Assim os laterais teriam menos obrigações defensivas. Colocaria Thiago Mendes e João Schmidt a frente da zaga (sacando Hudson para o banco) pois são jogadores que têm mais características de fazer o que os inglês chamam de “box-to-box”, ou seja, marcar e chegar a frente. Como não temos um meia central (Se Jean Carlo do Vila Nova chegar – Meu Deus, minha esperança tá em um jogador do Vila Nova – teremos essa peça) colocaria Cueva e mais um pelos lados, criando em diagonal situações para o Chavez, que vem fazendo seus golzinhos jogo a jogo. Não é muito, mas desse jeito melhoraríamos a altura (que nada adianta se não houver trabalho de posicionamento, viu sr Ricardo Gomes) e teríamos mais condições de criar situações na frente. Segundo dados do Footstats, o São Paulo é um dos times mais imprecisos na finalização, precisando de quase 15 chutes para marcar um gol. É um dos motivos para pífia média de gols, na casa de 1 por jogo.

Domingo é decisão. Jogo de 6 pontos contra o Figueirense, no Morumbi. Ganhar esse jogo é essencial para adquirirmos qualquer fôlego nessa dura luta contra a queda para a Série B. Infelizmente, é essa nossa realidade.

Notas:

  • Gustavo Vieira de Oliveira não faz mais parte da direção de futebol do clube. Os resultados não justificam seus ordenados que, segundo a imprensa já noticiou algumas vezes, está na casa dos cem mil reais mensais. É só ver que os estrangeiros indicados por Bauza (Chavez, Cueva, Buffarini) estão jogando um pouco melhor que os brasileiros contratados por ele.
  • Dizem que para o lugar de Gustavo Leco está considerando chamar Marco Aurélio Cunha para o comando do futebol. Quando MAC esteve no clube, a impressão que fica é que comissão técnica e jogadores estavam mais “blindados” dos problemas diretivos. Pode ser uma boa para colocar o São Paulo nos eixos novamente.
  • Jean Carlos (Vila Nova), Robson (Paraná), Rildo (Corinthians) e Marquinhos (Internacional) são as especulações para reforços. Quatro apostas que o momento permite fazer, mas Rildo e Marquinhos acho que já mostraram que seriam apostas com mais chances de dar errado que certo. Já não são mais tão jovens e suas carreiras tiveram muito mais baixos que altos (se é que tiveram altos).

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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