CLUBE DA FÉ #84 – As heranças de Bauza

Sempre que um treinador estrangeiro é contratado ou demitido de alguma equipe brasileira, a opinião geral torce o nariz para os jogadores de fora do Brasil indicados pelo mesmo. Quando Bauza deixou o comando técnico do tricolor para assumir a seleção da argentina, muitos da imprensa e também torcedores tiveram atitude semelhante, questionando as últimas contratações feitas por sua indicação. Porém, pelo menos em minha opinião, está claro que houve acerto ao trazer esses jogadores.

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Os três jogadores de fora do país que vieram próximos da saída do treinador argentino foram o peruano Cueva e os argentinos Buffarini e Chavez, que se juntavam ao atacante Centurión e ao zagueiro Diego Lugano. Centurion não faz mas parte do elenco (graças ao bom Deus) e Lugano, hoje, exerce uma função mais de grupo, fora de campo do que propriamente no gramado. Já ouvi muita gente comentar da importância dele para o crescimento e amadurecimento de Lyanco, por exemplo. Mas, voltando aos três primeiros citados, a importância deles para que o São Paulo saia da inhaca que se encontra já é bem notória.

Até o terceiro gol na partida de ontem, foram 13 gols consecutivos marcados pelos estrangeiros do São Paulo. Sequência que iniciou-se com Calleri, no jogo da eliminação da Copa Libertadores, e concluiu-se ontem, depois de Cueva marcar no rebote do pênalti. Cueva, por sinal, tem jogado bem desde que chegou, com muita movimentação, criando espaços e situações de gol. Precisa apenas se controlar mais para não receber tantos cartões amarelos. Já foram dois jogos que perdeu no Brasileiro por acumulo de amarelos e sabemos que nosso elenco está bem enxuto de opções.

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Mas quem vem mais surpreendendo é mesmo o atacante Chavez. Quando chegou, suas estatística no ano pelo Boca Juniors faziam qualquer um desconfiar, afinal, quatro gols em vinte e dois jogos não animavam a torcida que tinha em Calleri, outro argentino, sua admirição pelos gols marcados no mesmo período. Mesmo não sendo tecnicamente brilhante, Chavez chegou e já marcou 6 gols em 9 jogos com a camisa do São Paulo, além de mostrar uma disposição característica dos jogadores argentinos, nunca desistindo de nenhuma bola, brigando com os zagueiros e recuperando a posse no campo ofensivo.

Por último, mas não menos importante, vimos ontem também o lateral Buffarini com uma grande atuação pelo lado direito. Há anos que o São Paulo não se acerta nas laterais e a aposta no lateral do San Lorenzo sempre me pareceu viável. Depois de um começo instável, Buffarini jogou muito bem contra o Figueirense e iniciou o contra-ataque do terceiro gol com um lançamento primoroso para Chavez, que deixou Kelvin sozinho na área para finalmente um gol brasileiro ser marcado pelo São Paulo.

Essa foi uma herança positiva que o treinador argentino deixou no elenco. Os três citados já mostraram ser muito úteis para o São Paulo e podem nos ajudar a sair do buraco, além de não ter o marasmo mostrado por jogadores como Carlinhos e Michel Bastos, que devem estar com os dias contatos no elenco. Quinta mais um jogo de seis pontos na nossa dura missão de evitar um vexatório rebaixamento. Certamente os estrangeiros citados serão peça chave para conseguirmos um resultado favorável.

  • Notas:
    Marco Aurélio Cunha assumi interinamente o cargo de diretor executivo do futebol, função vaga desde a saída de Gustavo Vieira de Oliveira. MAC, querido pela torcida, deve servir nesse momento mais como para-raio, sendo o porta-voz do elenco com a mídia e a torcida. Deve resolver a questão Michel Bastos, que, ao que tudo indica, deve dar adeus logo logo do elenco.
    Ainda sobre MAC, uma discussão da oposição seria se seu cargo é remunerado. É uma situação conflitante porque MAC é conselheiro e, como tal, não deveria receber salários. Porém ele se licenciou de sua função na CBF, onde era remunerado, para assumir esse cargo no São Paulo. Questão que Leco terá de resolver para não gerar polêmicas desnecessárias.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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