De Bate-Pronto: Jornalista esportivo pode ser torcedor?

(Imagem meramente ilustrativa, sem insinuação ao jornalista Mauro Cezar como torcedor, ainda que tenha aparecido na imagem na torcida do Flamengo, com a camisa do Flamengo)

Antes de tudo, deixar claro que esse post é uma reflexão de quem o escreve, portanto, não é a opinião do HTE Sports. Muito menos de todos os que colaboram para o projeto.

O futebol é a grande paixão do brasileiro. Talvez, empatado com algumas outras, mas ainda assim está na primeira posição. Dificilmente, entre homens e mulheres, crianças ou idosos, haverá aquele que não torce para time nenhum, ou que sequer conheça alguém que não acompanhe futebol. Nesse cenário, é quase impossível que quem goste de futebol não torça para algum time. Imagina quem trabalha, convive com o esporte diariamente e fez disso seu ganha pão? Pode-se concluir, mesmo que de forma generalizada, que todos que acompanham o maior esporte do país, torça para algum time. Pois então, um jornalista pode torcer para algum time? Deve dizer isso em público? Tem que influenciar em seus comentários e opiniões?

Jornalista esportivo pode e deve torcer para algum time. Assim, viverá na pele o que os torcedores “comuns”, para os quais ele comunica, sentem, tornando sua profissão e função mais humanizada, mais próxima da realidade. Dizer o contrário é o mesmo que afirmar que um médico não pode ficar doente; que um psicólogo não pode ter problemas comuns do dia-a-dia de qualquer ser humano; que um nutricionista não possa comer uma comida gordurosa em alguma oportunidade; ou que um advogado siga perfeitamente as leis e que nunca tenha saído da linha uma vez sequer na vida. A profissão de jornalista é como qualquer outra. Há momentos em que a parcialidade tomará conta, porque quem a faz é um humano, que tem opiniões e vontades próprias que, às vezes, o domina. Claro, que com o tempo o lado torcedor perde força para o lado profissional, ainda que hoje seja possível ver profissionais com um longo tempo de carreira sendo parciais.

O que nos leva à uma questão a mais: não é mais digno afirmar o time que torce, falar as mesmíssimas afirmações, do que velar o lado torcedor e se esconder por baixo de uma máscara imparcial? Muitos se escondem por trás dessa fantasia de “jornalista 100% politicamente correto”, mas se contradizem, além de mostrar de forma secundária que sempre se posiciona a favor ou contra de situações parecidas, que lhe dão fama de um profissional parcial, mas que não demonstra sua torcida. Dizer para o público que torce para time “X” não é feio. Temos muitos exemplos hoje em dia de pessoas que trabalham na grande mídia que assumiram o time que torce. E, se observado com cuidado, são menos “perseguidos” dos que aqueles que não assumem. Até porque, se der uma opinião (mesmo que imparcial e achando ser o mais correto) a favor do time que disse torcer, será considerado normal, ainda que cause certo desconforto em alguns espectadores ou leitores.

A conclusão é que sim, jornalistas envolvidos com o futebol devem torcer para algum time, sendo mais bonito se responsabilizar por sua torcida em público, do que se acobertar atrás da aparência de um personagem, mas esse personagem tendo a voz do torcedor. Há momentos para ser profissional, falar de outros times com a mesma emoção do que falaria do seu (e ser correto com todos, sempre, pois isso é questão de caráter). Há momentos para ser torcedor, talvez, até tirando sarro ou zuando outros torcedores, considerando que hoje o futebol não é visto mais da forma quadrada de antigamente, e os torcedores (leia-se espectadores) buscam algo diferente do que simplesmente indivíduos que aparecem nas telas de todas as polegadas dizendo as mesmas coisas de sempre.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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