Futsal brasileiro dá vexame e está fora da Copa do Mundo

Texto: Péricles Lima

O sonho do tricampeonato brasileiro na Copa do Mundo de Futsal ficou pelo caminho cedo demais. Numa partida dramática, o Brasil foi eliminado nos pênaltis pelo Irã, ainda nas oitavas de final, e volta para casa com a sua pior campanha na história do torneio.

As duas equipes tiveram campanhas bem distintas na primeira fase da competição. O Brasil venceu todos os jogos no grupo D, batendo Ucrânia, Austrália e Moçambique de forma tranquila, marcando 29 gols e sofrendo somente 5. Já o Irã se classificou apenas como o 3º colocado do grupo F, vencendo o Marrocos, empatando com o Azerbaijão e sendo goleado pela Espanha por 5×1. Mas o duelo dessa quarta (21/09), na cidade colombiana de Bucaramanga, teve uma história que poucos poderiam imaginar.

A partida começou com poucas chances de gols, mas quando o técnico Serginho colocou em quadra a formação comandada por Falcão, o Brasil teve mais volume de jogo. E foi o craque de 39 anos que abriu o placar com um belo gol, pegando de primeira uma bola vinda de um escanteio. Três minutos depois, Falcão marcou um gol ainda mais bonito, de letra, após jogada ensaiada numa cobrança de falta. O jogo parecia estar no controle da seleção brasileira, mas o Irã diminui o placar com Tayebi depois de recuperar a bola na quadra de ataque, num lance em que os brasileiros reclamaram de falta em cima de Bateria.

O Brasil voltou dominando no segundo tempo, aproveitando os erros na saída de bola do Irã e forçando o goleiro Samini a fazer grandes defesas. Em um dos erros da seleção iraniana, Dieguinho recuperou a bola e só deu uma cavadinha para fazer 3×1. Os iranianos não se abateram e continuaram a pressionar no ataque, aproveitando erros ofensivos do Brasil para contra-atacar, e conseguiram diminuir faltando oito minutos para o fim com Kazemi, num chute forte entre a trave e o goleiro Tiago. A seleção brasileira continuou com dificuldades para trabalhar a bola, e quando conseguiu oportunidades parou na excelente performance do goleiro adversário. O Irã apostou na tática do goleiro linha e trabalhou muito bem a bola para empatar o jogo com Hassan Zadeh, levando o confronto para a prorrogação.

O primeiro período do tempo extra foi de muita tensão e pouca atitude das duas equipes, terminando sem gols. Na segunda etapa, o Brasil aproveitou mais um erro defensivo do Irã e Falcão tocou por cima de Samini, fazendo 4×3 para o Brasil. Mas logo na saída de jogo o goleiro linha iraniano voltou a funcionar, com Keshrvarz também encobrindo o goleiro Tiago e levando o jogo para a disputa por pênaltis. Na série de três cobranças para cada equipe, Ari foi o único a errar, chutando na trave, e o Irã eliminou o Brasil.

Essa é a pior campanha da seleção brasileira na história da Copa do Mundo de Futsal, que é organizada pela FIFA desde 1989 e sempre teve o Brasil pelo menos entre os três primeiros colocados. A equipe que conquistou as duas últimas edições do torneio foi eliminada por um país que vem crescendo no futsal mundial e já domina o esporte na Ásia, vencendo 11 das 14 edições do Campeonato Asiático de Futsal. O Irã agora joga pelas quartas de final no sábado (24/09), contra o Paraguai que eliminou a anfitriã Colômbia também nos pênaltis.

Tão triste quanto a eliminação precoce do Brasil é a despedida de Falcão da seleção e das Copas do Mundo, torneio que venceu em 2008 e 2012, e que na atual edição alcançou três recordes: único jogador a disputar cinco edições, jogador com maior número de jogos (34) e maior artilheiro da história da competição, com 48 gols ao todo.

Mais do que se preparar para o futuro sem a presença de uma lenda do esporte, espera-se uma melhora nas gestões da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS), cujos problemas nos últimos quatro anos atrapalharam a preparação da seleção e geraram um movimento exigindo maior transparência da entidade, o Futsal Limpo e Para Todos, liderado pelo próprio Falcão.

Crédito da imagem destacada: Guillermo Legaria/AFP

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