HOSPÍCIO #77 – Simplesmente, Corinthians

Mais um aniversário seu, Corinthians. Mais um ano em que faltam palavras para te descrever. Mais um ano que vivemos ao seu lado, seja na vitória ou na derrota. Sempre gritamos forte. Ainda mais especial para esse dia, o Hospício, coincidentemente, é o de número 77, número tão emblemático para os corinthianos.

hospício

Difícil descrever o que o Corinthians representa para os corinthianos. És religião de Janeiro a Janeiro. Estás eternamente dentro dos nossos corações. E nós não temos como explicar o sentimento que sentimos por você. E pra aqueles que acham que é pouco, vivemos por você, Corinthians. Corinthians para sempre é o que nós iremos ser.

A história do Corinthians se confunde com a história do país em geral. Tivemos um doutor com nome de gênio, que foi, também, um gênio. Atendendo pelo nome de Sócrates, ele subiu num palanque e falou para mais de 1,5 milhão de pessoas. Em tempos que a democracia é tão requisitada e pouco respeitada, o nosso querido doutor estaria, certamente, batalhando. Não só no cenário político nacional, mas também no cenário interno do Corinthians. Em 1910, o slogan “Time do Povo” surgiu com Miguel Bataglia. Muito mais que nos dias atuais, o racismo e o elitismo no país era grande, e o Corinthians foi um dos pioneiros a aceitar negros e integrantes de classes sociais mais baixas, do povão.

Afinal, o Timão sempre foi um fenômeno sociológico a ser estudado em profundidade. Qual a explicação sociológica e psicológica para um grupo de pessoas partirem de São Paulo ao Rio de Janeiro, em 1976, de ônibus, para acompanhar um jogo? Qual a explicação para outro grupo de pessoas saírem, novamente, de São Paulo, e irem para o Rio de Janeiro, em 2000, ver a final do Mundial? Mesmo Mundial que, em 2012, fez mais de 30 mil pessoas irem para um fuso horário de 12 horas de diferença para ver mais uma final. Além: qual outro grupo social apóia uma instituição de forma incondicional, na vitória ou na derrota, na Libertadores ou na Série B, ganhando ou perdendo? Tomo a liberdade para dizer um pouco mais da frase de Menotti de Picchia: O Corinthians é um fenômeno sociológico e psicológico a ser estudado em profundidade.

A loucura corinthiana é complexa. É regada à um sentimento, é regada de fé. O nosso padroeiro está na rua São Jorge, 777, e vai orar pelo Corinthians. A loucura é fator comum à uma sociedade de mais de 30 milhões de loucos, que mais cresceu no momento de uma seca de títulos (1954-1977). Mais de 30 milhões que formam uma corrente muito forte, na zona sul, na zona norte, na zona leste e zona oeste. No Brasil e no Mundo inteiro, e jamais se quebrará. Sociedade essa que se abraça passando os braços por trás das costas um dos outros e se resume num poropopopó. Uma nação que fica relaxada com uma vitória do Timão.

O Corinthians é um fenômeno. Fenômeno de Fenômeno, de Sócrates, Casagrande, Rivellino, Neto, Zé Maria, Ronaldo Giovanelli, Wladimir, Tupãzinho, Basílio, Marcelinho Carioca, Dinei, Vicente Matheus, Tite, Carlitos Tevez, Emerson Sheik e tantos outros que ajudaram de qualquer forma nesses 106 anos. Seja de forma boa ou ruim. Porque, até a queda é importante para contarmos essa belíssima história.

Como resumir o Corinthians? Um gigante? Um devaneio? Uma nação? Um time de futebol? Um pouco de tudo o que se pode pensar quando o nome Corinthians é falado. Como descrevê-lo? É uma alegoria. É, simplesmente, Corinthians.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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