O protesto de Colin Kaepernick e a real Igualdade Racial

O protesto protagonizado por Colin Kaepernick, quarteback do San Francisco 49ers, no último jogo da pré-temporada da NFL segue ainda causando repercussões nos EUA. Para quem ainda não viu, durante o hino nacional o jogador permaneceu sentado em protesto à discriminação racial no país. Treinadores, comentaristas, jogadores, ex-atletas e até candidatos a presidência já teceram suas análises em diversos meios de comunicação. Em sua grande maioria no modo politicamente correto, com o velho discurso da luta pela igualdade racial. Porém, se pararmos um pouco para refletir, veremos que a atitude de Kaepernick serve mais para acirrar essa questão, criando mais animosidade e separativismo que o contrário.  Explico nas linhas a seguir.

Quando um protesto desse é feito, é passada a imagem de que a sociedade americana (no caso específico) ainda vive sob intenso conflito entre brancos e negros, como era, pegando a história do país, até meados dos anos 80 e 90, no século passado, onde havia sim uma discriminação racial social e, em alguns casos, institucional. Grandes nomes como Martin Luther King e Malcom X, na questão mais política, além Jesse Owens e Jackie Robinson, na área esportiva, foram de suma importância nessa luta. Mas os dados do Departamento de Justiça mostram que o cenário já mudou nos dias atuais. Entre 2012/2013, por exemplo, houve 560 mil crimes de negros contra brancos e 99 mil de brancos contra negros, lembrando que a população branca representa cerca de 70% da população total. Entre 2013 e 2015, 49% das mortes causadas por policiais foram de brancos.

Esses dados mostram que a situação já mudou. E fico à vontade de colocar isso aqui justamente por já ter escrito nesse mesmo site as histórias de Jesse Owens e Jackie Robinson, colocando a hipocrisia dos EUA no andamento dessas questões. Também sou um fã incondicional de Nelson Mandela, um político que lutou pela verdadeira igualdade racial na África do Sul, sem revanchismo ou vitimismos. E sei também que ainda hoje há casos de preconceito racial nos EUA, contra negros e, mais recentemente, contra muçulmanos. Ainda temos ocorrências de uso da força exagerada pela polícia. Mas, hoje, em 2016, são casos bem mais isolados, como mostram as estatísticas, que eram nos anos 60 e 70, por exemplo.

Uma prova disso é que nesse período era muito comum uma pergunta ou classificação para determinados jogadores. Doug Willians, ex-QB do Washington Redskins, durante o Media Day do Super Bowl XXII foi questionado “Há quanto tempo você é um quarterback negro”. À época, apesar de muitos negros já estarem na liga, tínhamos raros jogadores na posição tida como principal do ataque e mais raros ainda treinadores na NFL. Hoje, temos Tony Dungy e Mike Tomlin já consagrados com um troféu Vince Lombardi além Lovie Smith e Jim Caldweel com carreiras sólidas, para citar alguns treinadores. No última temporada, Cam Newton foi o MVP da temporada regular e Von Miller do SuperBowl. Em poucos momentos, foi destacado o fato de que ganharam os prêmios dois negros, e sim que ganharam dois grandes jogadores, por seus feitos e méritos incontestáveis. Isso que é igualdade de fato, quando paramos de classificar a etnia para olhar apenas os méritos e conquistas próprias dos jogadores.

Quando Colin Kaepernick faz o protesto, ele nada mais que coloca novamente a rotulação das pessoas em pauta. Novamente voltamos a destacar as etnias e não mais os feitos conquistados. Sim, ainda há casos de discriminação racial, religiosa, étnica, de orientação sexual entre outras nos EUA e no mundo. Mas, toda vez que classificamos e rotulamos as pessoas por essas questões fomentamos cada vez mais a separatividade e, como conseqüência, o ódio, que o inverso. Cam Newton foi o melhor jogador da temporada regular no ano passado não por que era negro, mas pelo seu ótimo desempenho, assim como Von Miller no SuperBowl, como LeBron James na NBA e tantos outros casos. Casos de racismo devem ser repreendidos sim. Porém, dado a situação atual, o protesto de Colin Kaepernick é totalmente desnecessário.

O texto acima representa a opinião do autor e não do HTE Sports e outros membros do site.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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