Turnover – Eles valem o quanto custam?

Toda semana da NFL nos propõe uma reflexão acerca do jogo. A segunda rodada dessa temporada questiona se os quarterbacks valem o que custam para os cofres as franquias. Após alguns anos na liga alguns deles assinam contratos simplesmente milionários, como Andrew Luck, do Indianapolis Colts, que receberá cerca de 140 milhões de dólares por seis anos do contrato firmado na última off-season, consumindo boa parte do salary cap da equipe. E o que temos? Uma equipe que não tem secundária, linha ofensiva e jogo corrido decente. Consequentemente, pelo terceiro ano seguido, os Colts começam com 0-2 a temporada.

Em contra-partida, o Denver Broncos, último adversário da equipe de Indianapolis, está com Trevor Siemian no posto de signal caller da equipe, um jogador escolhido na sétima rodada do draft do ano passado. Não, Siemian não é melhor tecnicamente que Luck, não seria insano de dizer isso. Mas a equipe de Denver conta com uma das melhores defesas da liga, se não for a melhor, uma linha ofensiva que protege bem seu quarterback e um jogo corrido consistente. Ou seja, tem um plantel mais completo o que faz da equipe um contender para os playoffs e repetir a aparição no SuperBowl em fevereiro para defender o título, mesmo com um QB inexperiente e sem tantos recursos técnicos.

E não foi só no duelo entre Broncos e Colts nesse fim de semana que vimos isso. Os Patriots, ainda sem Tom Brady, venceram com seu reserva as duas primeiras partidas da temporada, sendo uma contra o Arizona Cardinals, fora de casa. Os Vikings perderam Bridgewater por lesão, mas também seguem invictos até aqui, com uma vitória com Shaun Hill e outra Sam Bradford, essa no clássico de divisão contra os Packers. Tanto Vikings como os Patriots mostram que uma equipe não se faz apenas de um jogador.

É óbvio que o QB é muito importante, ainda mais numa época em que o jogo aéreo é tão valorizado na NFL. Sem contar que estão sempre os primeiros na mente das pessoas quando pensam em um ídolo no esporte e na equipe para qual torcem. E são os jogadores que chamarão mais público novo para a liga, uma vez que as jogadas mais plásticas do esporte sempre passarão por eles. Mas também passou um pouco da hora de, principalmente os GMs, pensarem se vale o valor que estão colocando nos QBs. Não só em contratos, mas nas negociações para terem esses jogadores. O Los Angeles Rams hipotecou seu draft para selecionar Jared Goff e não o colocou em campo ainda. “Pior”, nesses dois jogos não tem TDs, mas já tem uma vitória (9 x 3 sobre os Seahawks na última rodada). O próprio Vikings citado anteriormente aqui que trocou escolhas altas de draft por um QB que ainda não se provou em cinco anos na liga como Sam Bradford.

A torcida não cresce apenas com ídolos, mas também com títulos. E, para chegar lá, às vezes, um QB nota 7 pode ser muito mais importante que um QB nota 10. Distribuir o dinheiro e as escolhas de draft para outras importantes posições da equipe pode ser muito mais efetivo a longo prazo que hipotecar o salary cap ou as seleções de novos jogadores por um único jogador. Essa é a reflexão que a semana 2 da NFL trouxe.

Overrated

O Minessota Vikinss começa a temporada com 2-0 e uma importante vitória sobre um rival direto de divisão e considerado por muitos como um dos favoritos ao SB. Mas as contusões estão aparecendo em nomes importantes como Adrian Peterson. Vai ser complicado manter essa pegada.

Underrated

O Dallas Cowboys perdeu Tony Romo, mas parece ter ganho seu futuro. Nos dois jogos até aqui, dois confrontos direto de divisão, Dak Prescott vem se mostrando muito seguro. Apesar de não ter lançado TD, também não lançou interceptação e está com um pass rating de 83.1. Um QB muito promissor para a equipe texana.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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