Vôlei Feminino – Os desafios de José Roberto Guimarães

Na última sexta-feira foi confirmado pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) a continuidade do treinador José Roberto Guimarães a frente da seleção brasileira feminina. Bi-campeão olímpico com as meninas em 2008/2012, além do título olímpico com os homens em 1992, seguirá por mais um ciclo olímpico, de olho em Tóquio/2020. Uma decisão acertada da CBV, na humilde opinião deste que vos escreve, pois enfrentaremos um período de renovação forte na seleção feminina nos próximos anos.

E esse será o principal desafio de Zé Roberto: Remontar uma equipe que, sem dúvidas, foi a melhor geração do voleibol feminino. Mesmo a queda para China nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro não mancham a bela trajetória dessa seleção. Mas, depois dos Jogos, as aposentadorias da seleção foram aparecendo. Sheila e Jaque puxaram a fila que ainda pode ter Fernanda Garay e Fabiana. Dani Lins também pode ser uma a não jogar mais pela seleção por razões particulares (deseja ser mãe após a disputa da Superliga 2016/2017). Isso sem contar Camila Brait, que após o seu corte antes dos Jogos Olímpicos já declarou que não joga mais pela seleção.

Ainda há o caso da central Thaísa que recentemente, na BandSports, condicionou seu retorno a seleção a mudanças no comando. Na oportunidade, disse que “passou poucas e boas” durante o ano, questionou seu aproveitamento no jogo contra a China e nas partidas anteriores das Olimpíadas, afirmando que depois do segundo jogo já estava 100% fisicamente e, quando confrontada sobre o que poderia ter feito de diferente nos Jogos, dizia que a pergunta deveria ser direcionada ao treinador. Enfim, deixou transparecer um problema de relacionamento com Zé Roberto. Não sei se a ponto de não jogar mais na seleção enquanto ele for técnico, mas deixou claro o desconforto com as situações vividas durante o período da seleção.

Dessa maneira, “sobram” como expoentes para liderar a renovação em quadra basicamente as ponteira Natália e Gabi além da líbero Leia, para citar atletas que jogavam regularmente nas partidas mais importantes. São poucas jogadoras, considerando um grupo de pelo menos 15 atletas para grandes competições. Isso exigirá uma adaptação muito mais veloz de jogadores que disputarão competições pelas seleções de base já no ano que vem, com um Grand Prix a vista. E também precisaremos prestar muita atenção em equipes que (até por falta de orçamento) privilegiam atletas mais jovens, como o São Cristovão Saúde/São Caetano, nas próximas SuperLiga.

Por isso foi importante a continuidade de Zé Roberto Guimarães na seleção. Um dos maiores nomes da história do voleibol nacional e mundial (o maior no Brasil, novamente na humilde opinião deste que vos escreve) é a pessoa ideal para comandar esse processo nesse ciclo que será bem difícil em termos de patrocínio, estatal e privado. Vale lembrar que mesmo os Jogos Olímpicos de Tóquio terão uma exposição pequena ao público por conta do fuso-horário Brasil/Japão. Isso pode afastar muito dos investimentos de algumas empresas e complicar o trabalho das modalidades olímpicas, com o vôlei fazendo parte disso. Nessa horas, é importante se cercar dos melhores. E é muito bom contar com Zé Roberto no processo.


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Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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