CLUBE DA FÉ #85 – O cara errado na hora errada

De uns anos para cá desenvolvi uma teoria sobre treinadores de futebol, principalmente aqui no Brasil. Nessa teoria, vejo que há perfis de treinadores para cada momento da equipe. Quando o time está na fase de construção, um Cuca, que sabe estruturar bem taticamente uma equipe, como vimos no São Paulo em 2004, é um ótimo nome. Ou mesmo um bom nome estrangeiro, como foram, na minha visão, Osório e Bauza. Quando o time está precisando apenas aquele retoque final para conquistar um título, Muricy Ramalho e Abel Braga caem bem. Agora, quando o time está em frangalhos, mas precisa de alguns pontos para se livrar de um vexame histórico, é necessário aquele treinador estililo general, com histórico e recursos táticos, que sabe armar uma defesa para fechar a casa e jogar por uma bola. Ricardo Gomes não se encaixa nisso.

Ex-zagueiro da seleção brasileira, Ricardo Gomes fez trabalhos que no máximo podem ser considerados razoáveis ao longo de sua carreira. Mesmo quando assumiu o São Paulo em 2010, após saída de Muricy Ramalho, tentou mudar a cultura de três zagueiros da equipe mas não tinha êxito. Aos trancos e barrancos (e com uma boa dose do STJD prejudicando uma condição melhor) conseguiu o terceiro lugar no Brasileirão e a classificação para a Libertadores de 2011. Competição em que, em futebol jogado, o São Paulo foi bem limitado. Basicamente, tivemos um grande momento, contra o Cruzeiro nas quartas, com duas vitórias por 2×0, construídas em circunstâncias de jogo. No primeiro jogo no Mineirão, duas bolas no ataque e dois gols. No Morumbi, a expulsão de Kléber aos dois minutos. Na oportunidade, o time ficou mais de um mês somente treinando para as semi-finais. Voltou pior, perdendo diversos jogos no Brasileiro e, contra o Internacional no Beira-Rio pelas semi-finais, não conseguiu sair da intermediaria. Perdemos lá, vencemos aqui, mas sofrendo um gol e fomos eliminados.

De lá para cá, perambulou principalmente nos times do RJ. Um ou outro resultado relevante, mas nenhum time com desempenho fora do comum. Quando a coisa desandava, não tinha estofo para aguentar. E hoje, no São Paulo, a coisa já desandou há algum tempo. Chegou com a janela fechada, com um elenco mal formado, sem jogadores de qualidade em algumas funções, principalmente no meio-campo, além de jogadores birrentos e paneleiros como Michel Bastos. Era necessário nesse momento ou um treinador criativo, para melhorar o posicionamento ofensivo e defensivo, ou um chefão, para colocar todo mundo na linha e acabar com essas panelinhas. Ricardo Gomes não é nenhum dos dois. É do nível de Doriva, que assumiu em situação similar no ano passado, mas com um bastidores muito mais complicado. Um treinador mediano e que em nada melhorará o time. Basta ver a quantidade de gols sofridos em escanteios e faltas laterais e a baixa quantidade de chutes a gol que a equipe consegue produzir durante os jogos.

Infelizmente, mesmo com 6 vagas agora pelo Brasileiro, seguiremos lutando apenas pela sobrevivência. E torcendo para o ano acabar logo, para que Ricardo Gomes deixe o cargo de treinador e uma reformulação (novamente) seja feita tanto no corpo técnico, como de jogadores. O São Paulo não pode se contentar com o que tem se visto nos últimos 6,7 anos, tanto em resultados como em desempenho. A alma de campeão precisa voltar. E estou convencido que Ricardo Gomes não é talhado para isso.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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