CLUBE DA FÉ #86 – O custo Libertadores

Ser semi-finalista da Libertadores, obviamente, significa estar ser uma das quatro melhores equipes da América, correto? Automaticamente podemos presumir que uma equipe que alcança essa condição é forte, não é mesmo? Mas o que esse ano de 2016 têm mostrado para os são-paulinos é uma realidade bem diferente. Mostra que, principalmente para os dirigentes do clube, os resultados são o ópio das análises críticas. E o preço é alto.

Escrevo esse texto antes do jogo dessa segunda-feira, diante do Fluminense fora de casa. Nesse momento estamos uma posição acima dos que seriam rebaixados para a série B, com um mísero ponto de vantagem. Uma eventual vitória hoje não mudaria minha análise e opinião sobre o que vou escrever a seguir.

O ano iniciou com uma expectativa baixa do São Paulo. E os desempenhos no Paulista e no início da Libertadores condiziam com isso. Futebol fraco, classificação sofrida na pré-Libertadores e derrota em casa para o fraquíssimo The Stronghest na estreia da fase de grupos mostravam que o ano seria complicado. Mas bastaram uma goleada sobre o Trujilanos e um bom jogo contra o River Plate no Morumbi para acender a chama novamente. A atuação perfeita no primeiro jogo das oitavas de final contra o Toluca corroborava para isso. Já nas quartas de final, contra o Atlético Mineiro, já dava para ver que o time chegava em seu limite, mas a classificação para a semi-final trazia a esperança de que sim, na base da raça e na técnica de poucos jogadores poderíamos alcançar o apogeu. Veio então a famosa parada da Copa América e, nos enganando sobre nosso potencial, falhamos em corrigir as falhas clamorosas do elenco e construímos uma expectativa difícil de ser atingida.

Algumas coisas eram claras nesse momento. Não tínhamos reservas para Calleri e Ganso e suas saídas após a participação na Libertadores eram inevitáveis. Michel Bastos já vivia crise de amor e ódio com a torcida, bem como péssimo momento técnico além das questões de vontade de entrar em campo. Os volantes Thiago Mendes, João Schmidt, Hudson e Wesley tinham atuações bem irregulares. E os dois principais nomes da base (Lucas Fernandes e David Neres) estavam machucados. OU seja, o resultado de estar nas semi-finais da Libertadores e a expectativa sobre um possível título era enganosa.

E, vivendo esse engano, vivendo essa falsa expectativa, a diretoria dormiu no ponto. Não vou dizer que errou no esforço para contratar em definitivo o zagueiro Maicon. Considero esse um dos poucos acertos nesse período. Não consigo ter confiança em Rodrigo Caio, Lyanco ainda precisa evoluir para assumir a condição de titular e Lugano tem limitações físicas por conta da idade para jogar em alto nível. E Cueva e Chavez entraram até certo ponto bem na equipe. Mas Cueva não é armador e Chavez não era centroavante. Em suas equipes anteriores, os dois ocupavam a mesma faixa de campo, o lado esquerdo ofensivo. Onde por lá jogava Michel Bastos. Ou seja, essas contratações não resolveram o problema ocasionado pela saída dos dois jogadores mais talentosos e ainda ampliaram um já existente.

Quando terminamos nossa participação na competição sul-americana a janela internacional já estava fechada. O Campeonato Brasileiro já tinha rodadas suficientes para fazer com que os jogadores bons e possíveis de contratações tivessem disputado mais de 6 partidas. Incluindo Michel Bastos, que poderia ser uma moeda de troca interessante no mercado. E chegamos nesse ponto que nos encontramos hoje. Um goleiro que, por mais que faça um milagre ou outro em alguns jogos, não inspira confiança. Um meio campo que não marca e não cria e um ataque que não sabe chutar em gol (somos o terceiro pior em número de gols no Brasileiro).

Talvez se tivéssemos caído na fase de grupo da Libertadores a reformulação tão necessária no elenco tivesse vindo antes, com mais oportunidades no mercado. Se não tivéssemos ido tão longe na Libertadores, algumas decisões seriam antecipadas. O momento atual é culpa da dormida no ponto dos dirigentes tricolores por conta da expectativa irreal criada sobre um sucesso conquistado em três ou quatro atuações no semestre. O custo de ser semifinalista da Libertadores está alto. Estamos pagando muito caro por isso. O calvário para nos livrarmos desse vexame histórico será ainda muito longo. O ano de 2016 será muito longo para nós, são-paulinos.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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