CLUBE DA FÉ #87 – Cotia é solução?

Duas vitórias nos dois últimos jogos e saímos do buraco. Agora a 7 pontos do Z4, o risco de um vexame histórico diminuiu bastante. Basicamente, com mais 3 pontos poderemos nos considerar livre desse fantasma. Mas o que mais entusiasmou a torcida tricolor nessas duas partidas foram as entradas de jogadores da base, em especial o meia-atacante David Neres. Canhoto, ágil e habilidoso, Neres entrou no segundo tempo do jogo contra o Fluminense na segunda-feira passada e por duas vezes deixou o adversário na saudade e acertou os cruzamentos que por pouco não se transformaram em gol. E contra a Ponte Preta no último sábado, apesar do nervosismo natural de um primeiro jogo como titular em um estádio lotado, teve boa participação e foi coroado com um gol no final do jogo que determinou a vitória tricolor.

Com isso, não tem sido raro ver nas notícias comentadas e em fóruns do São Paulo pela internet a seguinte escalação para o início de 2017: Lucas Perri, Foguete, Lyanco, Rodrigo Caio e Inácio; João Schmidt, Banguelê, Lucas Fernandes, David Neres e Luiz Araújo; Pedro Bertuluzzo. Somente jogadores da base para a disputa do campeonato paulista. A pergunta que faço é: Somente com jogadores jovens, conseguiremos encarar os clássicos? Esses jogadores estão todos preparados para encarar jogos do profissional com a exigência física e emocional que eles envolvem?

Vamos a alguns dados. Esse ano, o São Paulo disputou a Copa Paulista, torneio da federação estadual para que os clubes que não estão nas quatro divisões do Brasileiro tenham calendário no segundo semestre, somente com jogadores do sub-20. E fez um bom papel, chegando a segunda fase da competição, encerrando sua participação há duas semanas. Veja bem, jogando contra equipes que não estão nem na quarta divisão chegar a segunda fase é considerado um bom papel na competição, caindo fora da disputa de título. Isso mostra como a exigência de jogo é diferente entre os profissionais e sub-20.

Não estou dizendo que não temos uma boa geração. Pelo contrário. Acho que temos muitos bons valores. No começo do ano, num debate na redação do HTE Sports, critiquei a contratação de Kelvin, achando-a inútil (e ainda acho) e que tiraria o espaço de David Neres nesse processo. Essa geração ganhou quatro títulos o ano passado, incluindo a Libertadores da categoria, então obviamente, temos bons valores nela. Mas achar que todos darão certo e que somente com eles poderemos encarar um campeonato estadual que seja não me parece razoável. Até porque se destacar na base não significa necessariamente sucesso no profissional. Lucão, Sérgio Mota, Henrique, Ademílson, Matheus Reis são casos recentes de jogadores que saíram de Cotia mas não vingaram no profissional, por uma série de razões.

É preciso ter calma com esses jogadores. David Neres vem mostrando personalidade, chamando o jogo e construindo situações de gol com sua habilidade. Luiz Araújo, por sua vez, vem mostrando timidez em campo e poucas decisões inteligentes quando tem a bola. Rodrigo Caio já está consolidado na nossa zaga mas Lyanco ainda não se adaptou completamente. Lucas Fernandes fez bons jogos mas também mostrou deficiência física para encarar volantes e zagueiros mais fortes fisicamente que os do sub-20.

Por isso, vamos com calma. Lembrem-se da geração que subiu Oscar, Wellington, Diogo e Henrique. Desses, somente Oscar pode-se dizer que vingou no profissional, embora a “fama” gerada pelo marketing de um bom início tenha ajudado seus empresários a forçar a barra para que ele saísse do São Paulo logo após seus primieiros jogos como profissional. A base de Cotia precisa ser mais utilizada do que foi nos últimos anos. Precisamos parar de contratar jogadores meia-boca como Reinaldo, Kelvin, Róbson, Gilberto dentre outros que vieram nos últimos tempos. Para resrva, melhor um jogador da base que uma porcaria contratada, mesmo que por empréstimo. Mas não dá para termos um time inteiro de jogadores da base. Jogadores experientes como Maicon, Buffarini e mesmo Lugano que não tem jogado mas tem sido muito importante do Lyanco como zagueiro e na formação de lideranças como a de Rodrigo Caio (que teve um ato muito legal de entregar a faixa de capitão para Wellington que voltava de um longo período afastado por lesão) é extremamente importante para auxiliar esses jovens. E também apostas em jogadores até certo ponto jovens e de mercado como Cueva e Thiago Mendes, que já estão habituados com o profissional e em bom ritmo de competições, podem tirar um peso inicial de “resolva” agora dos meninos da base.

Sem o fantasma do rebaixamente e com chances bem próximas de zero de conseguir qualquer coisa a mais nesse restante do Brasileiro, temos o cenário ideal para maturar esses jogadores. Deixem David Neres em campo o maior tempo possível, assim como Pedro e porque não colocar em alguns momentos Foguete, Shaylon, Maidana e outros que ainda não estrearam. Não todos juntos ao mesmo tempo, mas com a companhia de alguns outros mais experientes. Os resultados não terão tanto impacto e poderemos ganhar boas opções para fazer um 2017 bem diferente, com uma boa mescla de jogadores já consolidados e os jovens de Cotia.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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