De Bandeja – O Risco Rio

Flamengo e Vasco se encontraram ontem pelo Campeonato Carioca de Basquete. Com grande jogo do veterano armador Nezinho, que anotou 19 pontos e 3 assistências, o Vasco venceu o Flamengo por 82 x 77, mostrando que voltou para a elite do basquete nacional para rivalizar com o rubro-negro que tem dominado o basquete nacional nos últimos anos. Poderia ser uma notícia 100% positiva, com a volta de um dos clássicos do futebol e que já foi muito forte no basquete brasileiro, principalmente na virada desse século. Porém (e sempre temos um porém) um fato já conhecido no futebol está vindo para as quadras também: As torcidas organizadas. E isso é um fator de risco, tando no Estadual do Rio de Janeiro, quanto para a NBB que irá começar logo mais.

E, antes de emendar meu raciocínio sobre o tema, deixo claro que os clubes envolvidos fossem Cruzeiro e Atlético-MG, Grêmio e Inter, Corinthians e Palmeiras, enfim, qualquer rivalidade regional proveniente do futebol, que a lógica do pensamento seria o mesmo. Infelizmente, esses atos de torcedores organizados não discrimina nem clubes nem estados. Hoje estamos falando de dois clubes do Rio de Janeiro, mas poderia ser qualquer rivalidade proveniente do futebol que a problemática seria a mesma.

No futebol já ficou claro para a maioria que esse tipo de torcida trouxe mais malefícios que benefícios ao esporte. Brigas, enfrentamentos e violência não são raros no noticiário. Sejam entre torcidas rivais ou mesmo entre torcidas organizadas da mesma equipe. Afinal, muitos que comparecem aos jogos enxergam na partida apenas um mero detalhe, algo menor diante da necessidade interior de mostrar que sua ideologia (que no caso é sua torcida) é melhor que as demais. De certo modo, pode parecer forte o que vou dizer, mas não vejo diferenças grandes entre uma torcida organizada e o ISIS (Grupo terrorista do Estado Islâmico). Muda apenas o motivo da guerra, mas o fanatismo (a doença, como comentei nesse artigo meses atrás) está presente como o motor dessas pessoas.

E a migração do futebol para o basquete tende a ser bem aproveita por esse grupo. No futebol, bem ou mal, por existir uma visibilidade grande, os confrontos dessas equipes são tratados como jogos de risco e o policiamento nas ruas e nos estádios aumenta, bem como ações de segurar uma torcida no estádio até que a outra deixe completamente as imediações. Há divisórias claras nos estádios e os enfrentamentos são diminuídos por conta disso. Não zerados, como vemos nos noticiários, mas bem reduzidos em relação ao que podiam ser. Já os jogos do Estadual de basquete e mesmo da NBB não terão essa visibilidade. Consequentemente, menos cobrança da mídia de ações preventivas. Os ginásios, como os do Tijuca Tênis Clube, não possuem estrutura similar aos estádios. E os enfrentamentos têm tudo para ocorrer em proporções fortes nesses confrontos. As provocações, que fazem parte da rivalidade, já começaram. E, com jogos tão acirrados como os de ontem e os que ocorreram no Super-Four Rio/Nordeste semana passada, tendem a exaltar demais os animos dos fanáticos que estão à um grito de “Chupa” para partirem para a briga.

A rivalidade é importante e é ela que move a paixão e pode trazer um bom salto de público e interesse para o basquete. Mas traz consigo o risco do fanatismo. E daqui a pouco veremos as medidas “brilhantes” das autoridades, como as tomadas aqui em São Paulo de torcida única, que de nada resolvem a questão da violência e servem apenas para alguns se promoverem sobre a causa. Além do risco de depredação dos dois belos ginásios cariocas (Maracanãzinho e HSBC Arena) que devem ser utilizados durante o NBB nesses embates. Tomara esteja errado, que a rivalidade volte de forma sadia. Mas, sinceramente, pelos acontecimentos de ontem, não vejo isso acontecendo. Não querendo ser profeta do apocalipse, mas os jogos da NBB entre Flamengo e Vasco devem ter tratamento de jogos de risco, seja em qual ginásio for realizado.

Crédigo/Imagens: GloboEsporte.com

Nota: Alguns leitores já me comentaram que a briga de ontem não foi entre as torcidas de Vasco e Flamengo, mas somente das torcidas do Flamengo. Isso é verdade, mas a questão desse texto não é falar da briga em si, mas do risco da rivalidade e da entrada das organizadas do futebol no basquete. E, óbvio que não foi culpa da torcida ou do clube do Vasco os eventos de ontem, mas, sem a presença do rival na elite, quantas vezes já tínhamos visto a torcida do Flamengo brigar entre si no ginásio nos últimos 7 anos? É esse o ponto que o fanático vai pegar. Tendo um rival, o animo será exaltado e os confrontos, entre torcidas de times rivais ou torcidas da mesma equipe, começaram a ocorrer. Por isso o texto sinaliza para o risco da rivalidade e do movimento das torcidas organizadas das arquibancadas dos estádios para o ginásio.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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