De Bate-Pronto: A aversão ao novo

“Ódio ao futebol moderno”, “saudades da época de Pelé”, “tecnologia no futebol? Vai acabar com o espetáculo”. Quem nunca ouviu alguma das frases acima? Parece que há um clamor geral pelo antigo, pelo velho. Uma aversão ao que é novo. Mas, o que é novo é tão ruim assim? É tão pouco proveitoso? Não é melhor que antigamente?

Os que profanam ódio ao futebol moderno são os mesmos que se deliciam com o futebol de Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Suarez e outros jogando do outro lado do Mundo no conforto do seu sofá. Pergunte ao seu pai, mãe ou avô ou avó se eles tinham a mesma facilidade em ver Romário e Rivaldo jogando pelo Barcelona, Sócrates jogando na Itália, Ronaldo Fenômeno brilhando na Europa na década de 90. Se a resposta for não, parabéns! Você se descobriu um amante do futebol moderno instantaneamente. É o tal futebol moderno que te permite ser sócio-torcedor e ter vantagens com isso; é o futebol moderno que concede jogos inesquecíveis da Champions League, UEFA Europa League, Premier League, La Liga, Bundesliga e etc. Se não concorda ou não acredita, repita a pergunta aos mais velhos, se eles acompanhavam o futebol da mesmíssima forma como você acompanha hoje. Mas, ao primeiro sinalizador apagado, volta toda a ladainha do ódio; mas isso não é culpa do futebol moderno, isso, e outras coisas, é culpa de uma confederação que não sabe administrar e não reconhece a identidade do torcedor que ela gerencia.

Jogadores de antigamente são sempre lembrados de forma saudosa. E comparados com os maiores de hoje. Muitos dizem que Messi e Cristiano Ronaldo estão muito abaixo de Pelé, Maradona, Di Stefano, Garrincha, Puskas e etc. Será? O futebol hoje em dia é, sim, marketing, negócio. E todo mundo sabe que quando tem dinheiro no meio, a coisa fica séria. Por conta disso, da tecnologia e da evolução natural de todos os esportes, o jogo de hoje é muito mais técnico, muito mais veloz e muito mais tático. Os zagueiros de hoje não são os mesmos da época do Pelé. Hoje, inclusive, eles têm funções táticas, e de até fazer gols, cobrar faltas e pênaltis. Com todo o respeito, mas Pelé contra os zagueiros de hoje, faria 1000 gols? Muito difícil. E falando não só em zagueiros, mas também nos meias e nos atacantes, que hoje também defendem. É, sem dúvida, muito mais difícil fazer 500 gols hoje do que 1000 gols nas décadas de 60 e 70. Pelé e todos os citados como jogadores antigos estavam muito à frente do seu tempo, e a importância deles era essa, mas os jogadores de hoje em dia são muito mais completos. É impossível saber, mas com os fundamentos que os jogadores têm, com toda a velocidade, drible e qualidade na finalização, talvez Messi e Cristiano Ronaldo (os melhores dos tempos atuais) fariam muito mais do que 1000 gols na mesma época de Pelé. E até de Maradona.

O novo nos proporciona mais que o antigo. Os jogadores, de uma forma geral, em todas as posições, são muito melhores preparados e tomam funções diversas no campo, transformando o jogo em algo mais dinâmico. Por que, então, a aversão ao que é novo? Não que este texto seja a maior verdade do mundo, mas da próxima vez que você ver um “Ódio ao futebol moderno”, pense de forma mais crítica invés de sair dando RT e Like.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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