HOSPÍCIO #85 – Jô é a solução?

Jô. Revelado pelo Corinthians em 2003, aos 16 anos, surgiu como uma promessa. Precoce, também teve na sua saída para a Europa como algo muito novo. Não vingou, teve diversas oportunidades e pouco brilho. Porém, está de volta. Seria ele a solução para o Corinthians?

 

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Aos 18 anos, Jô estava no CSKA. Lá, teve o melhor ano de sua carreira: 47 gols em 83 jogos (média de 0,56 gol por jogo). Com a boa média, foi contratado pelo Manchester City. De lá em diante, ladeira abaixo: Everton, Galatasaray, Internacional, Al-Shabab e Jiangsu Suning. O último bom ano (bom, nada além disso, individualmente), foi no Atlético-MG: 39 gols em 127 jogos (média de 0,30 gol por jogo). Jô ainda foi convocado, inexplicavelmente, para a Copa de 2014, e nada fez. Fred e ele não formavam um bom ataque para nossa seleção (até ridículo, se considerarmos o desempenho da dupla em uma Copa do Mundo).

Jô não parece ser a solução. Ao contrário, parece que será um problema colossal para a diretoria e para a torcida corinthiana. Contrato, acreditem, de 3 anos; 350 mil de salário (segundo informações não oficiais) por mês. Na crise financeira e técnica que o Corinthians vive, isso não é bom de forma alguma. No Jiangsu Suning, foram 9 gols em 24 jogos (média de 0,37 gols por jogo). Fez uma boa temporada, mas o futebol chinês não deve servir de parâmetro. É muito mais fraco que o futebol brasileiro.

Os últimos centroavantes do Corinthians foram: Vagner Love, André e Luciano. Gustavo não será considerado aqui, porque não conseguiu marcar ainda. Das médias de gols destes: 0,25 gols/jogo (Luciano), 0,20 gols/jogo (André) e o melhor 0,32 gols/jogo (Vagner Love). Jô só teve média superior à média de Vagner Love no CSKA (2005-2008), há 8 anos, e na China (que não deve servir de parâmetro). Faz muito tempo. Para o lugar dele, existe um caminhão de centroavantes melhores que poderiam vir.

Borja, atacante do Atlético Nacional, está entre os jogadores que mais fizeram gols no Mundo em 2016. Só marcou menos que Messi, Cristiano Ronaldo e Suarez. São 39 gols em 49 jogos (média incrível de 0,79 gols por jogo). E, talvez, os valores para a contratação dele sejam parecidos ou menores até que os de Jô. Fora isso, sem considerarmos as tantas outras opções no mercado sul americano, temos jogadores na base que seriam melhores aceitos e têm mais potencial que Jô.

De toda a forma, a torcida para que a volta de Jô seja o melhor ano da carreira dele, não faltará. Esperamos que, sim, dê certo no Corinthians. Mas os números, o próprio jogador e o senso comum que todo torcedor tem, sabem que isso será muito difícil.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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