CLUBE DA FÉ #88 – Figurinha repetida não completa álbum

Certa vez quando trabalhava na região de Pinheiros em São Paulo estava voltando com o ônibus fretado para minha casa em São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital paulista. No meio do caminho, uma amiga minha de infância sentou ao meu lado. Fazia muito tempo que não a via e, conversando sobre a vida, acabamos falando do relacionamento dela com outro colega meu, que morava no mesmo condomínio e que volta e meia estava namorando ela. Ficavam juntos por 1 ano, separavam seis meses, ficavam juntos mais seis meses, separavam, voltavam e isso se repetia por vários meses e anos. Um hora da conversa comentei que achava que eles iriam acabar se casando um dia. Sua resposta foi enfática: “Figurinha repetida não completa álbum”.

Mas que raios de história é essa? E o que isso tem a ver com o Luís Fabiano na foto destacada acima? Assim como meus amigos, a relação Luís Fabiano e São Paulo já tiveram seus momentos e separações. E com o fim do ano próximo, com o tricolor paulista não almejando mais nada na competição nacional, fica para nós torcedores apenas a expectativa de 2017 e as especulações de reforços que façam nossa equipe brigar por títulos o ano que vem. É notório que precisamos de um centroavante. E Luís Fabiano encerrou seu contrato na China. Foi a fagulha que precisava para acender em parte da torcida a vontade de ter o antigo camisa 9 novamente na equipe.

Ocorre que as boas lembranças que temos do atacante com a camisa tricolor muitas vezes ofusca as más. Os gols feitos, principalmente em clássicos contra o Corinthians, fazem-nos esquecer ou minimizar as expulsões imbecis em jogos importantes, as seguidas lesões e as diversas confusões extra-campo. Luís Fabiano já soma três passagens com a camisa do São Paulo. Entrou para a história do clube como terceiro maior artilheiro da equipe, porém sem títulos importantes. E ainda, sua última passagem foi de mais momentos ruins que momentos alegres. Muitas lesões, declarações infelizes como a “infelizmente tive que ficar” depois de uma transferência frustrada em 2015 e falta de regularidade em campo e uma condição física já em decadência pela idade.

Não pense você, amigo torcedor são-paulino, que não vibrei com os gols dele. Gritei muito seu nome nas arquibancadas do Morumbi em 2003 e 2004. Vibrei com os dois gols contra o Cobreloa, na primeira partida de Libertadores que vi no Morumbi, na volta do São Paulo após 10 anos de ausência na competição continental. Cantei junto com toda a torcida seu nome quando errou o pênalti diante do Rosário Central, na partida mais emocionante que presenciei em nosso estádio. Mas já foi o tempo dele. O São Paulo precisa pensar em 2017/2018, não 2004. Precisa de jogadores que construíram uma nova equipe dominante, como montamos em 90/91 e em 2003/2004. Necessita de jogadores experientes de verdade, que servem como exemplos para a mulecada da base que deve ganhar mais espaço. E Luís Fabiano já provou não ser esse jogador. Pode até ser que consiga a marca de 20/25 gols em um ano. Mas o custo (e não estou falando do lado financeiro) será alto.

Como dizia minha amiga, figurinha repetida não completa álbum. E Luís Fabiano é essa figurinha. Agradecemos por todos os gols feitos com a camisa tricolor. Foi importante em determinado momento da história. Mas, certamente, não é o que precisamos no momento.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

%d blogueiros gostam disto: