CLUBE DA FÉ #89 – O que esperar de Ceni como treinador?

O ano de 2017 já começou estranho para o São Paulo. Após a derrota do Internacional na segunda-feira que eliminou matematicamente as chances de rebaixamento e como não temos nenhuma chance de brigar por vaga na Libertadores a diretoria optou ontem por já encerrar o contrato do treinador Ricardo Gomes. Embora considere desnecessário a demissão antes das rodadas finais do Brasileirão, sua saída era o primeiro passo para começarmos a planejar a próxima temporada. Ricardo Gomes é um treinador bem limitado e não está a altura das pretensões de qualquer torcedor. Pintado comandará o time nos dois próximos jogos, mas o técnico para a temporada de 2017 já está praticamente definido: Rogério Ceni.

Conforme os noticiários, falta somente alguns detalhes para que Ceni seja anunciado oficialmente para comandar o tricolor paulista no ano que vem. E as opiniões sobre isso são bem dividas. De um lado, a corrente que vê o óbvio: Falta de experiência na função e inspiração política na contratação, uma Leco deverá disputar a reeleição em abril e trazer um ídolo sempre acalma alguns ânimos, são as principais argumentações de quem não gostou da contratação. Ano de estudos e falta de grandes opções para técnico no mercado são dois argumentos dos favoráveis a Ceni.

Confesso que não sei muito bem o que esperar e tenho muitas dúvidas se Rogério Ceni será um bom treinador. Ninguém pode dizer que tem base para falar que será um fracasso ou sucesso. Não se pode dizer qual o padrão tático de sua preferência, como será seu relacionamento com antigos companheiros, como lidará com a questão dos goleiros que tem Dênis alvo de inúmeras críticas de torcedores da equipe. Também não dá para falar como será o trabalho dele com jogadores da base, que precisam ganhar mais espaço no próximo ano. Muito menos ainda temos clareza da qualidade do elenco que teremos em um ano sem a disputa da principal competição continental.

A única coisa que podemos ter certeza é de que Ceni tem algo a mais que o próprio emprego e salário como motivação para treinar a equipe. Podemos gostar ou não de seu jeito de ser, de seu ego muitas vezes inflado, mas ficou claro ao longo da sua trajetória como jogador do São Paulo o quanto ele se identificou e transformou o clube em sua segunda pele, sua segunda casa. Era óbvio em sua expressão facial a felicidade nos momentos bons e sua irritação e raiva com o que ocorria no clube e nos gramados no momento ruim. Por isso, tenho a certeza que ele será o primeiro crítico da equipe quando a mesma produzir desempenhos fracos como os que, infelizmente, nos acostumamos a ver nos últimos anos. O que não sei se terá a capacidade de transmitir para os jogadores a maneira de corrigir os erros e atuar melhor.

Fato é que ter uma personalidade com tamanha importância e história no clube dentro da comissão técnica é sempre importante. Serve como exemplo para os mais jovens e recém-chegados na equipe de sucesso. Pode transmitir com total credibilidade o que é ser jogador do São Paulo, nas vitórias e nas derrotas.

Em campo que fica a dúvida. Qualquer previsão sobre a qualidade do seu trabalho será mero chute gerado por algum preconceito, na acepção da palavra (Preconceito nada mais significa que tirar conclusões sem ter dados para analisar utilizando-se de qualquer motivação). O que nos resta agora é esperar e torcer para que Ceni seja tão competente como treinador como foi quando goleiro da camisa mais pesada do Brasil.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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