CLUBE DA FÉ #90 – Balanço 2016. Do pessimismo à perspectiva

Quando começou o ano estava conversando na redação do HTE sobre as expetativas dos times para a temporada. Era início de janeiro e o São Paulo ainda se encontrava em uma bagunça generalizada, com algumas contratações pífias como Kelvin e Kieza. Ao falar do nosso tricolor, o pessimismo tomava conta de mim. Achava que cairíamos na pré-Libertadores e que lutaríamos duramente contra o rebaixamento no Brasileirão.

E o resultado quase foi esse. As duras penas, passamos do Cesar Vallejo do Peru na fase preliminar da Libertadores. Com um futebol próximo ao rídiculo, quase caímos na fase de grupos. Mas aí veio os confrontos eliminatórios e com bons jogos contra Toluca e Atlético-MG veio aquela esperança de título e de bom desempenho. Tudo foi por água abaixo com lesões, principalmente a de Ganso, e a expulsão no primeiro jogo das semi-finais de Maicon. Eliminados, logo após perdemos também o treinador Edgardo Bauza para seleção argentina e Ricardo Gomes veio para tentar salvar o ano. Conseguiu, se é que é mérito isso, apenas não deixar o time cair da degola.

Resultados que se analisados a frio, foram melhores que a expectativa que eu tinha lá em janeiro. Não imaginava o São Pualo entre os quatro melhores da América. E depois de muita turbulência, começo a ver um pouco de perspectiva para um recomeço em 2017, com uma criação de uma nova equipe, com um novo espírito, sem alguns jogadores que já fizeram hora extra no elenco, caso de Michel Bastos, por exemplo.

Um dos fatores animadores foi a entrada de alguns jogadores promissores da base. E promissores de verdade, como David Neres e Lucas Fernandes. E tem uma geração que parece ser bem talentosa pelos resultados que vem conquistando. O sub-20 está com a mão na taça do Paulista e da Copa do Brasil. O sub-17 também conquistou o Estadual nesse fim de semana. Dessa maneira, o São Paulo recupera um pouco seu DNA de clube formador de talentos que são utilizados no profissional e, melhor ainda, com direitos econômicos próximos a 100% da maioria desses jogadores. Com o apoio de algumas peças experientes, como o próprio zagueiro Maicon, e outros “achados”, como Cueva, há a expetativa de um time melhor tecnicamente para o ano que vem, que poderá ser formado com calma, sem a pressão de uma disputa de Libertadores que é obsessão no clube.

Outro ponto que anima é o fato da identificação com a história vencedora do clube que devemos ter no ano que vem. Tanto no elenco, quanto na comissão técnica e na direção teremos peças que estiveram em conquistas do São Paulo. Lugano, por mais que não jogue, está no elenco e sendo primordial na evolução de Rodrigo Caio e Lyanco, além da formação da liderança de Maicon. Rogério Ceni, que ainda não dá para saber o que esperar dele como treinador, comandará a equipe. E Pintado, um dos expoentes da era-Telê, na coordenação técnica são extremamente importantes para passar para jovens e recém-contratados o que é o São Paulo, o tamanho da responsabilidade de vestir essa camisa e o tamanho da felicidade de se fazer história no Morumbi. Isso sem falar de Marco Aurélio Cunha, dirigente que ficou muito marcado na última era vitoriosa do São Paulo, mas ainda não está confirmado no ano que vem.

Tudo isso aliado a uma gestão financeira que parece ter colocado a casa mais em ordem, com patrocínio master para o ano inteiro, Sócio-Torcedor reorganizado e crescendo, nutre em nós, são-paulinos, a expetativa de vermos um 2017 melhor. Talvez ainda não com as conquistas de títulos que tanto ansiamos, mas com melhor desempenho nos clássicos, com um futebol mais consistente e sem polêmicas fora das quatro linhas. Esse é o São Paulo que espero no próximo ano. Com contratações certeiras, bom uso da base e futebol consistente da nossa gloriosa história.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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