De Bandeja – A página mais escura do basquete brasileiro foi escrita

“A noite é sempre mais escura antes do amanhecer”. Essa frase foi dita pelo personagem Duas-Caras, no segundo filme da triologia Batman de Christopher Nolan. Naquele momento, a cidade de Gotham estava assolada pelos crimes do Coringa e poucos viam a solução próxima. O basquete brasileiro vive situação semelhante. Nessa segunda-feira tivemos talvez o dia mais triste da história do esporte no país, com o anúncio feito pela FIBA da suspensão da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e seus afiliados (ou seja, os clubes) e todos os eventos ligados a entidade máxima do esporte.

Motivos para isso, conforme a carta da FIBA divulgada pela própria CBB, não faltam. O comunicado mostra, sem nenhuma dúvida, que a incompetência (para dizer o mínimo) tomou conta do gerenciamento da modalidade no território nacional. Dívidas astronômicas, não pagamentos de convites para participação no mundial, falha nas realizações de competições, como a etapa mundial no Rio de Janeiro do 3×3, o não envio de seleções para competições de base, dentre tantas outras coisas descritas mostram que a gestão de Carlos Nunes a frente da confederação foi, na melhor das palavras, patética. O blog Bala na Cesta, do ótimo Fábio Balassiano, jornalista que melhor cobre esse tema no país, tem um artigo completo que você pode ler aqui e portanto, não vou me alongar nisso.

Mais do que justa a punição a entidade, ela foi necessária. Albert Einstein, uma das maiores mentes do século XX, uma vez comentou “Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo grau de consciência que o gerou”. O que quero dizer com isso é que, por mais boas intenções que possam algumas pessoas que fazem parte da administração do basquete nacional tenham, como pode ser que tenham os pré-candidatos a presidência da CBB em pleito que, até novas informações, está programado para março do próximo ano, não seriam eles os mais capacitados para tirar o basquete brasileiro do buraco em que se encontra. O Flamengo, clube que foi prejudicado pela suspensão da CBB, uma vez que não poderá disputar a Liga das Américas enquanto perdurar a punição, foi enfático em sua nota oficial, ao falar que a recuperação, mesmo que pouca ainda, do basquete não foi pela CBB, e sim pela união dos clubes na formação da liga que hoje gerencia a NBB.

A intervenção da FIBA, que não é inédita no mundo (Japão e México já tiveram, por situações outras, a mesma punição), talvez seja a única maneira que o basquete brasileiro tem para adquirir uma administração e condução do esporte digna de sua história. Vamos lembrar que o Brasil já foi campeão mundial duas vezes no masculino e uma no feminino, exportamos nos últimos anos diversos jogadores para NBA e WNBA. Ou seja, o Brasil tem condições de ser um país importante no cenário mundial do basquete, mas com gestões pífias estamos vivendo esse momento vexatório.

É nisso que se agarra o fio de esperança que ainda tenho. Quem sabe essa foi a página mais escura do nosso esporte e o amanhecer esteja realmente mais próximo com essa medida da FIBA. Na próxima segunda-feira teremos entrevista coletiva dos dirigentes da CBB, incluindo o Sr Carlos Nunes. Se a entrevista não começar com uma admissão de culpa e de incompetência, será mais uma situação patética em que esses senhores serão protagonistas. Será mais um motivo para que a FIBA descredencie por mais tempo a CBB de participações de competições ligadas a entidade. Por favor Carlos Nunes, pelo bem do basquete brasileiro, peço que utilize esse entrevista coletiva apenas para uma coisa: Seu pedido de renúncia.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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