Em apenas um ano, Patrick Kluivert fez muito por Curaçao

Texto: Tarcisio Neri

No dia 05 de março de 2015, o mundo se surpreendeu, isso porque a diretoria da seleção de Curaçao, anunciou que o ex-atacante da seleção holandesa, Patrick Kluivert seria o novo treinador da seleção.

Para quem não sabe, Curaçao é uma ilha no Caribe que fica 50 km ao norte da Venezuela, território esse que ainda pertence a Holanda. O país conta, com aproximadamente 150 mil habitantes.

Patrick Kluivert não tinha tanta experiência no cargo para conseguir ter êxito como treinador de futebol em um país que não tem o futebol tão estruturado assim. Ele teve passagens como treinador do Twente B e antes de chegar em Curaçao, ele era auxiliar técnico da seleção holandesa.

Assim que Patrick Kluivert assinou com o país, ele sabia do tamanho da dificuldade que teria pela frente, afinal de contas, o país não tinha nem uma liga profissional de futebol, dificultando ainda mais a formação de uma equipe forte para conquistar uma vaga na próxima Copa do Mundo. Mas com sua chegada, vários jogadores europeus começaram a apostar no projeto do treinador e foram vestir a camisa da seleção.

Patrick Kluivert teve o reforço de jogadores profissionais, e conseguiu chegar mais longe do que todos esperavam. Como o país se localiza no Caribe, disputa as Eliminatórias pela Concacaf.

Hoje, o grande objetivo da seleção é a vaga para conseguir ter a chance de disputar a Copa Ouro, competição que a seleção disputa desde 1973.

O objetivo foi alcançado, isso porque Curaçao bateu Antígua & Barbuda e Porto Rico. Contra Antígua & Barbuda a vitória foi por 3×0, e contra Porto Rico, o jogo foi mais complicado, porem a vitória aconteceu com o placar de 4×2.

A seleção agora voltará a disputar a Copa Ouro depois de 44 anos, o problema é quem Patrick Kluivert não vai comandar a seleção. Kluivert comandava paralelamente o Ajax Sub-19, mas no último dia 14 julho, o PSG ofereceu a ele um cargo de diretor de futebol, e ele aceitou, deixando assim o comando da seleção, mas o ex-zagueiro holandês, Remko Bicentini de 48 anos, assumiu o comando da seleção e vem dando continuidade ao trabalho de Patrick Kluivert.

Mesmo não estando mais como treinador de Curaçao, Patrick Kluivert vai continuar ajudando no desenvolvimento do futebol no país.

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A torcida fica para que depois da passagem de Patrick Kluivert pelo país, o futebol consiga ganhar mais atenção, e consequentemente, tenha mais condições de se desenvolver e conseguir grandes feitos, ao menos nas competições de seu continente.

Agora, vamos detalhar todo o trabalho de Patrick Kluivert à frente da seleção de Curaçao.

Curaçao na Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018

Em 2012, aconteceu a separação das Antilhas Holandesas, e Curaçao teve apenas uma experiência em jogos contra outros países. Nas eliminatórias para a Copa de 2014, Curaçao tentou deixar uma boa impressão, mas não conseguiu se classificar. O país caiu em um grupo com Antígua & Barbuda, Haiti e Ilhas Virgens Americanas. Curaçao somou sete pontos, venceu dois jogos, empatou um e perdeu três. Essa pontuação não foi o suficiente para classificar a equipe para a terceira etapa das eliminatórias, então o país ficou pelo meio do caminho.

Quatro anos se passaram, e a expectativa em relação ao futebol começou a aumentar, mas não somente pela chegada de Patrick Kluivert, mas também porque jogadores famosos aceitaram o convite do até então treinador, de vestir a camisa da seleção e ajudar nessa missão de conseguir conquistar uma vaga nas principais competições locais.

Jogadores como o atacante Gino van Kessel, 23 (Slavia Praga/República Checa), o goleiro Eloi Room, 27 (Vitesse/Holanda), o atacante Feliciatiano Zschusschen (sem clube, esteve no Oss, da segunda divisão holandesa, em 2015/16), além do zagueiro Darryl Lachman, 26 (emprestado pelo Sheffield Wednesday/ING ao Willem II/Holanda), aceitaram trabalhar com Patrick Kluivert em Curaçao, mas vale lembrar que todos esses nomes, tem raízes no país, alguns nasceram lá ou tem nacionalidade.

Ao todo, Patrick Kluivert conseguiu levar seis jogadores profissionais para defender Curaçao, não podemos contar com Cuco Martina, lateral direito de 27 anos do Southampton que já vestia a camisa de Curaçao antes da chegada de Patrick Kluivert. Esses sete jogadores profissionais conseguiram fazer com que a seleção não tivesse problemas para passar das primeiras fases das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018.

Patrick Kluivert começou sua missão à frente de Curaçao contra a seleção de Montserrat. Mesmo com dificuldades, o time de Patrick Kluivert conseguiu passar de fase. Primeiro venceu em casa por 2×1 e depois, longe de seus domínios, empatou em 2×2.

Depois de passar por Montserrat, Curaçao teve pela frente a seleção de Cuba, uma missão ainda mais dura e complicada. O primeiro jogo aconteceu em Curaçao, e o jogo terminou empatado em 0x0, no jogo da volta, em Havana capital de Cuba, a partida terminaria mais uma vez empatada, só que dessa vez com gols. O confronto terminou em 1×1, e Curaçao derrubava uma grande força da América Central, isso demostrava que o trabalho de Patrick Kluivert estava começando a surtir efeito.

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O desempenho de Curaçao começou a animar demais a população da Ilha, e isso fez com que seis mil torcedores fossem ao estádio Ergilio Hato para torcer e tentaram empurrar a seleção diante da boa equipe do El Salvador. Mesmo Patrick Kluivert tendo sob seu comando vários jogadores profissionais e muito bons, não foi o suficiente para passar por uma seleção mais organizada e entrosada. El Salvador venceu por 1×0 na casa de Curaçao, colocando assim um ponto final no sonho do país de aparecer na Rússia como uma das 32 seleções que iriam disputar a Copa do Mundo. Essa derrota não fez o trabalho de Patrick Kluivert acabar, muito pelo contrário, ainda estava tudo muito no começo, mas com Curaçao eliminado Cuba, demonstrava que o futebol do país estava se organizando.

Como falamos, a missão de Patrick Kluivert não tinha acabado. Depois de seis meses, a equipe de Patrick Kluivert entrou em campo novamente, dessa vez visando a classificação para a Copa Ouro 2017. E nesse período de seis meses sem convocações, Patrick Kluivert conseguiu trazer mais dois jogadores profissionais para ajudar o país, o atacante Rangelo Janga, 24 (Trencin/Eslováquia), e o lateral-direito Leandro Bacuna, 25 (Aston Villa), ambos holandeses.

Com mais dois jogadores profissionais, totalizando nove atletas, Curaçao começou as eliminatórias contra Barbados fora de casa, mas perdeu por 1×0. Quando voltou em casa, enfrentou a República Dominicana, e a equipe de Patrick Kluivert venceu por 2×1.

A segunda fase das eliminatórias, aconteceu em julho, quando Curaçao enfrentou Guiana e Ilhas Virgens Americanas. Curaçao saia desses dois jogos com 100% de aproveitamento, ou seja, venceu essas duas partidas que tinha disputado.

E esses dois confrontos foram as melhores partidas que os comandados de Patrick Kluivert fizeram, isso porque fora de casa venceram por 5×2 a Guiana, e depois humilharam os virginenses por 7×0 em casa.

A despedida e o legado de Kluivert

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Infelizmente, a passagem de Patrick Kluivert por Curaçao foi breve demais, mas foi tempo suficiente, para que jogadores profissionais começassem a querer ajudar mais o país. O dia da sua despedida foi especial demais, principalmente para a população de Curaçao. Patrick Kluivert escolheu muito bem as palavras para expressar o que sentia naquele momento de sua partida.

“Muito obrigado, estou muito feliz que minha contribuição ao futebol de Curaçao tenha sido um sucesso. Infelizmente, eu não posso continuar como técnico da seleção, mas os jogadores precisam dar sequência ao que nós começamos”.

Com a presença de jogadores profissionais, Curaçao agora poderá atuar em datas-FIFA (os clubes são obrigados a ceder os atletas convocados). Os bons frutos não foram apenas isso com o pouco trabalho de Patrick Kluivert no país, assim que ele chegou o país ocupava a 151º posição no ranking da FIFA, e no dia que ele saiu, deixou Curaçao em 122º lugar.

Incluindo amistosos, Curaçao teve seis vitórias, três empates e três derrotas sob o comando de Patrick Kluivert. Foram 23 gols a favor e apenas 12 contra, inclusive superando Trinidad & Tobago num amistoso em 5 de junho de 2015, o segundo triunfo em 19 jogos na história – desde Antilhas Holandesas. Kluivert fez história em Curaçao, algo que Remko Bicentini vai querer repetir a partir de outubro. Que a pequena ilha holandesa no Caribe siga evoluindo!

Informações

– Remko Bicentini foi um zagueiro regular, com só uma experiência num time profissional, o NEC, que defendeu na temporada 1986/86. Depois, equipes amadores até o fim da carreira. Ele foi auxiliar-técnico das Antilhas Holandesas em 2008 e assumiu a seleção em 2009/10 – era auxiliar em Curaçao desde 2011 e tem três passagens por times amadores holandeses.

– Curaçao tem apenas três participações na Copa do Caribe (1989, 1998 e 2014), mas nunca venceu na fase final. Há dois anos, a equipe perdeu para Trinidad & Tobago (3 a 2), Cuba (3 a 2) e Guiana Francesa (4 a 1) no Grupo A, o pior desempenho da competição. Por outro lado, quando fazia parte das Antilhas Holandesas, Curaçao foi terceiro colocado na Copa Ouro em 1963 e 1969, ficando na frente de México e Jamaica em ambos.

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