Liverpool, o iluminado

Texto: Gustavo Costa

Na noite desta terça-feira em Anfield, o Liverpool bateu o Leeds United por 2-0 com gols de Origi (aos 76′) e Ben Woodburn (aos 82′). Particularmente? Eu não estava com cabeça pra ver esse jogo, aliás, não estava com cabeça pra nada nessa fatídica data que nos tirou o time mais querido do país de perto da gente. Em forma de solidariedade soube que o Liverpool (assim como diversos clubes por toda parte do mundo) iria prestar uma homenagem antes do jogo com o minuto de silêncio que hoje em dia é tão defasado por várias torcidas, assisti na obrigação e achando que não haveria o respeito devido, ledo engano.

No momento em que abri o link (no trabalho, quase que escondido) a torcida do Liverpool estava cantando a música que eu imortalizei na pele, e que imortalizamos na alma e cantava para o time mais querido do Brasil, que imortalizamos em nossos corações e aderimos oficialmente como o nosso segundo time, mas foi um canto que, é muito emocional sempre, mas, especialmente hoje, ele tocou na alma de cada um, seja ele Figueira, Corinthiano, Red Devil, torcedor do Leeds… A verdade é que somos todos futebol, somos todos Chapecoense e, voltando ao meu engano, esse jogo protagonizou o minuto de silêncio mais marcante que já ouvi em todos esses anos assistindo (ou contemplando) e jogando futebol, um silêncio ensurdecedor, como já diria um pensador outrora, aquele silêncio, vazio, aquele prato cheio de tristeza que transborda, e que não importa o quanto você pense, chore, tente entender, ele continua a transbordar, foi a Chape do Cleber Santana… Ah, Cleber, agradeço pelos “canudos”, por ter tirado o Santos da fila de campeonatos paulistas que perdurava desde 1984, agradeço por ter tido a oportunidade de te ver jogar de perto e torcer por você, assim lembrarei de você, MONSTRUOSO que foi, obrigado…

Também quis o destino levar a equipe da fox do Deva e do Mário, a equipe da globo, a tripulação, pilotos, o Caio Junior, o Caio… Um dos treinadores mais carismáticos e competentes do país, que outrora levava o Paraná Clube de Borges para a Libertadores… É, Harry Potter, você e o Caramelo, que continue tomando seus cartões amarelos na pelada dos céus, tem muita gente boa aí em cima, tomar amarelo por ter que segurar o Garrincha pra não levar o drible está mais que permitido, vocês irão fazer uma falta danada aqui… Enfim, Isso tudo acabou transformando o jogo e qualquer outro acontecimento na data de hoje em um pequeno detalhe, exceto a promessa da torcida scouser em homenagear a galera legal, o time simpático, o índio da Arena Condá mais legal do país com a tal música que abriu o jogo, exatamente no minuto 76′ (em virtude ao número de falecidos no acidente confirmados até o momento da partida) e… Ao invés da música, dos pés de Divock Origi saiu a mais bela homenagem, em forma de gol.

A mística que envolve essa camisa é algo que jamais saberemos explicar, apenas sentiremos.

“when you walk through a storm,

hold your head up high and don’t be afraid of the dark,

at the end of the storm there’s a golden sky (…)”

Desejo força e sabedoria para os familiares e torcedores da Chapecoense. #ForçaChape 

 

fonte das imagens: globoesporte.com

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