Turnover – Dak Prescott ou Tony Romo? A pergunta dos milhões

O dono do Dallas Cowboys, Jerry Jones, precisa repensar sua afirmação que garantia que Tony Romo sempre seria seu quarterback titular, já que fazer uma mudança arbitrária em um momento de vitórias contundentes da equipe seria uma decisão tola. A questão ficou ainda mais complexa depois dos dois últimos triunfos dos Cowboys – uma vitória como visitante contra o Green Bay Packers e a partida eletrizante de domingo contra o Philadelphia Eagles. Mas, ainda é difícil entender por que alguém mexeria na química substancial que floresceu com Dak Prescott liderando os Cowboys.

Assim como Tom Brady versus Drew Bledsoe em 2001, minha intuição diz que o correto seria aproveitar o embalo de Prescott o máximo possível. E se isso significar o fim da carreira de Romo em Dallas, que seja. Mas meu cérebro? Bom, eu recebi uma ligação sobre Romo de uma pessoa dos Cowboys que respeito muito, na semana passada. E durante a conversa foi difícil argumentar contra um ponto central relacionado a Romo: se o Dallas está pensando em tomar uma decisão sobre o futuro de Romo no time nesta offseason – e eu acredito que isso é verdade – é importante que os Cowboys vejam como ele se sai dentro desta versão do ataque.

O fato de que o Dallas considere a hipótese de se separar de Romo não é pouca coisa. Três aspectos serão seriamente analisados nesta offseason: o desenvolvimento de Prescott como o quarterback titular; a capacidade de distribuir a parcela que o salário de Romo ocupa no teto salarial da equipe ao longo de duas temporadas através de um corte após 1º de junho; e o respeito que os donos e técnicos têm pelo restante da carreira de Romo na NFL. Se o reinado de Prescott começar agora, Romo ainda conseguirá jogar em outro time e ter algumas temporadas de qualidade, de forma semelhante à partida de Peyton Manning do Indianapolis Colts antes da chegada de Andrew Luck.

Mas chegar a este ponto – a decisão de deixar Romo ir – será mais fácil se os Cowboys sentirem que deram uma última olhada em suas habilidades. Após minha conversa com uma fonte dos Cowboys na semana passada, eu não acredito que o Dallas esteja certo disso. Há uma boa chance de que Romo comece a partida contra os Pittsburgh Steelers no dia 13 de novembro.

Esta timeline pode ter mudado após a vitória dramática contra os Eagles? Certamente. Nada ativa os neurônios de Jerry Jones mais do que vitórias em cima de odiados rivais da mesma divisão. O simples fato de ver a emoção de Jones na noite de domingo foi impressionante. Primeiro ele pulou de alegria, abraçando seu filho e CEO do time Stephen Jones, e depois emergiu do interior do AT&T Stadium celebrando intensamente.

“Caramba!” Jones gritou enquanto seguia seu time até o vestiário após o passe de Prescott ter resultado no touchdown que venceu a partida. “O que foi isso, meninos?!”

Com Jones, este tipo de demonstração não deve ser encarado levianamente. Ele opera com base na emoção e na lealdade, e Prescott está alimentando as chamas destes dois aspectos em todos os cantos da franquia.

No entanto, Jones não é mais a única voz na sala. Ele ainda é a mais importante, mas quando a adrenalina baixar, ele estará mais suscetível do que nunca a ser influenciado. É assim que os possíveis dias finais de Romo serão determinados. A opinião do técnico Jason Garrett será importante. O ponto de vista de Stephen Jones será importante. E a linha de raciocínio do diretor Will McClay será importante.

E embora a minha intuição diga que eles irão optar por Prescott, meu cérebro diz que eles ainda não terminaram com Romo. Meu cérebro diz que eles ainda querem vê-lo uma vez mais atrás daquela linha ofensiva, com Ezekiel Elliott atrás dele, Dez Bryant por fora, Cole Beasley no slot, com todas as armas em potência máxima.

Não porque eles não acreditam em Prescott, mas porque não acreditam em tomar uma decisão sobre o futuro de Romo sem vê-lo no campo uma última vez. Todos estes quatro homens têm uma suspeita incômoda de que Romo ainda poderia levar este ataque a um outro nível. E eu também acredito que os quatro pensam que Romo é a melhor opção para vencer em janeiro, embora este pensamento possa ter sido atenuado após o desempenho sob pressão de Prescott na prorrogação contra os Eagles no domingo à noite.

É claro que há um componente financeiro que também será levado em conta. Os Cowboys precisam estar atentos ao teto salarial da equipe, embora a situação nunca tenha estado tão ruim quanto parece em Dallas. Na realidade, os especialistas do Cowboys têm um roteiro que lhes permitiria obter qualquer economia necessária para as temporadas de 2017 e 2018. Seria preciso fazer uma certa ginástica financeira, mas a oportunidade está lá. Cortar Romo após o dia 1º de junho também permitiria que o time aplicasse seu dinheiro “morto” ao longo de dois anos – com U$ 10,7 milhões em 2017 e U$ 8,9 milhões em 2018. O time também poderia decidir se desfazer de alguns jogadores sem contrato que poderiam assinar com outras equipes, como o cornerback Morris Claiborne, o wide receiver Terrance Williams, e o offensive guard Ronald Leary.

A questão ainda reside nas próximas 10 semanas vs. os próximos 10 anos. Prescott certamente avançou muito e fez o Dallas sentir que a próxima década de quarterbacks está assegurada. Embora a década de Dak já possa ter começado, Romo ainda está sentado atrás dele. E os homens responsáveis por esta decisão ainda estão pensando em como seria o ataque com ele na liderança.

Pode ser o suficiente para colocar Romo de volta no assento do motorista. Mesmo que seja somente por alguns meses, isso será importante para saber se chegou a hora de seguir em frente sem ele após o final da temporada.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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