Análise: O trabalho de Cuca no Palmeiras

Texto: Bianca Ramos

Em sua curta passagem pelo Palmeiras em 2016, o técnico Cuca cumpriu a profecia feita após a eliminação no Paulistão e trouxe ao clube o nono título do Campeonato Brasileiro, presente que a torcida não recebia havia 22 anos.

Cuca chegou ao Palmeiras para substituir Marcelo Oliveira, que conquistou a Copa do Brasil com o verdão em 2015. Apesar do título, Oliveira viu o time desmoronar, principalmente na Copa Libertadores da América e, com quase nenhuma chance de classificação na fase de grupos, perdeu o cargo de treinador do clube.

Cuca não se intimidou com o time à beira de um colapso. Os primeiros jogos no comando do alviverde não tiveram resultados positivos, sendo goleado por times como o Água Santa no Campeonato Paulista, mas isso não tardou a mudar. Após a eliminação nos pênaltis para o Santos na semifinal, Cuca ganhou alguns dias para treinar o clube e implementar as estratégias que levaram o Palmeiras ao ápice na temporada.

A principal mudança que Cuca fez na equipe foi adaptar o time de acordo com cada adversário.  Por ser muito observador, utilizava boa parte do seu elenco e fazia substituições que, na maioria das vezes, mudava o rumo da partida.

Já no Brasileirão, Cuca começou a competição escalando o time bem ofensivo, ditando o ritmo de jogo para os adversários, porém com a zaga mais aberta e desprotegida. Durante boa parte do primeiro turno da competição, sofreu muitos gols devido ao esquema arriscado, fazendo o treinador alviverde mudar o esquema tático se quisesse erguer a taça.

A partir do final do primeiro turno, o Palmeiras conseguiu a incrível média de 1,4 gols marcados e 0,6 sofridos por jogo. Muito se deve à mudança do esquema tático proposta por Cuca, no qual o time jogava mais recuado, buscando os contra-ataques e procurando melhorar o desempenho na defesa, que nunca foi o ponto forte do clube.

A defesa do Palmeiras, até a atual rodada, é a defesa menos vazada, com apenas 31 gols sofridos. Os protagonistas desses números são Vitor Hugo e Yerri Mina, dupla de zaga que se solidificou ao longo da competição, utilizando marcações individuais nos adversários. Cuca também não teve receio em colocar jogadores pouco conhecidos em campo. Com Cleiton Xavier e Lucas Barrios no banco de reservas, revelou Moisés e Tchê Tchê, que fizeram uma temporada impressionante no meio-campo palmeirense.

Todo esse trabalho realizado ao longo da temporada não era nada comparado ao trabalho de lidar com a pressão e a ansiedade de conquistar o título Brasileiro, que não ia para a Barra Funda havia 22 anos. O treinador soube acalmar os atletas e a si mesmo, como se soubesse que a profecia que fez no começo do ano fosse dar certo.

Sua saída do comando do Palmeiras deu-se por problemas familiares e a torcida não pode cobrar dele prioridade. Contudo, se o trabalho continuasse, o Palmeiras certamente poderia brigar por mais títulos em 2017 e seria um time a ser batido. Não significa o fim desse time cheio de pequenas grandes estrelas, mas o trabalho que o próximo comandante terá para manter o padrão e a regularidade não será nada fácil.

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