Saudosismo FC – O rolo compressor do São Paulo

O futebol brasileiro e paulista passava por transformações. Na década de 1930, Palmeiras e Corinthians dominavam a competição regional. Aos poucos, o luta contra racismo também começava a ter suas primeiras vitórias e os times inseriam cada vez mais jogadores negros em seus elencos (sim, no começo do futebol do Brasil, os times eram formados basicamente por brancos). Mas uma equipe começava a dar sinais que seria uma pedra no sapado da principal rivalidade da capital paulista. Com duas fundações, uma em 1930 e outra em 1935, era formado, à partir da fusão de algumas equipes, o São Paulo Futebol Clube.

Um dos maiores nomes pré-Era Pelé do futebol nacional, Leônidas da Silva transformou o São Paulo em grande equipe nos anos 1940

Com a inauguração do Pacaembú, o trio de ferro de São Paulo começava a protagonizar grandes jogos, somada a participação do Santos, que quebrou a sequencia de títulos do Palmeiras (então Palestra Itália) e Corinthians em 1935. De 1930 até 1941, palestrinos e corintianos somaram 11 títulos. Em 1942 chegava ao São Paulo o homem que mudaria a história. Leônidas da Silva, também conhecido como Diamante Negro, estreou pelo São Paulo em 14 de junho de 1942, em derrota para o Palestra Itália. Mas começava ali o que se chamaria de “rolo compressor” do campeonato paulista da década de 40. Ao lado de jogadores como Bauer e Teixeirinha, ajudou a moeda a cair de pé em 1943 para o primeiro título paulista da década.Dose que se repetiu em 1945 e 1946, tendo o Corinthians como vice-campeão nos dois anos. E novo bi-campeonato veio nos anos de 1948 e 1949, contabilizando 5 títulos estaduais na década. Conta-se que na época não se perguntava se o São Paulo iria ganhar e sim de quanto seria a vitória. Goleadas expressivas como os 8 x 1 no Comercial, 8 x 0 na Portuguesa Santista e os 9 x 1 em 1944 sobre o Santos.

O lance mais famoso do Diamante Negro, a “invenção” da bicicleta

O momento mais emblemático ocorreu no Pacaembú, em 14 de novembro de 1948. Em confronto contra o Juventus, a bola é alçada na área e Leônidas da Silva está de costas para o gol. Bola alta, sem tempo para virar o corpo, Leônidas solta seu corpo para o ar e finaliza para um golaço, lance que seria conhecido dali para frente como “a bicicleta”. Eternizado na memória de quem viu e no salão de troféus do Morumbi e no Museu do Futebol do Pacaembú.

O último jogo dessa trupe ocorreu em 20 de novembro de 1949. Campeão paulista por antecipação, o São Paulo recebeu o Santos no Pacaembú e venceu o duelo por 3 x 1, com gols de Teixeirinha e Friaça (2) e definitivamente levou para o Canindé – então sede do São Paulo – a Taça Federação Paulista de Futebol (troféu instituído em 1942, que era de posse transitória até que um clube o conquistasse três vezes consecutivas ou cinco alternadas).O título coroou a equipe são-paulina, que estabeleceu o melhor ataque e a melhor defesa do certame, com 70 gols marcados e 23 sofridos, em 22 partidas disputadas, possuindo ainda o artilheiro do torneio: Friaça, com 24 tentos. O time sofreu somente duas derrotas: para o Santos, no primeiro turno, e para o XV de Piracicaba, o “campeão do interior”, lá na terra do “Nhô Quim”.

São Paulo escalado com Ruy, Savério, Mauro, Mário, Bauer e Noronha; Friaça, Ponce de León, Leônidas, Remo e Teixeirinha para encarar o Santos na última partida do Rolo Compressor

Nos anos seguintes, viriam os tempos de vacas magras, onde o São Paulo investia na construção de seu maior patrimônio, o estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi. Mas a década de 40 ficaria para a história do clube. Da moeda que caiu de pé no título de 43, ao rolo compressor que dominou o estado no período.


A coluna “Saudosismo FC” foi feita para você que gosta da história do futebol nacional. Que gostava de ouvir seu pai e seu avô contando os grandes momentos vividos nos gramados tupiniquim. Aqui contaremos o futebol brasileiro dos anos 90 para trás, com muito saudosismo para manter viva a memória do esporte que nos apaixonamos. Você também pode participar sugerindo temas, comentando, cornetando e dizendo que Messi é melhor que Pelé na área de comentários do site e nas redes sociais do HTE no Twitter (twitter.com/HTE__Sports) e no Facebook (Facebook.Com/HTESports).

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

%d blogueiros gostam disto: