A nova safra de técnicos no Brasil

A nova safra de treinadores no Brasil tem grande responsabilidade. Os novos profissionais, que emergem no mercado futebolístico nacional, têm de recuperar o futebol brasileiro, tão questionado após o 7×1. A grande característica desse grupo é o estudo, seja na Europa ou até mesmo no Brasil. São profissionais de potencial, que podem mudar a história do futebol brasileiro.

Os técnicos que aparecem ou apareceram recentemente, carregam, até de forma inconsciente (e injusta) o peso do 7×1, da pobre safra de jogadores no Brasil e da péssima fase econômica que o país vive. Têm a responsabilidade de dar uma resposta imediata, provando que o Brasil ainda é o país do futebol, mesmo que os jogadores bons que aparecem por aqui acabem indo para a Europa ou para outro centro mais fraco, por conta da questão financeira. Assim, são obrigados a armar esquemas quase mirabolantes, com influência européia, sem ter os jogadores que os técnicos que trabalham no velho continente têm, dificultando a continuidade e o sucesso do trabalho (por conta, também, da cultura brasileira de se demitir técnicos com pouco tempo no cargo).

 

 

Ao contrário de antigamente, que os grandes técnicos do futebol brasileiro surgiram apenas por conhecer de futebol por já terem entrado em campo e jogado, hoje, isso não é mais suficiente. Com os exemplos de Eduardo Baptista, Roger Machado, Fábio Carille e Rogério Ceni, técnicos que irão começar novos trabalhos, é possível provar que os mais jovens são, também, estudiosos. Seja aqui no Brasil ou na Europa, a nova safra coleciona diplomas de cursos voltados para eles. Outros exemplos também podem ser enumerados, como Milton Mendes, Fernando Diniz (que possui uma enorme intervenção do Tiki-Taka) e os mais “antigos” que buscam no estudo uma forma de se atualizar. É o caso de Dorival Júnior, que, em entrevista, disse estudar e querer implantar algumas táticas e formas de jogo e treinos no Santos, e, o maior exemplo deles, Tite: após um ano sabático de estudos em 2014, conseguiu resultados excelentes com o Corinthians em 2015 e logrou a Seleção em 2016.

O estudo destes técnicos traz junto o uso da tecnologia, da análise de seus jogadores e de jogadores adversários. O futebol fica mais completo, se transforma num esporte que em pouco tempo não dará mais espaço para os que não se atualizam. A nova safra, que vem com novas ideias, novas técnicas e novos recursos pode e vai transformar o futebol brasileiro (e mundial), basta esses terem maior espaço e tempo para aplicar todo esse “pacote” novo.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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