CLUBE DA FÉ #93 – O cuidado que precisamos ter com as análises sobre Ceni

29 de julho de 2015. O São Paulo ia para o estádio Independência para enfrentar o Atlético-MG em mais uma rodada do campeonato nacional. Mesmo não vivendo um bom momento na competição, o São Paulo surpreende o Galo em seus domínios e pressiona o adversário. Ganso e Pato perdem chances incríveis, dentro da grande área. E, em um contra-ataque, Lucão falha feio e o Atlético abre o placar. São Paulo continua pressionando, mas nova falha defensiva em outro contra-ataque e o placar já ficava em 2×0. Mesmo com um começo de jogo extremamente promissor, perdemos aquele jogo por falhas individuais dos atacantes e zagueiros por 3 a 1.

Mas por que lembrar desse jogo? Pelo simples fato que análises como as que foram feitas após aquele jogo podem se repetir. Comentaristas e outros treinadores foram rápidos em colocar Juan Carlos Osório na berlinda, dizendo que o time não se mostrou compactado e qualquer outro argumento. Poucos falaram que o time ruiu nesse jogo por falhas individuais de Lucão, Pato e Ganso.

Rogério Ceni nesse começo de trabalho deu mostras que segue algumas linhas de Osório, adicionando muito do que ele aprendeu na Europa observando treinadores como Sampaoli, Guardiola, Klopp entre outros. Quer um time jogando com marcação adiantada, pressionando no campo todo. Os primeiros treinos indicam uma formação no 3-4-2-1, como no desenho ao lado. Breno, Maicon e Rodrigo Caio na primeira linha, com Bruno e Buffarini nas alas e Thiago Mendes e Cícero fechando a linha de quatro jogadores do meio campo. Cueva e Wellington Nem seriam os meias/pontas diagonais, jogando no lado oposto do “pé forte”, partindo em velocidade do canto para o meio buscando aproximação com o centro-avante que pode ser Chavez ou Gilberto (continuo sonhando com a volta de Calleri, que daria uma cara muito melhor a essa equipe).

Uma formação bem interessante com as peças que tem a disposição. Ainda não temos um primeiro volante de qualidade no elenco, para fazer o primeiro passe da defesa para o ataque e nem um meia central (Shaylon ou Lucas Fernandes podem ser esses jogadores, mas precisam de um tempo para assumirem a condição de titulares da equipe). Sendo assim, movimentação, pressão, meio campo “box-to-box” como dizem os ingleses é a opção do nosso treinador. Mas, vale lembrar que o elenco é, tirando as pembas que já nos livramos, basicamente o mesmo do ano passado. Sendo assim, erros individuais podem ocorrer. E, pelo fato do futebol ser um jogo circunstancial, em que um gol, uma expulsão ou uma falha podem mudar os rumos da partida. Mas não podem alterar os rumos das nossas análises.

A proposta de jogo é muito boa. Em minha opinião, a melhor de acordo com o elenco que temos. Podemos ainda pensar em variações para um 4-3-3, adiantando Rodrigo Caio para a função de voltante e segurando um pouco mais os laterais. Ceni, junto com seus auxiliares, sabe muito bem disso e provavelmente veremos essas variações nos primeiros amistosos nos EUA, sendo o primeiro já contra um rival de qualidade, o River Plate. Mas não vamos nos perder nas análises entre a proposta de jogo e os erros individuais que eventualmente podem ocorrer. Particularmente, começo o ano muito mais animado que nos últimos 5 anos juntos. As ideias são boas. Resta saber, se os jogadores conseguirão reproduzir o desempenho idealizado pela comissão técnica.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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