NBA na Globo – O que comemorar e o que ficar com um pé atrás

Nas útlimas semanas veio uma confirmação de certa maneira bombástica para os rumos das transmissão da principal liga de basquete do mundo: Quatro jogos das finais da NBA estarão na tela da Globo. Não será ao vivo, e sim um compacto após o final das partidas, todas a partir do jogo 4 da decisão do campeonato. Duas foram as reações iniciais do público do basquete: Animação por ver a NBA voltar, mesmo que em pílulas, a TV aberta, e preocupação, pelo fato de ser a Rede Globo com todas as particularidades que já vimos o canal fazer com outros esportes.

Bom, eu não sou e nunca fui fã da Globo. Quando criança, preferia o SBT. Na adolescência, a Bandeirantes. E na fase adulta, já com condições financeiras melhores, os canais por assinatura. A programação, o formato e seus personagens como Galvão Bueno, Cléber Machado na narração, comentaristas que muitas vezes pouco tinham o que acrescentar, sejam em qual esporte fosse, nunca me encantaram, bem pelo contrário. Mas é inegável que estamos falando da rede de televisão com maior índice de audiência no país e, qualquer esporte ou liga que chegue no canal, é sempre uma vitória. Comercialmente, conseguem atingir um público cada vez maior. Também trazer a liga e a modalidade para muitas pessoas que não tem acesso a televisão por assinatura ou streamings de internet para assistir os jogos. Certamente, um público maior poderá ver e se sentir curioso e tornar-se a ser como muitos de nós, fanáticos pela NBA. Esse é o lado positivo da notícia.

O que muita gente fica consternado, e eu no meio deles, é pelo fato de conhecermos como a Rede Globo trabalha. A emissora nunca foi promotora de esportes, como era, por exemplo, a Bandeirantes com o saudoso Luciano do Valle no comando na década de 90. Luciano não tinha medo de colocar no canal esportes pouco entendidos por aqui. Com ele, tivemos os primeiros contatos com futebol americano, sinuca, voleibol e, claro, com a NBA, que na época tinha um dos maiores nomes da história do esporte, Michael Jordan. A Globo sempre foi mais de se aproveitar das modalidades. Foi assim com a Fórmula 1 enquanto tínhamos pilotos de ponta, disputando títulos. É assim agora com o voleibol de seleções, que tanto no feminino quanto no masculino vem com um histórico recente de muitas conquistas. Também foi assim no UFC, quando só entrou depois que Anderson Silva tinha completo domínio em sua categoria. A Globo e uma empresa privada, que visa o lucro, então não há questionamentos sobre essa prática aqui. Eles fazem o que bem entendem com o poderio financeiro e de influência que têm e não são obrigados a fazer as coisas do jeito que queremos.

Assim como não somos obrigados a gostar do jeito que trabalham. Já podemos ver no Sportv como sua transmissão não agrada a plena maioria dos fãs. Desde coisas simples, como não falar os nomes dos ginásios que têm batismos ligados à empresas, como política de não fazer propaganda gratuita, até a qualidade dos narradores e comentaristas, bem aquém das transmissões acompanhadas na concorrência que, mesmo assim, disponibilizam o SAP para quem não gosta deles. A histeria com jogadores do momento muitas vezes atuam com certo desrespeito pela paixão que torcedores de times rivais têm, não repetindo a mesma empolgação em enterradas e cestas de três dessas equipes.

Todas essas questões me deixam sempre com um pé atrás sobre a entrada da Rede Globo em qualquer esporte. Em curto prazo, certamente terá um benefício para muita gente, com mais audiência, gerando mais fãs e, obviamente, maior mercado consumidor da liga. Mas a médio/longo prazo, qual o impacto, uma vez que a qualidade da transmissão como um todo nem sempre é legal? Soma-se isso ao fato de a Globo comprar alguns eventos somente para a concorrência não ter, mas também não passar, será que nós, que já somos fãs, seremos beneficiados? Tudo no mundo dos esportes que envolve a emissora eu sempre fico com um pé atrás. O modus operanti que a Globo mostrou em sua história me dá essa condição. Hoje, parece até certo ponto benéfico. Mas até quando o será?

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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