A pouca atratividade do Campeonato Baiano

Há bastante tempo que escutamos sobre a pouca atratividade do Campeonato Baiano, e essa temática está mais forte nessa temporada de 2017, principalmente quando observamos o borderô de cada partida, seja ela aqui em Salvador ou no interior do estado.

Se Bahia e Vitória estão atuando na rodada do estadual, a tendência de uma renda um pouco relevante chega até R$ 30 mil, foi assim na goleada do tricolor diante do Bahia de Feira em Pituaçu, onde 3.755 torcedores vibraram com o triunfo da equipe comandada por Guto Ferreira. Sem esquecer do péssimo horário do jogo que iniciou às 18:30, numa quarta-feira e na região onde costuma ter bastante engarrafamento devido ao período de “rush” onde as pessoas retornam do trabalho.

Além dessas questões, esse ano tem uma novidade. A cada rodada uma equipe deixa de atuar, o que enfraquece ainda mais a presença de público e por consequência a renda da partida. No entanto, outros acontecimentos já não são tão inéditos. Se recordarmos a lambança que foi o jogo no qual envolveu o Bahia e a Jacuipense em Riachão do Jacuípe, onde faltando minutos para o começo do duelo, quando o fornecimento  da energia no estádio Valfredão foi interrompido, resultando no atraso da partida, fazendo com quebpor alguns minutos a emissora detentora dos direitos de transmissão desistisse de passar o jogo, e a repercussão dessa atitude causou aborrecimento dos torcedores nas redes sociais.

Você acha que isso foi o bastante? Não, e ainda tem mais. A péssima qualidade do gramado influenciou diretamente no andamento da partida. Cheio de buracos, os jogadores dos dois times poderiam ser vitimas de lesões mais sérias, por exemplo uma entorse de tornozelo ou até mesmo o rompimento do ligamento do joelho, deixando inativo por bastante tempo. Culpar a Federação Bahiana de Futebol por essas questões é correto, sim, mas as prefeituras e as diretorias das equipes que disputam o torneio são cúmplices desse insucesso no qual se encontra um dos campeonatos mais antigos desse país.

Dessa forma, o técnico Guto Ferreira agiu corretamente em realizar o famoso rodízio em seu elenco. Enquanto o Bahia atua pelo Baianão, ele utiliza uma equipe considerada reserva, por outro lado na Copa do Nordeste, são os titulares que defendem a camisa do Esquadrão. Convoco o Argel Fucks, técnico do Vitoria a fazer o mesmo, utilizar a base do rubro-negro e os reservas afim de preservar seus jogadores titulares, já que alguns deles se encontram no departamento médico.

Outra deficiência apontada fica a data de início do campeonato. Sabemos que adentramos no âmbito nacional, pois é a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que organiza todo o calendário esportivo, mas existe a flexibilidade de alterar o começo do estadual baiano por uma simples razão: as festas e o carnaval de Salvador. O torcedor não se prende a uma opção de lazer e nessa época em cada local da cidade existe um ensaio daquela banda predileta ou cantor favorito, as praias junto com as férias escolares são um atrativo para aquele merecido descanso. São questionamentos sobre a gestão de Ednaldo Rodrigues à frente do nosso futebol.

Para fazer um comparativo sobre a administração de presidente da entidade máxima do futebol baiano e o tempo de Sir Alex Ferguson, é bem simples de entender. Na Inglaterra, nós admiradores do futebol, testemunhamos a longa permanência de um treinador a frente de um clube. Foram exatamente 27 anos que o escocês comandou o Manchester United, um dos mais poderosos da Europa. Conquistou por diversas vezes a Liga dos Campeões, a Premier League como é denominado o campeonato inglês e dentre outros títulos. Aqui em Salvador, por mais de 16 anos, Ednaldo ocupa o cargo máximo na associação e percebe-se a involução do certame estadual nesse período. A frase de Jonh Kennedy, ex-presidente dos Estados Unidos, resume bem essa tônica:

“A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro”.

 

Lucas Cezar

Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória.

  • Rafael Kafka

    Estaduais não tem mais sentido, irmão!

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